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DANIELA WEILER WAGNER HALL

"Legislativo e Executivo devem se respeitar", diz nova presidente da Câmara

05 Janeiro 2017 - 08h10

A entrevista desta semana do Dourados News e com a recém empossada presidente da Câmara Municipal de Dourados, Daniela Weiler Wagner Hall, 39. Ela foi eleita pelos vereadores da Casa para a gestão de dois anos como presidente em uma disputa acirrada no dia 01 de janeiro.

Daniela é graduada em Direito na Unigran (Centro Universitário da Grande Dourados) e atualmente cursa o mestrado em Políticas Públicas e Gestão Governamental pela EPD (Escola Paulista de Direito).

Ela já atuou como advogada na área civil e criminal durante 15 anos, como assessora jurídica e ainda como funcionária pública na Procuradoria Fiscal do Município, assessora de gabinete na Câmara Municipal de Dourados nos anos de 2006 e 2007 e como assessora parlamentar do deputado federal Geraldo Resende pelo período de três anos.

A atuação com foco na construção de políticas para as mulheres é citada por Daniela como prioridade na gestão.

Nesse aspecto, ela pontua que buscará ações de luta contra a violência ainda enfrentada pelo gênero e acompanhamento as mulheres que enfrentam essa situação.

Para ela, a questão de ser a única mulher entre os 19 vereadores da Casa, estará sempre em evidência, no entanto, haverá respeito diante do fato, com tranquilidade nos trabalhos.

Daniela afirma que uma equipe de transição deixada pelo ex-presidente Idenor Machado tem auxiliado nos trabalhos inicialmente, o que seguirá até ao final de janeiro. Diante disso e do acompanhamento do setor administrativo da Câmara até ao momento, ela acredita que a "Casa está em ordem".

[Ela que havia anteriormente sido apontada como apoiadora do vereador Braz Melo para a presidência da Câmara](http://www.douradosnews.com.br/noticias/politica/braz-se-reune-com-base-aliada-de-delia-e-diz-ter-apoio-necessario-para-presidir-camara) se contrapôs ao fato e afirma que sempre pertenceu ao grupo que não apoiava a prefeita.

Para ela, será possível o andamento dos trabalhos de maneira "redonda" sem problemas quanto a posicionamentos políticos.

Em relação ao convívio dos poderes Executivo e Legislativo, Daniela foi direta e disse que ambos são independentes e devem se respeitar.

Confira a entrevista na íntegra:

Dourados News- Como acredita que recebe a Casa de Leis?

Daniela Hall- Pelo que notei até o momento, a "Casa está arrumada". O Idenor Machado foi o gestor nos últimos seis anos e até ao momento com as informações que tenho noto que está tudo organizado, desde a questão de contratos até os funcionários. Nós temos a situação de um concurso em andamento que está suspenso pela Justiça e aguardamos as próximas providências judiciais para entender o que será feito. O ex-presidente deixou o almoxarifado organizado, abastecido, a questão do patrimônio toda relacionada, enfim tudo bem regular.

D.N - Quais serão suas primeiras ações frente a Câmara?

D.H- Eu tinha uma intenção enquanto vereadora mas, posso citar que meu principal norte serão políticas para mulheres. Tenho algumas ideias nesse aspecto que eu quero propor já nas primeiras sessões. Já agendei com a delegada da Delegacia da Mulher algumas ações contra a violência com a mulher. Temos a sede da Delegacia da Mulher que já está em fase de conclusão situada no jardim Água Boa, próximo ao córrego Rego D’Água que deve ser inaugurada em breve, sendo que agora já não será mais em prédios alugados com uma estrutura péssima de atendimento como era, de chegar ao ponto de a vítima ir fazer o boletim de ocorrência e ter que ficar no mesmo ambiente do seu agressor. E agora teremos uma delegacia que terá o local da vítima, o local do agressor, sendo que a vítima contará com o apoio de uma assistente social, psicóloga, ou seja, um atendimento correto. Então pretendo auxiliar muito a delegada neste sentido. Existem algumas propostas de leis que já estão em vigor em alguns municípios do país que vão auxiliar muito, pois deram certo nas cidades em que foram aplicadas, já contam com propostas a nível federal também, mas ainda está em tramitação. No entanto eu quero deixar para debater essas questões mais para frente.

D.N- Como analisa ser a única mulher no Legislativo?

D.H- Eu não acredito muito nesta questão do gênero, acho que as pessoas são competentes por serem competentes e não por ser homem ou ser mulher. Até agora eu tenho contado com o maior respeito por parte dos colegas, com um relacionamento de cordialidade com todos eles e é nesse sentido que quero seguir. Claro que o foco sempre vai estar em "a Daniela é a única mulher", mas até agora tem sido um ambiente muito bom de se trabalhar com muito respeito.

D.N- A presidente era apoiadora de Braz Melo (PSC) com que concorreu ao comando do legislativo. O que te levou a aceitar o chamado do grupo de oposição a prefeita Délia Razuk para a vaga?

