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SAÚDE MENTAL

Depressão: precisamos falar sobre

18 janeiro 2019 - 10h53Por Albert Einstein

As pessoas confundem tristeza e depressão. Qual a diferença?

A tristeza faz parte dos nossos sentimentos e emoções. É “normal” passarmos por momentos ou algum período de tristeza, por exemplo, quando sofremos perdas ou frustrações. Quando o grau de sofrimento é grande e começa haver prejuízo na nossa capacidade funcional, aí começamos a pensar em um quadro patológico. 

A depressão é uma doença psiquiátrica cuja  a alteração principal é o humor ou afeto deprimido e, geralmente, acompanhada por alterações das atividades e com outros sintomas secundários, facilmente compreendidos no contexto das alterações.
 
Como identificar o comportamento de um deprimido? Quais são os principais sintomas?

O humor (tristeza) está presente na maior parte do tempo, acompanhado de redução da energia e diminuição da atividade. Ocorre também redução da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral à fadiga importante. Observa-se em geral problemas do sono e diminuição do apetite, diminuição da autoestima e da autoconfiança e frequentemente ideias de culpabilidade.
 
Como amigos e familiares podem ajudar? O que observar para ajudar no diagnóstico?

Sim, inclusive é comum que as pessoas de seu convívio identifiquem e recomendem a busca por ajuda. Geralmente são observados prejuízos na sua capacidade funcional, como queda no desempenho no trabalho, problemas nos relacionamentos e o mais grave risco, tentativa de suicídio.
 
A depressão é “dividida” em graus/níveis? Caso sim, como?

Sim, podemos classificar a depressão por nível de gravidade conforme o número de sintomas. Podem ser divididos como: episódio leve (apresenta 2 sintomas fundamentais e  2 sintomas menores), episódio moderado (2 fundamentais e 3 ou 4 menores) e episódio grave (2 fundamentais e > 4 menores).
 
Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é predominantemente clínico, ou seja, depende de uma avaliação de um profissional da área (psiquiatra ou psicólogo). Exames podem ajudar, mas o essencial é a avaliação feita por esses profissionais.
 
Quais os fatores de risco para a depressão?

Alguns fatores são: uma tendência da pessoa em experimentar negativamente as sensações; traumas na infância; eventos estressantes na vida; fatores genéticos; doenças crônicas ou incapacitantes; presença de outras doenças psiquiátricas.
 
O nível econômico/ classe social tem impacto na maior ou menor incidência da doença?

Sim, pois os grupos sociais de menor poder aquisitivo estão mais expostos a eventos estressantes e adversos ao longo da vida, além de menor acesso à saúde, tanto física quanto mental.
 
Quais são as principais causas? A doença está relacionada sempre e apenas ao emocional? Qual o impacto genético? 

As causas são múltiplas: fatores genéticos e fisiológicos, por exemplo, familiares de primeiro grau de indivíduos com depressão têm riscos de duas a quatro vezes mais elevado de desenvolver depressão.  Causas psicológicas como experiências adversas na infância e ambientais como eventos estressores podem desencadear a patologia.
 
A depressão é provocada por um desequilíbrio bioquímico (cerebral) do organismo?

Existem diversas teorias que explicam a depressão. A existência de um desequilíbrio na relação entre os neurotransmissores e neurorreceptores no nosso cérebro é uma delas.
 
Mulheres sofrem mais com a doença? Qual o motivo?

A prevalência de depressão é duas vezes maior em mulheres, sendo cerca de 3,6% para homens e 6,7 % para mulheres em um ano.
 
A depressão pós-parto é semelhante a depressão “comum”? O que é e o que motiva o quadro pós-parto?

Sim, os critérios para depressão são os mesmos. Atribui-se às oscilações sustentadas dos níveis de estrogênio como uma interferência no humor da mulher, podendo sugerir que seja então um fator de risco para o desenvolvimento de Depressão. Outra teoria aceita é o da desregulação do eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal, que envolvem substâncias relacionadas ao estresse. Diversos estudos tentam correlacionar uma destas ou então ambas com fases de maior vulnerabilidade na vida da mulher, porém faltam evidências que sustentem essas hipóteses.
 
A depressão atinge todas as idades? Há maior prevalência em alguma?

Sim, sendo mais comum na segunda à terceira década de vida. Observa-se que cada vez mais vem sendo diagnosticada em crianças.
 
Qual é o tratamento da depressão? Qual o profissional capaz de tratá-la?

Atualmente existem algumas possibilidades terapêuticas, como os medicamentos antidepressivos serotoninérgicos, psicoterapia nas suas modalidades, estimulação transmagnética e até eletroconvulsoterapia. Tanto médicos quanto psicólogos estão habilitados para tratar a depressão.
 
Há cura para depressão ou ela é crônica?

Atualmente fala-se em remissão completa dos sintomas e possível manutenção do tratamento a longo prazo.
 
Antidepressivos provocam dependência? Todo tratamento para depressão envolve medicamentos?

Não, as classes de medicamentos popularmente chamados de antidepressivos não apresentam potencial para gerar dependência química. Eles são comumente empregados no tratamento da depressão, porém existem outras possibilidades terapêuticas.
 
Quais os principais efeitos colaterais dos antidepressivos?

Ganho de peso e diminuição da libido.
 
Quanto tempo dura um tratamento contra a doença?

Geralmente, sendo um primeiro episódio depressivo, entre um a dois anos de tratamento.

*Dr. Alfredo Maluf Neto, psiquiatra do Núcleo de Medicina Psicossomática do Einstein, esclarece algumas dúvidas sobre o tema

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