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ARTIGO

Transtorno ou rebeldia?

22 outubro 2019 - 07h30Por Denise Caramori

TOD ou Transtorno opositivo desafiador é um tipo de Transtorno de conduta que acomete crianças e adolescentes. Suas características principais são: comportamento desafiador, desobediente ou perturbador, e humor irritável que torna-se muito visível na idade escolar, causando muitas intercorrências na escola e dificuldades no relacionamento aluno-professor. Esta dentro dos chamados transtornos de comportamento desruptivos, que significa comportamento que faz mal, tanto para a criança quanto para quem convive com ela, e atinge uma média de 10% das crianças no Brasil, segundo os estudos do site neurosaber.com.br.

Temos que diferenciar este transtorno das birras. Primeiro, a birra é um comportamento imaturo da criança por falta de recursos e formas de se expressar e se comunicar, e ocorre entre 1 à 4 anos de idade, sendo um processo temporário, com tendência à desaparecer, principalmente quando os pais passam a não ligar mais para estas atitudes da criança, fazendo com que ela perceba que este tipo de comportamento não funciona para chamar atenção e nem para conseguir o que quer. Nem toda criança vai fazer birra, nem toda criança é birrenta. Tem muitos adultos que não toleram choro e por isso fazem tudo o que a criança quer. Ao contrário, no Transtorno Opositivo Desafiador, essas crianças são altamente irritadas, com reações extremamente exacerbadas. 

O TOD tem cinco características marcantes: 1. Transgressão, é uma criança que não segue regras; 2. Oposição, uma criança com tendência a ser do contra, contra a família, contra os irmãos, contra o grupo, e toma decisões apenas para contrariar os outros. Como o indivíduo opositor não sabe argumentar, ele age de maneira agressiva, mesmo que os resultados sejam ruins para ele. 3. Desafiadora, discutem de forma exagerada, questionam tudo, fica a todo momento colocando a sua opinião acima das dos demais; 4. Descontrole, fala com os outros com a intenção de impor tudo o que quer e na hora que quer, não se preocupando se o outro vai ficar chateado, ou magoado, simplesmente faz e age assim; 5. Irresponsabilidade, frente as situações e as suas atitudes, a criança comete erros, chateia, magoa e não assume as responsabilidades por seus atos, ela continua mantendo a idéia de que tem razão e que o outro é que está errado. Estas crianças tem tendência a resolver tudo de forma agressiva, mudando subitamente de humor, reagindo mal à discussões, criando confusão na escola e no ambiente familiar.

É possível diagnosticar o TOD à partir dos 6/7 anos de idade até a pré adolescência. Porém os sintomas já podem ser visíveis à partir dos 4 anos de idade. O Neurologista ou Psiquiatra Infantil, são os profissionais indicados e preparados para perceber os sintomas e fechar o diagnóstico, realizando um trabalho multidisciplinar na intervenção, contando com a ajuda de Psicólogos e Psicopedagogas. Crianças com TDAH, com Transtorno Bipolar, e até crianças com sinais do transtorno do espectro autista, tem mais possibilidades de ter associado o transtorno opositor, porque muitas vezes ele é o lado mais visível do comportamento da criança. 

O tratamento muitas vezes é medicamentoso, com a intenção de diminuir a irritabilidade e a ansiedade da criança, reduzindo a raiva excessiva e a agressividade, junto a psicoterapia, que vai ajudar a criança a observar e a melhorar suas condutas de comportamento, sempre com a ajuda da família e da escola, que poderá estar atenta utilizando estratégias para mediar a relação entre os professores e este aluno.  

Como fica a mãe de uma criança com TOD? Quem olha o comportamento da criança geralmente coloca a culpa na maneira como a criança está sendo educada, as mães por conseguinte sofrem de sintomas depressão, sensação de culpa por achar que foi insuficiente ou uma mãe ruim e incompetente, mas os estudos mostram que o TOD tem relação hormonal, testosterona em excesso, e fatores eletroencefalográficos desregulares na criança, existindo uma explicação biológica e genética. A criança opositora não é assim porque a mãe é ruim.

É preciso diagnosticar corretamente se o seu filho de fato tem um Transtorno ou não está sendo educado à contento e atendido nas suas necessidade emocionais, porque é muito perigoso criar um rótulo para a criança sem antes observar o papel de mãe/pai e educador. Havendo suspeita, leve a criança a um profissional para que ela possa ser diagnosticada e obtenha tratamento, reduzindo sofrimentos e ajudando-a num melhor bem estar social.

*Psicopedagoga/Terapeuta - Equoterapeuta/Equitadora - denicaramori@hotmail.com

 

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