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A (necessária) faxina no governo, por Dirceu Cardoso

26 novembro 2012 - 13h53






O esquema de corrupção identificado pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, no seio das estratégicas representação paulista da Presidência da República, Advocacia Geral da União (AGU) e outros órgãos do governo, constitui uma vergonha e serve para confirmar a imagem – muitas vezes injusta – de que os escaninhos do poder são pura corrupção. Bem fez a presidente Dilma Rousseff ao demitir todos os implicados e garantir condições para a polícia continuar executando sua tarefa. É preciso, agora, que os errantes já identificados recebam a mais exemplar punição e que, mais do que isso, a investigação continue para descobrir outras pessoas (servidores ou não) e repartições envolvidas com a ação criminosa das quadrilhas que se formam para roubar o erário e criar vícios e favorecimentos ilícitos nos negócios governamentais.


A livre nomeação para cargos estratégicos no governo é justificada pela necessidade do governante ter ao seu redor pessoas de sua confiança, que o ajudem na tarefa de governar. Eticamente, quem nomeia (e pode demitir a qualquer instante) é o responsável pelos atos dos nomeados. Infelizmente, em vez de cumprir essa finalidade de fluidez na máquina pública, os cargos de confiança tornaram-se moeda de troca política. Os governantes acabam entregando-os à cuprinchada que ajudou ou ainda poderá ajudar eleitoralmente ou a quem possa lhes garantir votos no Legislativo, pouco se importando com a competência e até com a honestidade do nomeado.


A mulher que chefiava o gabinete da Presidência da República em São Paulo, alguém com acesso funcional à presidente, é acusada de praticar tráfico de influência e corrupção passiva. Seu acesso à intimidade do governo é um perigo. O mesmo se dá com número 2 da AGU e dirigentes de outras agências e ministérios igualmente envolvidos. Isso revela, no mínimo, a falta de cuidado do próprio governo no controle das pessoas que integram a própria máquina administrativa. É preciso ver se existem ou não mais servidores e órgãos na mesma situação e, se existirem, que todos eles sejam apeados dos cargos, acusados e julgados civil e criminalmente para irregularidades cometidas. Ainda mais: que fiquem impedidos de voltar ao serviço público.


A Polícia Federal presta um grande serviço à Nação ao identificar o apodrecimento de estruturas de dentro do próprio governo. Não se pode esquecer que o Ministério Público também executa grande tarefa pela moralização e, por isso, tem de ter seu poder preservado e, se possível, ampliado. Ao não colocar obstáculos às investigações, Dilma Rousseff mantém a dignidade do cargo e transmite à população a imagem de seriedade há muito tempo reclamada dos governos. Não é àtoa que sua imagem – segundo o Ibope – é mais lembrada para as próximas eleições presidenciais do que a do ex-presidente Lula, seu grande eleitor de 2010. Talvez essa realidade fosse diferente se Lula tivesse encarado com firmeza os atos de corrupção e desvios surgidos em seu governo, em vez preferir o cômodo e desenroso “não sei”...





(*)Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br

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