Menu
Busca terça, 20 de novembro de 2018
(67) 9860-3221

Artigo: Vilões inanimados, por Lívio Giosa

25 maio 2011 - 12h02

Prestes a se consolidar como sétima maior economia, o Brasil também avança no voluntariado e cidadania empresarial, quesitos tão importantes para a conquista do desenvolvimento quanto o crescimento sustentado do PIB. São muitos e inequívocos os indicadores que apontam esta tendência, dentre eles pesquisa realizada em universo de 8.930 empresas, pelo Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental.

É estimulante observar que 85% das organizações entrevistadas responderam que as ações nesse campo integram sua visão estratégica. Em 82%, o que também é muito positivo, a alta direção envolve-se diretamente com os programas. O estudo demonstra, ainda, que as organizações exercitam seus projetos com foco correto, considerando as cinco principais áreas nas quais estão realizando seus investimentos no âmbito do Terceiro Setor: educação, cultura, esporte, meio ambiente e qualificação profissional. Ou seja, tudo o que o Brasil precisa para resgatar sua persistente dívida social, ter novas gerações mais saudáveis e produtivas e garantir um habitat salubre.

De fato, são desafios que transcendem ao campo governamental e exigem consistente mobilização da sociedade, mesclada com políticas públicas eficazes e multidisciplinares. Em todas as vertentes, contudo, há um item obrigatório dentre todos os que têm merecido a atenção das iniciativas e práticas sustentáveis no universo corporativo: a educação! Sem esta, jamais serão alcançadas as metas para a saúde, a cultura e o meio ambiente, pois conhecimento e consciência são os pressupostos da qualidade da vida em sua mais ampla acepção.

Nesse essencial fundamento civilizatório, contudo, o Brasil ainda está aquém do patamar desejável para um país que almeja ingressar no primeiro mundo. Precisamos encarar o problema com coragem e transparência. Não adianta criar vilões inanimados para disfarçar nossa incapacidade de agir coletivamente em prol da saúde pública e do meio ambiente. Não são os pneus que criam o mosquito Aedes aegypt e disseminam a dengue; não são as garrafas PET e as sacolas de plástico que entopem os bueiros ou, deliberadamente, atiram-se em parques e logradouros.

Ante a inconsciência de uma parcela da população, não se pode apenar toda a sociedade com as conseqüências do mau uso ou com o simples banimento de alguns produtos e itens. Até que se inventem carros e ônibus antigravitacionais ou algo futurístico mais prático, higiênico, reutilizável e seguro para transportar alimentos e compras do que as sacolas plásticas, continuaremos convivendo com estas e os pneus. O mesmo se aplica a outros “algozes” do ambiente, como os computadores, baterias e alumínio, vez ou outra eleitos como inimigo número um do meio ambiente.

A bola da vez parece ser a sacola plástica, cujo uso racional e ambientalmente correto tem sido mote de campanhas orientadoras de entidades representativas do setor. Esse é um caso emblemático relativo à premência da educação, tanto no contexto das políticas públicas, quanto nas ações de sustentabilidade das empresas e consumo responsável pelo cidadão. É exatamente o que preconiza a Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, na qual a conscientização e mobilização da sociedade são aspectos essenciais e merecedores, agora, da nossa mais completa atenção.



*Lívio Giosa é coordenador do IRES (Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental), vice-presidente da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil) e presidente do Centro Nacional de Modernização (Cenam).

Deixe seu Comentário

Leia Também

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Mulher é presa após ameaçar a mãe idosa
CORUMBÁ
PF desarticula esquema de facilitação de entrada de estrangeiros no Brasil
PONTO
Câmara de Dourados implanta biometria para registro de frequência de servidores
BRASIL
Temer pede que brasileiros reflitam sobre questão racial
PROCON
Mais de 20 empresas estarão negociando dívidas com consumidores douradenses no Centro
LADÁRIO
Irmãos são assassinados a tiros após briga entre vizinhos
MATO GROSSO DO SUL
Projeto de Lei proíbe filmar professor em sala de aula sem autorização
TV
Repórter da Globo, Fabíola Andrade nega assédio e diz que colega a procurou
ADOLESCÊNCIA MASCULINA
Por que os meninos adolescentes precisam de um especialista
DOURADOS
Homem que energizou cerca onde menor morreu é preso em flagrante por homicídio

Mais Lidas

DOURADOS
Antes de ser assassinado, homem passou por ‘tribunal do crime’
DOIS MESES DEPOIS
Acusados de matar rapaz em Dourados serão apresentados hoje
BORORÓ
Adolescente morre ao tocar em cerca elétrica em Dourados
MARCELO PILOTO
Traficante brasileiro é expulso do Paraguai após matar mulher em cela