D.H- Na verdade eu não era apoiadora do grupo do vereador Braz Melo, eu era do grupo em que estou desde o princípio que era o grupo que disputou uma eleição junto com o candidato a prefeito Geraldo Resende (PSDB) e que perdeu a eleição. O que houve foi que nós fizemos conversações como todos os demais colegas fizeram com o intuito de compor uma base de apoio a prefeita Délia pois todos nós pensamos no melhor para o município e houve essa conversa. Mas, a partir do momento que nós fechamos para o lado de cá em torno do meu nome e do nome dos outros integrantes da chapa eu permaneci no meu núcleo de início, ou seja, o de apoio a Geraldo Resende que não ganhou a eleição. Estamos aqui junto com o Democratas que foi aliado do Geraldo, junto com o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) que é o partido do Geraldo e nós compusemos com o grupo do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) que era do deputado Renato Câmara, o meu partido que é o PSD (Partido Social Democrático) e fizemos esse grupo de dez vereadores.

D.N- Qual sua análise sobre a apertada disputa pela qual passou -a diferença foi de apenas um voto-?

D.H- A disputa foi acirrada, até porquê ela (Délia Razuk) tem a base dela, tem a prefeitura e com isso foi "apertada". Em alguns momentos houveram algumas manifestações mas acho que isso faz parte da democracia. Sabíamos que a diferença seria de um voto, mas o nosso grupo estava unido desde o início, com muita firmeza e em nenhum momento ninguém do grupo titubeou em agir como foi. Agora, todos escutaram que até nossa intenção não é fazer oposição a ela e sim de a ajudar a construir uma administração que vai melhorar a cara da nossa cidade. Em nenhum momento nenhum de nossos vereadores fizeram algum tipo de oposição.

D.N- Acredita que haverá alguma dificuldade no trabalho por conta de questões políticas?

D.H- Acho que vai depender muito mais da prefeita do que da Câmara. O legislativo está aberto ao diálogo e isso é uma coisa que a gente sempre falou entre os dez, a independência dos poderes, a dona Délia tem que nos respeitar como poder Legislativo, assim como nós temos que respeitar ela como poder Executivo.

D.N- Como vê a questão das vaias recebidas durante a sessão de posse?

D.H- Na verdade eles quiseram denegrir a minha imagem, de forma a vincular a mesma ao meu marido, só que eu tomei isso com a maior naturalidade, pois eu nunca escondi que sou casada com o Marcelão [Marcelo Hall, cassado após envolvimento na Operação Uragano]. Esse fato eu não escondi nem durante a minha campanha eleitoral e não vai ser agora que eu vou esconder. Houve um grupo político que se sentiu perdendo naquele momento e que tentou me desqualificar de alguma forma por eu ser casada com o Marcelo. Mas, eu fico muito triste com isso, pois, era um momento em que todos nós estávamos comemorando a posse e ao meu ver ficou feio para aqueles manifestantes. Mas, acho que faz parte do jogo, quem está na vida pública está sujeito a receber este tipo de crítica, nem Jesus Cristo agradou a todos, não vai ser a Daniela que vai agradar a todos, então temos que ter a maturidade de saber que temos que estar sujeito a qualquer tipo de crítica.

Ela cita acreditar em união entre o grupo para trabalho

D.N- Sobre sua equipe a frente da Casa de Leis, como acredita que devem trabalhar?

D.H- Acredito que tudo vai transcorrer na maior normalidade nós estamos agora numa fase de transição, com uma equipe deixada pelo ex-presidente para esse trabalho que vai permanecer comigo no mês de janeiro, até que os nossos colegas estejam aptos aos trâmites de funcionamento da Câmara e está sendo com tranquilidade.

D.N - No ano de 2016, o Legislativo acabou por "encerrar os trabalhos" sem retomar a votação do projeto de lei polêmico que autoriza o município a firmar um contrato de 30 anos com a Sanesul para prestação de serviços de saneamento básico. Há previsão do projeto retornar a pauta?

D.H- Nesta segunda-feira (02), eu recebi um ofício do Executivo, com a solicitação da retirada deste projeto de pauta. Como foi um projeto de iniciativa do Executivo, o mesmo tem a prerrogativa de pedir essa retirada também. Não foi só deste projeto mas de vários outros que aconteceu o pedido da retirada, então se houver qualquer nova discussão do assunto, terá que ser dentro de uma nova proposta.

D.N Foi pontuado algum motivo para a retirada?

D.H- Não. Apenas um ofício com a solicitação da retirada de vários projetos e este documento eu já despachei para a secretaria.

D.N- Outros projetos que acabaram não sendo votados na Casa de Leis, são os n° 157/2016(036) e 158/2016 (037) que visam a autorização ao Poder Executivo a dar em pagamento a terrenos de sua posse em troca de terrenos de propriedade privada no entorno da Usina Velha para a construção de um parque ambiental. Como fica essa questão?

D.H- Estes projetos também estão no ofício para a retirada de pauta, documento que foi encaminhado para a secretaria.

D.N- Existem outros projetos para serem colocados em pauta neste início dos trabalhos que tenham relevância a sequência de trabalhos no Executivo?

D.H- Não que eu tenha tomado ciência ainda. Ainda não tive tempo de ter conhecimento destes projetos em andamento.

D.N- Para encerrar, quais acredita que serão seus maiores desafios nesses dois anos como presidente?

D.H- O desafio é manter a tranquilidade no trabalho que o presidente Idenor conseguiu manter nesses seis anos. Neste primeiro momento, com esse embate com a eleição da Câmara, é tentar voltar ao ambiente de tranquilidade. Acredito que até ao final de janeiro já vamos ter superado essa situação que por mim já foi superada. Hoje eu sou a presidente dos 19 vereadores, não existe mais a situação de chapa 1 e chapa 2 e hoje somos um conjunto.



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