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DOURADOS

Sobrevivente de chacina do Porto Cambira diz que "só pensa em descansar" após condenação de indígenas

11 junho 2019 - 11h56Por Vinicios Araújo e Osvaldo Duarte

Emerson José Gadani, policial civil aposentado após ter sido vítima de atentado que resultou na morte dos agentes Ronilson Magalhães Bartie e Rodrigo Lorenzatto, em 2006 no Porto Cambira, disse ao Dourados News que agora espera poder descansar. 

Os indígenas acusados na chacina foram julgados e condenados na semana passada a penas que, se somadas, acumulam mais de 100 anos. 

“Quero descansar e ter a alegria de dizer que o meu País está mudando. Eu sempre soube que não iria errar os dizeres da bandeira. É ordem e progresso. Hoje eu consigo respirar e jamais esquecerei dos meus amigos, dos nossos bons momentos em plantões, as alegrias e até o nosso momento de dor. Isso não vai ser apagado da minha mente. Deus tem um propósito pra mim, e eu estou inteiramente a disposição dele”, disse. 

Gadani ocupava o cargo na corporação há três meses quando sofreu o atentado. Na semana passada ele esteve em São Paulo testemunhando ao tribunal do júri e, conforme já noticiado pelo Dourados News, enfrentou dificuldades para relatar os fatos ocorridos. 

“Demorou para cair a ficha, foi difícil falar sobre o dia lá. Mas agora a Justiça prevaleceu”, disse. Após o fato, Gadani foi afastado da corporação por prejuízos emocionais e psicológicos provocados pelo trauma da chacina.

O delegado regional da Polícia Civil, Lupércio Degeroni, contou à reportagem que a sentença é uma resposta satisfatória à corporação. Ele destaca que desde o ocorrido, o sentimento entre os colegas de farda era de muita indignação e de receio no trato de ocorrência envolvendo indígenas. 

Degeroni ressaltou que não se trata de indígenas, e sim de criminosos. Na análise dele, o grupo de assassinos manchou a imagem de uma população honesta e trabalhadora. 

Para o advogado que cuidou do caso ao longo desses anos, Maurício Rasslam, a sociedade e suas organizações precisam tomar medidas imediatas para encerrar um ciclo de mortes e violência decorrente às causas indígenas. 

“Dourados não aguenta mais, o Mato Grosso do Sul não aguenta mais. Basta! A sociedade precisa tomar uma atitude e por fim a tudo isso. Não dá para esperar o Estado ou a União fazer algo. A gente não aguenta mais tanta violência contra pessoas, seja ela indígena ou não”, disse. 

Rasslam comentou também o fato de não ter sido intimado. Segundo ele, ao descobrir a audiência, realizada no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) em São Paulo, solicitou via vídeo-conferência medida de ordem e explicou à juíza o fato. 

Ela solicitou um acordo, ao qual aguardaria a chegada dele a São Paulo para impedir que o processo fosse interrompido. A medida foi aceita, logo sob a justificativa dos gastos realizados pela união para andamento do processo. 

“Hoje precisamos nos posicionar. Se não houver mudança mais mortes vão acontecer”, disse.

O JULGAMENTO

Os indígenas Paulino Lopes, Jair Aquino Fernandes, Ezequiel Valensuela e Lindomar Brites de Oliveira foram condenados a prisão em regime semiaberto pela morte dos policiais civis Ronilson Magalhães Bartie, Rodrigo Lorenzatto e a tentativa de homicídio a Emerson Gadani, no ataque conhecido como “Chacina de Porto Cambira”, registrado em Dourados em 2006.

O quinto réu, Carlito de Oliveira, apontado como líder do bando, foi absolvido pelo tribunal do júri. A justificativa para a absolvição é particular do júri, mas na análise do advogado de acusação, o tribunal se apoiou na idade já avançada do réu e também o estado de saúde já debilitado. 

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