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Artigo: Vilões inanimados, por Lívio Giosa

25 maio 2011 - 12h02

Prestes a se consolidar como sétima maior economia, o Brasil também avança no voluntariado e cidadania empresarial, quesitos tão importantes para a conquista do desenvolvimento quanto o crescimento sustentado do PIB. São muitos e inequívocos os indicadores que apontam esta tendência, dentre eles pesquisa realizada em universo de 8.930 empresas, pelo Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental.

É estimulante observar que 85% das organizações entrevistadas responderam que as ações nesse campo integram sua visão estratégica. Em 82%, o que também é muito positivo, a alta direção envolve-se diretamente com os programas. O estudo demonstra, ainda, que as organizações exercitam seus projetos com foco correto, considerando as cinco principais áreas nas quais estão realizando seus investimentos no âmbito do Terceiro Setor: educação, cultura, esporte, meio ambiente e qualificação profissional. Ou seja, tudo o que o Brasil precisa para resgatar sua persistente dívida social, ter novas gerações mais saudáveis e produtivas e garantir um habitat salubre.

De fato, são desafios que transcendem ao campo governamental e exigem consistente mobilização da sociedade, mesclada com políticas públicas eficazes e multidisciplinares. Em todas as vertentes, contudo, há um item obrigatório dentre todos os que têm merecido a atenção das iniciativas e práticas sustentáveis no universo corporativo: a educação! Sem esta, jamais serão alcançadas as metas para a saúde, a cultura e o meio ambiente, pois conhecimento e consciência são os pressupostos da qualidade da vida em sua mais ampla acepção.

Nesse essencial fundamento civilizatório, contudo, o Brasil ainda está aquém do patamar desejável para um país que almeja ingressar no primeiro mundo. Precisamos encarar o problema com coragem e transparência. Não adianta criar vilões inanimados para disfarçar nossa incapacidade de agir coletivamente em prol da saúde pública e do meio ambiente. Não são os pneus que criam o mosquito Aedes aegypt e disseminam a dengue; não são as garrafas PET e as sacolas de plástico que entopem os bueiros ou, deliberadamente, atiram-se em parques e logradouros.

Ante a inconsciência de uma parcela da população, não se pode apenar toda a sociedade com as conseqüências do mau uso ou com o simples banimento de alguns produtos e itens. Até que se inventem carros e ônibus antigravitacionais ou algo futurístico mais prático, higiênico, reutilizável e seguro para transportar alimentos e compras do que as sacolas plásticas, continuaremos convivendo com estas e os pneus. O mesmo se aplica a outros “algozes” do ambiente, como os computadores, baterias e alumínio, vez ou outra eleitos como inimigo número um do meio ambiente.

A bola da vez parece ser a sacola plástica, cujo uso racional e ambientalmente correto tem sido mote de campanhas orientadoras de entidades representativas do setor. Esse é um caso emblemático relativo à premência da educação, tanto no contexto das políticas públicas, quanto nas ações de sustentabilidade das empresas e consumo responsável pelo cidadão. É exatamente o que preconiza a Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, na qual a conscientização e mobilização da sociedade são aspectos essenciais e merecedores, agora, da nossa mais completa atenção.



*Lívio Giosa é coordenador do IRES (Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental), vice-presidente da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil) e presidente do Centro Nacional de Modernização (Cenam).

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