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Leia "Aborto, questão ética ou religiosa?", por Dom Redovino

11 janeiro 2013 - 10h11





Sorrateira ou abertamente, o aborto está sendo introduzido na maior parte dos países, reivindicado por grupos minoritários (mas aguerridos, como são as feministas), financiado por organizações internacionais e imposto por governos (de direita e de esquerda). Sob o influxo da mentalidade liberal, hedonista e amoral que impera na sociedade moderna, seus defensores o apresentam como uma decisão pessoal – “O corpo é meu e faço dele o que quiser!” – ou, no máximo, como uma questão de saúde pública. A seu ver, os que se opõem a ele, o fazem por motivos religiosos, não podendo, portanto, legislar em Estados que, por sua própria natureza, devem ser sempre laicos.

A verdade é diferente: o aborto é crime porque fere a lei natural. É o que explica Hebe Laghi de Souza, Doutora em Ciências e Especialista em Genética e Biologia pela Universidade de São Paulo: «Em termos biológicos, considera-se o ser humano como possuindo diferentes fases de desenvolvimento, incluindo nisso o embrionário. Em qualquer uma dessas fases, a partir do ovo, o ser humano já é um ser humano. Porque não é somente a forma humana que define o homem, visto que ele passa por diferentes fases de desenvolvimento e, em cada uma delas, apresenta-se com um aspecto – o aspecto peculiar de sua fase – e em todas elas, ele tem vida. Nenhuma coisa morta se multiplica e expressa processos vitais. Sob este aspecto, desde o momento de sua concepção, o ser humano já é um ser humano que vive. Desde o ovo, possui todos os potenciais genéticos e biológicos característicos de um ser humano, e, se o deixarem desenvolver, ele se tornará um bebê, que crescerá e prosseguirá pelas sucessivas fases de sua vida. Penso, assim, como cientista e bióloga, e não estou inferindo neste pensamento nenhum sentimento religioso, apesar de possuí-lo e de fazê-lo somar, neste momento, ao que sinto».

Cientificamente e em sã consciência, ninguém pode duvidar que o embrião contém em germe a estrutura física, psíquica e espiritual que integra o DNA único e irrepetível de cada pessoa. O papel da religião – pelo menos da Igreja Católica, que mais conheço – é iluminar e fortalecer o indivíduo, para que sempre e em toda a parte coloque o bem comum acima de seus interesses particulares, e suas decisões respeitem a justiça e o direito, sobretudo quando está em jogo a sorte dos mais fracos.

Para o Cristianismo, existem dois tipos de verdades: as sobrenaturais – como a Encarnação e a Ressurreição de Jesus –, que o homem não obtém com suas próprias forças, mas lhe pedem uma adesão que brota da fé; e as naturais, que se podem alcançar pela luz da razão. Uma destas é a inviolabilidade da vida humana. Ninguém tem o direito de tomar ou destruir o que não lhe pertence. Assim, a defesa do embrião não é apenas uma convicção religiosa, mas uma lei natural. Por isso, mesmo quando legalizado – pois muitas leis refletem apenas os interesses e os vícios de quem as redige – o aborto jamais poderá ser considerado correto e deixar a consciência em paz.

A tragédia mais profunda causada pelo aborto é o fortalecimento da “cultura de morte”, cujo fruto mais visível é a violência generalizada que cresce a cada dia, cujas vítimas mais comuns são, normalmente, cidadãos honestos e indefesos. Entre elas, as crianças, inclusive as que ainda estão por nascer. Aliás, não deixa de ser irônico verificar como as sociedades modernas, que se julgam cientificamente evoluídas, recorram a dois pesos e a duas medidas em suas posturas em relação aos animais e aos humanos: enquanto se caminha para legislações cada vez mais rigorosas na defesa dos primeiros, inclusive contra o seu uso em pesquisas científicas, são jogados no lixo bilhões de embriões congelados. Não há dúvida: hoje é muito mais seguro e promissor nascer cachorro do que gente...

Para Madre Tereza de Calcutá «é hipocrisia gritar contra a violência que se alastra na sociedade quando ela é cometida e incentivada contra bebês indefesos. Ninguém tem o direito de matar um ser humano que vai nascer: nem o pai, nem a mãe, nem o estado, nem o médico. Se o dinheiro que se gasta para matar fosse empregado em fazer com que as pessoas vivessem, todos os seres humanos atuais – e os que ainda virão ao mundo – viveriam bem e muito felizes».


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