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Leia o artigo Nós vai, a gente vamos, por padre Crispim

25 maio 2011 - 07h40

Calma! Não é o que você está pensando. Sabe-se que poucos são conhecedores da forma culta da língua portuguesa, embora nos comuniquemos através dela, eu me coloco entre a maioria. Assim, o Ministério da Educação vai permitindo situações nada educadoras ao longo dos últimos 16 anos.

Não porque muitas pessoas não sabem escrever e falar corretamente é que a língua está errada, a língua continua portuguesa, sim senhor. Guardada as devidas proporções, vamos legalizar o roubo, pois existem muitos ladrões, afinal se o parâmetro for um número significativo de praticantes de tais coisas, a roubalheira será legalizada.

Usar, portanto, a desculpa que devemos falar errado para incluir quem não teve a oportunidade de aprender a forma correta é no mínimo nivelar todos por baixo, mas pior que isso, é constatar a incapacidade do governo em proporcionar à população ensino de qualidade, onde todos possam aprender pelo menos a língua oficial.

Usar a chamada “classe dominante” como inimiga para manter a população no marasmo em que se encontra a educação brasileira é muito mais maléfico. Não é difícil imaginar o que veremos no MEC daqui a alguns anos e o que será da educação brasileira, com esta inusitada proposta, que de original, “só pode ser no Brasil”, o país dos contrastes. A questão aqui não é discriminar quem fala com erros o português clássico, mas evitar que as pessoas sejam mal interpretadas, pois escrever errado, por exemplo um documento, pode invalidá-lo completamente, retirando seu real significado e prejudicando, inclusive seu autor.

Não estamos falando aqui de corrigir ou discriminar pessoas que falam errado. Quero saber como será um profissional brasileiro daqui a 20 anos falando errado neste mundo globalizado, onde a comunicação é abrangente e exige conhecimento até de outros idiomas, se nem a sua língua pátria se aprende corretamente.

Mas do MEC, ultimamente, tem saído pérolas em forma de cartilhas. A população nem sempre ouve falar e muito menos tem acesso aos conteúdos e imagens. Circulam na internet, sobretudo, o conteúdo e a foto da cartilha do governo contra a homofobia, mesmo que o MEC tente negar o inegável, nela além do conteúdo, que a meu ver não combate a discriminação, mas incentiva comportamentos que a criança até então não tem e que poderá desenvolver, desnecessário para sua felicidade, traz na capa uma fotografia de duas crianças do sexo masculino, com menos de 10 anos de idade, beijando-se na boca, e em seu interior, segundo demonstrou à imprensa o deputado Anthony Garotinho, cenas de sexo anal entre homens. Todo esse conteúdo para crianças da mais tenra idade!

Em relação ao português, com tais práticas há duas décadas iniciadas, passaremos a falar dialetos, pois toda forma de falar e escrever será correto. Já no caso da cartilha contra a homofobia, para crianças de idade entre 6 a 7 anos não irá motivar o respeito a possíveis homossexuais, porém ela será empurrada a experimentar práticas que a maioria absoluta das pessoas jamais experimentaria e isto não é preconceito, é fato, pois a criança não precisa começar a exercitar a sexualidade genital precocemente para ser uma criança desenvolvida, ela precisa sim, de respeito, de amor e de ter preservado o direito de ser criança.

Mas o pior de tudo isso é que os pais estão fora desta discussão. Quando foi que o MEC chamou a população para discutir a validade destes materiais? Na realidade, quando a bomba vem à tona, aí o governo se faz de vítima, como agora, dizendo que não pode julgar o caso dos erros de português porque o MEC não é o ministério da verdade. Ora, se não é, por que quer que todos aceitem tais cartilhas?

Outro fato grave é criar leis que punem a maioria. A lei não pode dizer o que deve ser feito, mas o que não deve, caso contrário, vira ditadura stalinista.




Pe. Crispim Guimarães
Pároco da Paróquia Cristo Rei
Laguna Carapã. MS

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