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SEMANA NACIONAL ANTIDROGAS

“Vivia para as drogas e cheguei a furtar", diz jovem que usou entorpecentes por anos

27 junho 2015 - 10h16

Na Semana Nacional Antidrogas o Dourados News aborda o tema com pessoas que já vivenciaram experiências de vício com entorpecentes e mostra também como é a assistência recebida para os dependentes químicos no município. Nossa reportagem conversou com duas pessoas que terão a identidade preservada que contaram experiencias terríveis a qual passaram durante o período em que viveram sob influência de narcóticos.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema enfrentado na guerra contra as drogas, um estudo divulgado a nível mundial pela ONU (Organizações das Nações Unidas) de 2014, mostra que aproximadamente 5% da população do planeta entre 15 e 64 anos usa drogas ilícitas. O número equivale a 243 milhões de pessoas.

Apesar da quantidade internacional, em Dourados não existe uma pesquisa que aponte a porcentagem de dependentes químicos, mas, de acordo com o Comad (Conselho Municipal Antidrogas) esse índice visto a grosso modo parece não destoar das cidades do mesmo porte populacional.

“Não é pouco, é preocupante, porém não temos dados concretos. É o equivalente a qualquer cidade do mesmo porte, não destoa muito, mas co o menor agravante de não existir pontos fixos ou específicos, como as cracolândias. Corumbá e Ponta Porã, por exemplo, já possuem, pois estão em áreas de fronteira”, contou o conselheiro Conrado Neves Sather.

É considerada droga toda substância natural ou sintética que afeta os processos da mente ou do corpo quando introduzidas no organismo. Essas substâncias podem levar a dependência e fazer com que as pessoas não consigam estabelecer boas relações no meio em que vivem e cheguem até a cometer crimes para comprar mais entorpecentes.

Esses fatores fizeram parte da realidade da vida de Paulo*, 39, durante 25 anos. Ele conta que começou a entrar no vício das drogas aos 13 anos por uma certa curiosidade e para se “sentir parte da turma” que convivia.

“Eu fazia parte de uma banda e em busca de me enturmar com os mais velhos que já eram usuários, comecei a cheirar cocaína e segui com outras drogas depois, como álcool e ácido lisérgico”, conta.

Paulo conta que com o tempo já não conseguia ficar sem os entorpecentes e deixava qualquer compromisso, seja ele pessoal ou familiar em troca do vício. Assim, com a necessidade de comprar drogas para uso, acabou por cometer furtos na casa de familiares e até o carro de um desconhecido.

“Eu não pensava em mais nada, minha família e meus filhos me abandonaram pois, eu não me dedicava a eles, respondi a processo pelo crime que cometi e foi então que vi que precisava de ajuda”, destaca.

Ele conta que buscou o tratamento em uma clínica em Campo Grande e há pouco mais de cinco meses não faz uso de nenhum tipo de entorpecente.

Para Paulo a jornada tem sido difícil, mas com outros objetivos para quando se sentir preparado para retomar a vida fora do local, o homem afirma que pretende se manter “limpo” e espera um futuro bem melhor e que pretende também ajudar quem passa pelo mesmo que ele viveu.

“Foi muito difícil no começo e para quem é adicto cada dia é uma nova luta. Tive crises de abstinência e a droga que mais senti falta foi o álcool. Hoje me sinto bem melhor e tenho planos de me especializar na Febract (Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas) para depois trabalhar com quem precisa da mesma ajuda que precisei, sei que assim buscarei o meu melhor a cada dia também”, pontuou.

Há oito anos livre das drogas, Márcio*, 30, conta que desde o início de sua adolescência - não se lembra em exato com qual idade - começou o uso de drogas como cocaína, maconha, pasta base, crack e ácido lisérgico. Alguns fatores emocionais o levaram a buscar um certo conforto nos entorpecentes e com o passar dos anos a dependência tornou sua vida o que ele denomina como um “inferno”.

“Sofri com ausência paterna e com abusos na infância. Eu vivia sob o efeito das substâncias e criava personagens para as pessoas ao meu redor. A obsessão pelo uso era maior do que qualquer projeto de vida. Era como pedir um ataque no meu próprio coração, vendo minha vida se despedaçar e não ter força nenhuma para reverter a situação. Hoje a única coisa que não quero é voltar para o inferno que vivia com as drogas”, conta.

Márcio começou a ter problemas de saúde quando tentou parar com o uso de drogas por conta própria e foi onde percebeu que necessitava de um tratamento especializado e assim o buscou. Com isso, a luta para deixar o vício não foi fácil conforme ele, porém, se baseou em pessoas que conseguiam e assim também foi capaz. Atualmente ele mudou completamente de vida e é diretor geral de três clínicas para tratamento de dependentes químicos em Mato Grosso do Sul.

“O início foi doloroso, ao tentar parar por conta passei por convulsões e parada cardiorrespiratória, depois veio febre alta, pensamento em desistir do tratamento, mas lembrava da miséria em que vivia e tudo que perdi pelo uso das drogas, o tempo foi passando e comecei a sentir esperança, a ver que funcionava para as outras pessoas e que poderia funcionar para mim também. Após um tratamento em uma clínica terapêutica por nove meses, fui para uma sala de narcóticos anônimos e a partir disso aconteceu o milagre que salvou minha vida. Coloco minha recuperação em primeiro lugar, vivo um dia de cada vez apreciando a vida sem drogas”, pontua.

O problema dos dois personagens dessa matéria refletem a realidade vivida por jovens do município. Sem uma política específica para tratamento e auxílio, eles dependem das clínicas terapêuticas muitas vezes sustentadas por entidades religiosas.

“O conselho não tem poder executivo, ele auxilia e orienta através de políticas públicas. Atualmente estamos nos organizando para ajudar as nove unidades terapêuticas da cidade que vivem de forma heróica, muitas vezes apenas da fé religiosa já que não possuem qualquer financiamento”, informou Conrado Neves Sather.

Segundo ele, o atendimento é deficitário, porém, pode ser melhorado em alguns anos, caso projeto para a construção de um novo Caps (Centro de Apoio Psicossocial) seja concluído. "O atendimento do poder público é deficitário, não tem estrutura e nem dinheiro. A alternativa pode ser mudada com a implantação de um Caps 24h, que estaria em fase de licitação", contou.

Secretaria de Assistência Social

O Dourados News entrou em contato com a secretaria de Assistência Social, Ledi Ferla, para saber sobre como as ações ocorrem na prática na cidade.

Ela falou sobre alguns projetos que o município realiza por meio do Cras (Centro de Referência de Assistência Social), Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e Centro Pop (Centro de Referência Especializado à População em Situação de Rua) de prevenção às drogas e encaminhamento dos dependentes químicos.

“Temos um grupo significativo de pessoas que trabalhamos dentro desta temática. Nos dois primeiros centros focamos a prevenção com palestras e oficinas para os participantes e para os familiares, já no centro Pop, muitos que nos procuram é por já terem problemas com a dependência e assim, nós os encaminhamos para a secretaria de saúde para que sejam atendidos devidamente”, destacou.






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