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Com eletricidade não se brinca, por Dirceu Cardoso

24 Dezembro 2012 - 15h42






Os avanços tecnológicos nos tornaram dependentes da eletricidade. Primeiro vieram as lâmpadas e os motores e, nas últimas décadas, os computadores que hoje fazem parte da vida da população e controlam praticamente todo o setor produtivo. Isso sem falar do ar-condicionado, ventilador, elevador, alarme e outras facilidades hoje incorporados ao cotidiano. Vivemos numa sociedade “elétrica”. Nem a água que recebemos na torneira é capaz de chegar se não houver eletricidade para movimentar as bombas que a retiram dos poços e dos rios.


As dificuldades operacionais, agora reveladas pela grande imprensa, que os técnicos da Companhia Hidrelétrica do São Francisco tiveram no apagão de fevereiro do ano passado, deixando às escuras oito estados, mostram a necessidade de uma ampla reciclagem no setor. Além da multa – de R$ 32 milhões – aplicada à geradora, o governo tem de adotar medidas para evitar a negligência tanto na substituição de equipamentos obsoletos ou vencidos quanto no treinamento das equipes de operação. Há de se ter a certeza de que o sistema funciona plenamente e só apagará se realmente ocorrer um problema fora do previsível.


O governo, o Operador Nacional do Sistema, a geradoras e as distribuidoras têm o dever de oferecer um serviço de excelência, que dê garantias quanto ao funcionamento de tudo aquilo que depende do insumo elétrico. Não é segredo que a oferta de eletricidade foi a motriz da industrialização nacional. Sem ter construído as hidrelétricas dos anos 20, 30, 40, 50 e até 90 do século passado, o Brasil não teria conseguido instalar seu parque fabril e nem mesmo abastecer convenientemente as cidades. O sistema elétrico, privado no início e estatal durante as grandes construções, voltou a ser privatizado nos anos 90. Mas, as falhas agora descobertas, demonstram que as operadoras nem sempre fazem o melhor. É preciso exigir que cumpram à risca os cronogramas, sob pena de multa e até caducidade das concessões. O abastecimento elétrico de um país inteiro é obra de extrema responsabilidade.


Além da observância absoluta dos processos operacionais e de manutenção do parque já instalado, não pode se descuidar da instalação de novas fontes, sejam elas hidráulicas, eólicas, térmicas ou até nucleares. A hidráulica é a mais barata, mas chega um momento em que, pela escassez, o que conta não é o preço, mas a disponibilidade do insumo. Também não se pode descuidar dos programas de conservação da energia já disponível, gerando-se lâmpadas e aparelhos com mais eficiência e menor consumo e cortando todos os desperdícios. Na medida em que se torna escassa, a eletricidade passa a valer ouro.


A presidenta Dilma Rousseff, em seu discurso natalino, pediu a confiança, o apoio e o investimento do empresariado. No entanto, é importante saber que ninguém investe (e nem pode investir) sem ter a certeza de poderá operar seus negócios. Sem eletricidade. Não dá!





(*)Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br

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