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Artigo: Serviço Militar, inserção e cidadania, por Dirceu Cardoso

16 maio 2011 - 13h50

É preocupante a noticia de que o Exército Brasileiro só incorpora hoje a metade dos 80 mil jovens que chegou a acolher anualmente para o Serviço Militar, e que, em face ao emagrecimento dos recursos, os quartéis reduzirão o expediente das segundas-feiras para, com isso, economizar a comida da tropa. Diante da gravidade desses fatos, algo tem de ser feito muito urgentemente para garantir à força, a imprescindível execução de sua tarefa em tempos de paz, e à população, os serviços e a cidadania que a instituição é tão capaz de prestar e distribuir.

Durante décadas, as famílias brasileiras tinham o orgulho de encaminhar seus filhos ao Exército, à Marinha e à Aeronáutica, na certeza de que ali seriam forjados como verdadeiros cidadãos úteis à comunidade e à Pátria. Todos os pais e mães entendiam que os valores que a família até então não tivesse conseguido transmitir, o jovem receberia ao “servir”. É uma verdade que o tempo e o modernismo não conseguem apagar, por mais que se alterem a política e as convenções sociais.

O Brasil globalizado e emergente enfrenta uma gigantesca lacuna que se aprofunda entre as exigências atuais do mercado de trabalho e a deficiente formação dos candidatos às vagas. Governos e instituições esforçam-se para oferecer ensino à altura das necessidades. E, para espanto de todos nós, inexplicavelmente, o Exército, uma das mais tradicionais instituições nacionais com tentáculos em todos os rincões, fica fora desse esforço, mesmo reunindo o mais invejável quadro de profissionais e sistemas que poderiam ajudar na qualificação dos jovens em idade de ingressar ao mercado de trabalho.

O contingente de convocados a servir o Exército - 40 mil por ano, segundo as informações – está muito distante do número de brasileiros que completam maioridade e, segundo a legislação, deveriam passar pelos quartéis e unidades afins. Anualmente existe 1,3 milhão de jovens completando 18 anos e em condições de fazer o Serviço Militar. A esmagadora maioria deles perde essa oportunidade de treinamento, cidadania e qualidade de ensino oferecida àqueles que “servem” a uma das forças. Muitos, além de não receberem o benefício, acabam cooptados pelo crime organizado e perdem-se como cidadãos.

Está na hora de o governo, aproveitando o empuxo da economia, que a cada dia exige mais treinamento e especialização, colocar a estrutura de Exército, Marinha e Aeronáutica a serviço dessa grande tarefa. Além da instrução militar propriamente dita, os quartéis são capazes de treinar e formar motoristas, mecânicos, técnicos em logística, alfaiates, pedreiros, carpinteiros e outros profissionais existentes na caserna para que, após a desincorporação, passem a atuar na economia nacional.

Ao longo de sua história, as Forças Armadas já abriram linhas de transmissão, construíram hidrelétricas, rodovias e ferrovias e auxiliaram em muitas ações pioneiras de desenvolvimento. Não é demais pensar que essa grande escola de cidadania e de diferentes profissões pode continuar ajudando no desenvolvimento nacional. Mas, para isso, precisa de recursos e empenho governamental...




Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) aspomilpm@terra.com.br

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