Menu
Busca segunda, 18 de novembro de 2019
(67) 9860-3221

Leia: Uma só verdade, uma só forma de usar a terra, por Thiago Ca

31 maio 2011 - 08h22

Na última semana o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promoveu em Dourados um seminário sobre a questão fundiária indígena em Mato Grosso do Sul.

Lideranças indígenas guarani, kaiowa e terena, assim como ruralistas estiveram presentes no auditório da UNIGRAN para expor seus pontos de vista sobre a questão. O fortíssimo aparato de segurança revelava a tensão que o tema carrega. As confortáveis caminhonetes com que chegavam os ruralistas e os ônibus fretados com que chegavam os indígenas revelavam a desigualdade de condições para atender ao convite do CNJ.

Das muitas falas equivocadas e preconceituosas abertamente propagadas pelos ruralistas e seus aliados, quero destacar duas. Além da característica truculência, o que chamou atenção na fala do governador André Puccinelli foi a afirmação de que a verdade é uma só. Também chamou atenção o diluído discurso da improdutividade das terras indígenas e de que as novas áreas que podem vir a ser demarcadas também serão improdutivas.

Essas duas falas revelam o ranço etnocêntrico com o qual as elites estaduais pensam a questão indígena e a de suas terras em especial. Não é preciso ser historiador, antropólogo, advogado ou qualquer outro profissional para saber que a verdade é relativa, para isso basta ter um mínimo de bom senso e sensibilidade. A verdade é relativa a quem a sustenta. Por tanto, a verdade para os indígenas certamente não é a mesma verdade defendida pelo governador.

Da mesma forma que não há uma única verdade, também não há uma única forma de se aproveitar a terra. De fato, falta assistência técnica e condições para que os indígenas cultivem mais alimentos em suas terras. No entanto, é pouco provável que eles queiram transformá-las em latifúndios monocultores, como é o caso da maioria das terras tradicionais em posse dos ruralistas. A relação que os indígenas mantêm com a terra não se limita à extração de meios para a sobrevivência física, vai além, a terra também é fonte de reprodução cultural e social, é morada de seres espirituais e muito mais.

As duas visões aqui criticadas têm suas raízes no etnocentrismo colonialista que ainda domina em Mato Grosso do Sul. Enquanto as pessoas envolvidas na questão fundiária indígena não se esforçarem para compreender e respeitar a alteridade será difícil imaginar que se pode chegar a uma solução pela via do diálogo, como propunha o CNJ.

Os ruralistas e seus aliados ganhariam muito se debatessem a questão de forma qualificada, apostando no diálogo e abandonando o discurso do bandeirante ressentido. Hoje de tão frágeis, seus discursos são facilmente desconstruídos, tanto é que no judiciário as causas indígenas têm prevalecido, principalmente na esfera dos egrégios tribunais.

Doutorando em História pela UNESP de Assis-SP.

Deixe seu Comentário

Leia Também

POLÍTICA
Marçal quer apuração rigorosa na CPI da Energisa
EDUCAÇÃO
Instituições de ensino têm até dia 25 para aderirem ao ProUni
TRÁFICO
Homem que saiu de MS com cocaína e crack acaba preso no PR
DOURADOS
Umidade relativa do ar despenca nas primeiras horas do dia
SAÚDE
Quando começar a cuidar dos dentes do seu bebê?
FUTEBOL
Dois jogos encerram a 33ª rodada do Brasileiro nesta segunda
BRASIL
Celulares pré-pagos desatualizados são bloqueados hoje em 17 estados
TRÁFICO
Homem é preso tentando levar maconha até o Paraná
BALANÇO
Durante o feriado, número de acidentes em rodovias estaduais foi 60% menor que em 2018
JEJ BLUMENAL
Judô de MS garante 4 medalhas no judô em campeonato em SC

Mais Lidas

POLÍCIA
Vereador é agredido e roubado quando ia para igreja em Dourados
DOURADOS
Motociclista fica gravemente ferido após colisão no Parque Alvorada
FURTO
Casal é flagrado dentro de panificadora fechada na madrugada
DOURADOS
Mulher ameaça policiais com facão em abordagem por manobras perigosas