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UFGD forma hoje 56 assentados que cursaram Ciências Sociais

13 Dezembro 2012 - 08h53

Após quatro anos superando obstáculos, 56 assentados vão colar grau como educadores e educadoras em Ciências Sociais pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). A solenidade de formatura será às 19 horas, desta quinta-feira, dia 13 de dezembro, no auditório central da Unidade II da UFGD (Cidade Universitária).

Esses formandos eram pessoas que sonhavam em fazer uma faculdade e utilizar seus conhecimentos para buscar melhorias para o assentamento. Mas, devido a várias dificuldades, muitos não vislumbravam a possibilidade de fazer o Ensino Superior.

Através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a UFGD pode oferecer um curso de graduação especialmente para este público. Todo o curso foi moldado para atender as necessidades de quem vive em um assentamento. A forma de seleção, a estrutura curricular, as formas de avaliação foram discutidas junto com movimentos e organizações ligadas aos assentamentos. Assim, se criaram 60 vagas para moradores de assentamentos e seus filhos cursarem Licenciatura em Ciências Sociais, em regime de alternância.

Enquanto a maioria dos cursos da UFGD acontece ao longo de oito meses no ano, as atividades do Pronera eram divididas em duas etapas de 30 dias. Durante os módulos presenciais, os estudantes assistiam aulas em tempo integral. Quando voltavam para o assentamento, os estudos continuavam, pois tinham que realizar projetos com a comunidade e escrever relatórios de avaliação.

Na avaliação dos professores, mesmo em sendo um curso diferenciado, em que o período de aulas é mais “curto”, a formação não deixou nada a desejar. “A grande maioria dos professores avalia que esses formandos tiveram uma participação e um aproveitamento dos conteúdos muito acima da média”, assinala a coordenadora do PRONERA/UFGD, a professora Alzira Menegat.

A professora destaca que a qualidade dos trabalhos produzidos e a garra nos estudos são fatores que destacam essa turma de formandos da UFGD. “Essa turma é especial, não só pelo número de formandos, mas pelas características dos alunos: muito comprometidos com os trabalhos, fazendo leituras, participando em sala, responsáveis por dar retorno para suas comunidades”, elogia Alzira.

“Só pelo fato de serem 56 formandos em uma turma em que entraram 60, nós já poderíamos comemorar a baixíssima evasão. E olha que para não desistir do curso, eles tiveram que lutar muito. A cada módulo eles passavam 30 dias fora de casa”, enfatiza Alzira.

###Passado e Futuro
Os estudantes do PRONERA têm histórias de vida emocionantes, mostrando a vontade de superar os obstáculos. Muitos tiveram que juntar economias para poder fazer sua inscrição e prestar o vestibular.

O curso era todo gratuito, até o transporte do assentamento para a UFGD era oferecido. Mas, durante os módulos de aula, todos ficavam em Dourados, passando mais de um mês longe da família. Muitas mulheres deixaram filhos pequenos aos cuidados da família. Muitos homens deixavam a esposa dando conta da casa, dos filhos e propriedade.

Por isso, a turma do PRONERA dedica cada diploma para as famílias e comunidades dos assentamentos, pois cada homem e mulher que esteve em sala de aula precisou contar com apoio da comunidade para chegar até o fim.

O resultado já está aparecendo: no começo do curso, dos 60 estudantes apenas cinco já trabalhavam como educadores do campo. Neste último ano de faculdade, eram 12 professores em sala de aula. Após a formatura, a tendência é que muitos outros comecem a lecionar.

E como educadores do campo, eles têm uma ampla gama de possibilidades além da sala de aula. Com a Licenciatura em Ciências Sociais, eles podem trabalhar com projetos de educação popular junto a cooperativas, escolas, ONGs e movimentos sociais.

Outro resultado positivo é que pelo menos oito formandos já pediram o certificado de conclusão de curso, pois foram selecionados e chamados a se matricular em cursos de pós-graduação em instituições federais. Mostra de que o PRONERA/UFGD foi apenas o primeiro passo para novas possibilidades.

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