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ARQUITETURA&DESIGN

Escritórios do século 21 fogem completamente do modelo tradicional

19 setembro 2017 - 08h54



O bom projeto para um escritório open space não se limita à distribuição adequada das estações de trabalho e às boas propriedades ergonômicas do mobiliário. Hoje, a flexibilidade dos postos e a variação na ocupação dos espaços estabelecem demandas mais complexas e constituem aspectos decisivos do projeto.

Iluminação, soluções termoacústicas e de instalações, pisos elevados e divisórias são protagonistas nesse cenário e precisam ser compatíveis para que não haja interferência entre um e outro, explica Sergio Camargo, titular do escritório SCAA (Sergio Camargo Arquitetos Associados), que tem sólida experiência com a arquitetura corporativa. De acordo com o arquiteto, há dois tipos de escritórios open space.

O primeiro apresenta departamentos fixos e interligados numa sequência lógica, em acordo com o fluxo das tarefas. O segundo, permite que os funcionários ocupem diferentes postos de trabalho, seja porque atuam com diversas equipes ou porque preferem se sentar periodicamente em lugares distintos. Essas formatações podem estar presentes no mesmo escritório. Em ambos os modelos, a tendência é não haver salas fechadas para a diretoria.

Ar condicionado e infraestrutura

Com relação à climatização dos ambientes corporativos, é possível optar por dutos de ar condicionado aparentes ou ocultos pelo forro. A escolha leva em conta a melhor forma de distribuição do ar no espaço e o perfil da empresa. Se o projeto de distribuição de ar necessitar de muitos dutos com ramificação do tipo costela, o excesso de ramais no teto pode comprometer a estética do ambiente, e nesse caso o uso do forro é recomendado. Dutos ocultos devem ser isolados termicamente, pois há diferenças de temperatura acima e abaixo do forro. No caso de dutos aparentes essa diferença não existe, o que dispensa isolamento.

O sistema de ar condicionado pode ser do tipo central ou composto por máquinas menores, do tipo split, distribuídas pelo espaço - ambos podem ser utilizados conjuntamente a fim de atender necessidades financeiras ou técnicas. As máquinas do tipo split possibilitam controle da temperatura e do gasto energético nos ambientes.

Conforto acústico

Com 9.275 metros quadrados divididos por cinco andares, o escritório Ernest Young Auditores Independentes, em São Paulo, tem interiores assinados pelo escritório Athié Wohnrath. A acústica foi tratada pelo cliente como um investimento na produtividade dos funcionários. "Esse conceito foi aplicado a todas as áreas de colaboradores, desde espaços open-plan, escritórios fechados e salas de reuniões", detalha o arquiteto Marcos Holtz, sócio diretor da Harmonia Acústica, de São Paulo, que desenvolveu o projeto de acústica.

Entre as peculiaridades do escritório, está o "desapego", ou seja, a possibilidade de um funcionário trabalhar em qualquer mesa de qualquer andar, bastando agendar seu uso com antecedência.

Outra é o fato de o escritório ter muitas salas pequenas, nas quais seria mais difícil manter conversas confidenciais. Nesses espaços foi utilizado drywall, divisórias com vidros duplos e portas com vedação perimétrica, sempre que a confidencialidade era prioritária. Nas demais, foi adotado o padrão standard, com drywall duplo e lã mineral interna, que oferece privacidade em situações de conversas e reuniões com nível sonoro normal.

Nos open plans, o posicionamento das estações de trabalho baseou-se no estudo das distâncias entre elas para verificar a privacidade e distração resultantes. Além disso, foram especificados forros acústicos de alto desempenho.

Sistema de iluminação

A arquiteta Monica Lobo, do carioca LD Studio, explica que a prioridade da luminotécnica é privilegiar a tarefa realizada no ambiente a ser iluminado. Para isso o profissional deve conhecer as ferramentas de iluminação e os meios de oferecer qualidade e quantidade de luz sem desperdício de energia elétrica e em acordo com as normas técnicas - no caso de escritórios, são exigidos 500 lux no plano de trabalho.

Homogeneidade e controle de ofuscamento são características essenciais de qualquer projeto, mas por si só não garantem um ambiente estimulante. "O caminho mais fácil para criar uma iluminação agradável é misturar luz direta e indireta", ela destaca. É importante considerar a possibilidade de o usuário interferir na luz e também a utilização de recursos de humanização, como a dimerização ou sistemas que permitam mudanças da temperatura de cor ao longo do dia, acompanhando o ciclo circadiano (período de aproximadamente 24 horas sobre o qual se baseia o ciclo biológico dos seres vivos, influenciado pela variação de luz, temperatura, marés e ventos entre o dia e a noite).

"Existem esquadrias com aletas próprias para refletir a luz do dia para o interior, o que garante conforto e dispensa a luz artificial na maior parte do tempo. Porém, esses sistemas só funcionam em ambientes com pé-direito acima de três metros", exemplifica Monica.

Pisos elevados e divisórias

Segundo a arquiteta Renata Marques, do escritório Renata Marques Arquitetura, o piso elevado é a solução para organizar e ocultar a passagem das instalações em geral e até mesmo dutos de ar condicionado. Ele é de fácil instalação, permite acesso para a manutenção, simplifica mudanças de layout e ainda pode ser removido para reaproveitamento em outro local. Tudo isso explica porque o piso elevado é utilizado na grande maioria dos projetos de escritórios atualmente. "A exceção fica para os escritórios de pé-direito mais baixo, que não conseguem assegurar as alturas piso-teto mínimas que os códigos de obras municipais estabelecem para as áreas de permanência", explica Renata.

Os pisos elevados apresentam diferentes modulações e capacidades de carga e a escolha do tipo ideal é regida pela ABNT NBR 11802:1991 - Pisos elevados - Especificação. A arquiteta alerta que o projetista deve consultar o calculista sobre a carga na estrutura e ficar atento às interfaces do piso com caixilhos, elevadores e outros itens, a fim de evitar desníveis em discordância com as normas de segurança contra incêndio e de acessibilidade.

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