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ROSEMEIRE PEREIRA SOUZA MARTINS

Psicóloga fala sobre ansiedade e depressão

20 Setembro 2017 - 06h25

O ‘Setembro Amarelo’ é considerado o mês de prevenção ao suicídio, bem como ansiedade, depressão entre outros transtornos.

A ansiedade e depressão atinge hoje todas as idades da sociedade, porém é nos jovens que se concentra o maior índice, visto que muitos acabam se isolando e tentando viver uma vida nas redes sociais, que não condiz com a realidade.

O Dourados News conversou com a professora universitária e psicóloga Rosemeire Pereira da Souza Martins, de 47 anos.

Ela trabalha no Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran) e atende no Pró-Vida (Centro de Promoção da Vida e da Família), da Igreja Católica, em Dourados.

Rosimeire é formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), no centro de estudo de Corumbá, hoje Centro Universitário do Pantanal.

Confira a entrevista na Íntegra

Dourados News – O que é ansiedade?

Rosimeire Martins Pereira da Souza Martins - A ansiedade todos nós temos, e ela é até necessária para termos uma ação. Existe a ansiedade positiva, quando estamos esperando alguma coisa boa acontecer, e às vezes, até ficamos sem dormir, tem taquicardia, a respiração fica mais ofegante. E quando algo ruim também está para acontecer, são os mesmos sintomas. A ansiedade é frente uma situação irreal, porque o grande problema da ansiedade é quando eu começo a criar muitas expectativas e então eu imagino que tudo pode dar errado.

D.N. – O que leva à ansiedade?

R.M. - O que leva à ansiedade é criar expectativas acerca das situações que estão para acontecer, a imaginação de possíveis erros, possíveis problemas. Isso acaba fazendo com que a pessoa fique sem dormir, sem comer, ou então ela passa a comer de forma excessiva, ela também começa a roer unha entre outros sintomas, como ainda o medo do que as pessoas estão falando ou pensando.

D.N – Na era que estamos vivendo da tecnologia, isso gera também ansiedade?

R.M.- Sim, pois hoje as pessoas querem 100 curtidas numa foto, mas não é 100 curtidas em um dia, é 100 curtidas no primeiro minuto. A gente não vive mais a própria vida, vivemos em função da vida do outro, estamos nos tornando solitários, entediados da vida.

D.N. – Como as pessoas que estão em volta podem lidar com pessoas ansiosas?

R.M. - Assim que perceber que a pessoa está ansiosa, com crise de ansiedade, a medida a ser tomada é tentar acalmar, mas não no sentido, ‘você precisa ficar calma’, mas dizer que está ali para escutar, para ajudar, auxiliar com exercícios de respiração, de modo que a pessoa puxe o ar e o solte bem lentamente. É importante orientar a família para que não ignore, pois durante a crise de ansiedade, é possível ter um mal súbito.

D.N. – O que é depressão?

R.M - *A depressão é uma morte em vida, a pessoa vai perdendo o prazer em um aniversário, nas coisas que fazia antes e isso acaba sendo muito doloroso, pois não é possível identificar a dor. A gente às vezes imagina que depressão é só a pessoa ficar no quarto chorando, que não conversa, mas não é assim. Algumas pessoas começam a dizer que não tem mais vontade de sair, em muitos casos tem sim crises de choro, oscilação de humor, muito mal-humoradas.

D.N. – Nós sabemos que a depressão pode levar ao suicídio, assim sendo, como o assunto precisa ser abordado?

R.M - Primeiro é necessário dizer para a pessoa que ela precisa falar, pois essa ideia de morte passa pela cabeça da pessoa depressiva, mas também passa pela cabeça de uma pessoa que não é, mas que num momento de dor intensiva, ela vê como única solução a morte. A pessoa que tem depressão e que diz que vai se matar, na verdade, quer a morte do problema, quer que a dor acabe, e não realmente morrer.

D.N - A pessoa diagnosticada com depressão, o que deve fazer?

R.M - Primeiro passo é aceitar que está doente, que precisa de tratamento, a partir disso, procurar um profissional, estar sempre aberto a escutar, dar espaço para que a pessoa fale.

D.N – O que auxilia na prevenção da ansiedade e da depressão?

R.M - Falar! Hoje por conta do setembro amarelo está havendo uma abertura maior, por parte das escolas, mas também das igrejas que perceberam que isso é um problema que afeta até religiosos, até aquelas pessoas que estão mais próximas de Deus, e isso não significa que elas não têm Deus, mas o desejo de se encontrar com Ele e se livrar do problema, leva ao suicídio. Então a melhor forma de prevenção é conversar, é perguntar ao filho como foi o dia dele, o respeito para com o próximo.






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