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Artigo: "Democracia aparente", por Joab Cavalcante

13 junho 2011 - 07h48

Moramos em um país democrático, ao menos pelo que se diz. Através do sistema de eleições diretas podemos escolher nossos líderes: presidentes, governadores, deputados, senadores, prefeitos, vereadores, etc.

Às vezes questiono até onde vivemos realmente em estado de democracia, já que, quase sempre, os vencedores nas eleições não são os que apresentam melhores idéias e melhor preparo administrativo e sim, os que possuem maior quantidade de recursos (próprio ou de terceiros) para investir em suas campanhas. Isso ocorre com maior frequência nos cargos legislativos (vereadores e deputados), e que, com o passar do tempo, formam carreiras para os cargos executivos (prefeitos, governadores e presidentes).

Questiono a democracia, quando percebo uma grande quantidade de brasileiros trabalhadores, guerreiros, lutadores, mas com pouca ou nenhuma instrução política, sendo manipulados por tais candidatos e seus respectivos recursos.

É comum ver sempre as mesmas caras que há anos e às vezes décadas — ocupam cargos políticos, e talvez por tais razões a própria população viva tão decepcionada com seus lideres por eles mesmos escolhidos. Decepcionados por tanta corrupção em um sistema que a cada dia piora.

Trabalho em uma instituição de ensino superior, que inclusive, passa por período eleitoral. E nossa instituição tem o privilégio de, ao contrário de outras universidades, escolher por eleições diretas seu reitor e vice-reitor. Normalmente as universidades realizam suas eleições e encaminham uma lista com os melhores colocados para os governos decidirem seu gestor.

Mas, parando por aqui com os elogios, nem mesmo aqui as coisas são tão democráticas quanto parece, pois: cerca de 8000 pessoas (alunos) votam e têm representação de apenas 15% nas eleições; cerca de 300 pessoas (técnicos administrativos) votam e também representam apenas 15% na disputa, enquanto cerca de 400 pessoas (professores) pesarão 70% no pleito. Uma enorme disparidade entre as três classes votantes, onde o voto de um professor pode valer por cerca de 100 votos de alunos ou quase 4 votos de técnicos administrativos.

Seja em instância maior (governos) ou menor (instituições menores), o fato é que vivemos ainda escravizados por uma ditadura onde algumas classes sempre ditam as regras e falam mais alto que outras.

Mas isso pode mudar, quando cada cidadão entender o fundamento da democracia que é baseado no princípio da soberania popular. Quando cada cidadão buscar uma formação política crítica e aprender a fazer uso do seu direito de expressão que, diga-se de passagem, ainda temos.

Eu acredito na democracia verdadeira, almejo e luto por ela. Entre nesse time você também.

Joab Cavalcante é servidor público da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. E-mail: joabms@gmail.com

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