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Crime sem solução: Os tiros que interromperam os sonhos de um jovem

14 junho 2011 - 10h01

No dia 20 de novembro de 2005, em uma manhã de domingo, um jovem douradense teve sua trajetória interrompida de forma trágica.

Naquele domingo, Gilberto Orlando Junior trabalhava em seu lava rápido, quando pistoleiros adentraram ao local e dispararam vários tiros contra a vítima que morreu no local.

'Gilbertinho' como era conhecido, não tinha passagem pela polícia, era trabalhador, pessoa de índole boa e sua morte causou grande indignação, com os familiares e amigos revoltados com a situação, que continuam clamando por justiça.

Apesar dos insistentes apelos, aliados a dor da família que ainda chora pela morte de Gilbertinho, até o presente momento o crime não foi elucidado.

É lamentável o descaso do Estado brasileiro para com os seus cidadãos. Que paga os pesados tributos e merece respeito. As nossas autoridades são insensíveis, e que se danem as mães e demais familiares e amigos que choram pelos seus entes queridos, eliminados pelas mãos covardes e assassinas, em crimes que segundo as estatísticas mais de 90% não são elucidados.

Gilbertinho nunca mais vai abraçar o seu filho querido, nunca mais sentirá os afagos de sua mãe que continua chorando a perda do filho. E a nossa polícia o que tem feito para esclarecer o crime?

A constatação de que dos 50 mil homicídios registrados por ano nas delegacias brasileiras apenas 8% são elucidados é grave. Segundo levantamento divulgado esta semana pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), somente os assassinatos não resolvidos no ano passado chegam a quase 160 mil.

Esse quadro ajuda a explicar por que são altos os indicadores nacionais de violência. Caso, por exemplo, da taxa de mortalidade por homicídio, que beira 30 óbitos por cem mil habitantes (a Organização Mundial de Saúde considera aceitáveis relações até a faixa de 10/100 mil, e trata o problema como epidêmico nos países com taxas superiores a este patamar). A sensação de impunidade implícita no acúmulo de assassinatos sem conclusão é óbvio estímulo a assassinos.

Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul o índice de solução de homicídios não é diferente da média nacional. Os organismos policiais dispõem de um número de papiloscopistas incompatível com a demanda.

Mesmo nos estados onde os programas de segurança têm contribuído para melhorar o perfil da segurança pública, como Rio de Janeiro e São Paulo, a rubrica de assassinatos sem autores conhecidos vai mal.

No Rio, o governo criou uma Divisão de Homicídios para ajudar a esclarecer esse tipo de crime, e os números até melhoraram: antes da criação da DH, o percentual de assassinatos elucidados variava de 3% a 8%, segundo dados do Tribunal de Justiça e do MP. Hoje, os casos resolvidos chegam a 20%. Mas ainda assim a situação está longe do ideal, pois, de acordo com o CNMP, o estado registra o maior crescimento no país (de 8 mil para 60 mil) de homicídios não solucionados até dezembro.

Existem razões que explicam a tibieza policial nos processos, comum à maioria das corporações do país. Entre elas, o sucateamento das delegacias, o desaparelhamento das polícias técnicas, essenciais para a obtenção de provas, o déficit de investigadores, a burocracia e a falta de integração entre delegados, promotores e a Justiça no andamento de inquéritos.

A estas, apontam especialistas em segurança pública, se juntam questões pontuais, como alta rotatividade de policiais entre as delegacias, e de princípio, caso da opção pela investigação com base em depoimentos de testemunhas, método defasado que se baseia na confissão em lugar da busca de provas técnicas.

A demanda é preocupante, pois compromete quaisquer políticas de segurança. Não por outra razão o CNMP criou, em parceria com o Ministério da Justiça, um programa para tentar concluir até o fim do ano os quase 160 mil inquéritos abertos até dezembro do ano passado.

Não há programa de segurança pública, por melhor que seja, que sobreviva à não elucidação de crimes, com o devido encarceramento dos condenados pela Justiça.

O Gilberto Orlando Junior (Gilbertinho) era um rapaz pacato, focado no trabalho e seu maior sonho era ver o seu filho crescer. Ele foi assassinado de forma brutal e chocante, seu filho nunca mais irá vê-lo, a vida de seus pais Ivone e Gilberto Orlando nunca mais será a mesma.

Será que esta situação por si só, já não seria o bastante para sensibilizar os responsáveis pela condução dos trabalhos investigativos, em dar uma resposta a essas pessoas sofridas e a sociedade em geral?

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