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FRONTEIRA

Casa no Paraguai é construída com blocos artesanais

27 dezembro 2018 - 08h07Por Casa Vogue

Formado arquiteto em 1986, Solano Benítez sempre se interessou em explorar as possibilidades do tijolo. Não por capricho ou obsessão, e, sim, por necessidade. Se ele quisesse produzir algo relevante no Paraguai, sabia que deveria utilizar recursos acessíveis à maior parte da população. Diferentemente do Brasil, era inviável pensar numa arquitetura calcada em concreto em seu país. Simplesmente não existia indústria para alimentar a cadeia produtiva – o que foi visto como uma oportunidade de desenvolvimento do Gabinete de Arquitectura, escritório comandado por Solano.

O consistente portfólio é recheado de projetos que, um após o outro, refinaram a gramática embasada tanto no milenar bloco de argila quanto nas técnicas desenvolvidas com os operários a cada obra.

“Há uns 20 anos, meu colega Javier Corvalán já me questionava se essa linguagem não estava esgotada. Continuo achando que não, e nossos últimos trabalhos provam isso”, diz Solano, citando a estrutura de tijolo realizada para a Bienal de Veneza de 2016, que lhe rendeu um leão de ouro. A casa mostrada nestas páginas é reflexo dessa versatilidade. Erguida há mais de uma década, traz uma solução original: uma longa parede em zigue-zague define o eixo de circulação. "Quando propus pela primeira vez ao meu engenheiro fazer uma parede de 7 m de altura e 4 cm de espessura com cacos de tijolo, ele me chamou de louco, disse ser impossível. Então, mudei a abordagem."

"Falei que pretendia construir uma parede de concreto, leve, graças aos fragmentos de tijolo na composição – ele aprovou na hora!", conta, rindo. Mesmo com o aval do engenheiro, Solano sabe que de nada adianta entregar desenhos técnicos de execução na mão dos pedreiros e esperar um resultado satisfatório. "É preciso capacitá-los, trata-se de uma função social."

"Dessa forma, vamos aprimorando os processos. Hoje, essas paredes são compostas de módulos pré-fabricados, confeccionados na obra", explica ele, que costuma apresentar invenções como essa nas universidades em que dá aula, como a renomada ETH, de Zurique. “Os suíços, altamente tecnológicos, se encantaram pela solução. Nem tudo se presta a uma linha de montagem com robôs. Tento otimizar um método artesanal para que ele seja viável na escala de um projeto e gere conhecimento para os trabalhadores”, defende o paraguaio.

Vencedor de diversos prêmios internacionais, entre os quais o BSI Swiss Architectural Award 2007-2008 e o AIA Honorary Fellowship 2012, Solano segue experimentando. “Além das aplicações possíveis da estrutura curva, estamos também estudando a utilização de concreto translúcido em paredes com fragmentos de tijolo, o que traria lindos efeitos de luz, e o uso de tijolos crus, depois removidos com jatos d’água, deixando apenas as marcas no concreto”, revela ele.

Pode-se dizer, com todas as letras, que Solano Benítez é responsável por colocar o Paraguai no mapa da arquitetura contemporânea mundial, por meio de duas atitudes singelas: a correta leitura do recurso disponível e a capacitação necessária para manuseá-lo.

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