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Leia, Tempo ao Tempo, por Adilson Luiz Gonçalves

27 dezembro 2012 - 11h56


Tanto já se falou sobre o tempo, que às vezes parece perda de tempo falar sobre ele.

Velho, mais de guerra do que de paz, ele não envelhece, embora muitos vivam a anunciar seu fim, de tempos em tempos.

Paradoxalmente, apesar de infinito, ele não envelhece, permanecendo ao mesmo tempo protagonista e espectador de nossas alegrias e aflições. Mais que isso, ele é nosso principal credor, pois nos empresta uma mínima fração de si próprio, para nos cobrar o que fazemos dela, por toda a vida.

Tempo...

Tem gente que diz que ele vale ouro, enquanto outros o desperdiçam. Tem gente que só lembra dele quando parece ser tarde demais, para, então, se agarrar a ele sem medidas, sem limites.

Mas, quando é cedo? Quando é tarde? Quando é o tempo “exato”?

Falam que quando nascemos já tem início nossa contagem regressiva...

De fato, um tempo nos é dado, incerto, parte dele sob nossa responsabilidade e o restante pela imponderabilidade do semelhante, dos elementos... A partir de então, o tempo passa a nos ser tomado, inexoravelmente, como areia que se tenta conter entre as mãos, mas que sempre encontra por onde escoar.

Tempo relativo: medido pelos ciclos da Lua, pelos giros em torno do Sol. Tempo analógico, digital, atômico... Tempo cujos efêmeros anos da vida humana são contados por grãos de areia que têm bilhões de anos. Areia que já foi rocha e que um dia poderá voltar a ser.

Sim, a areia já fez parte de um todo! Foi separada dele pela água, pelo vento, enfim, pelas intempéries; mas, também, pela humanidade, que também já foi parte de um todo. Aliás, continua a fazer, mas esquece ou é induzida a esquecer disso.

Pedras e areias que poderiam unir os povos, transpondo abismos; mas que alguns preferem usar para criar barreiras quase intransponíveis ou cercados herméticos, físicos ou do pensar.

Isso pode mudar. É uma questão de tempo!

No entanto, se é uma questão de tempo, bem que ele poderia responder às tantas perguntas lançadas a ele: palavras ao tempo e não ao vento! Respostas que equilibrassem a inversa proporcionalidade entre nostalgia e esperança.

Não somos senhores do tempo, embora alguns gastem fortunas para prolongá-lo artificialmente, por egoísmo, enquanto outros, que poderiam dar esperança ao mundo, têm o seu violenta ou displicentemente abreviado.

Entretanto, podemos e devemos tomar o controle do nosso tempo, para dele fazer o melhor uso possível: construir pontes, plantar sonhos, viver plenamente a vida, em todos e com todos os sentidos!

Para tanto, mais do que dar tempo ao tempo, é preciso fazer bom uso dele: tomar seu tempo, em qualquer tempo.

O tempo é momento e todo dia é dia!

E um dia, quando o tempo nos apresentar nova escala de medida, universal, atemporal; tempo em que não haja mais os "anos-sem-luz" pedagiados, que às vezes nos separam do próximo, e nossos espíritos sejam capazes de viajar na velocidade da luz divina; que o tempo anterior fique na memória dos que amamos, como suave lembrança, atemporal, nunca extemporânea.

Assim, o tempo não deve ser considerado nosso principal credor, mas fundamental companheiro na jornada da vida!

Feliz 2013, 14, 15...





Adilson Luiz Gonçalves - Membro da Academia Santista de Letras - Mestre em Educação, Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor

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