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EDUCAÇÃO

“Precisamos ser adaptáveis e aprender a aprender”, diz consultor

27 Outubro 2017 - 08h36Por Da Redação

Pela segunda vez em Dourados, o consultor executivo e escritor José Davi Furlan, durante palestra na Unigran, tratou sobre um dos termos mais comentados atualmente no cenário corporativo, a chamada ‘inovação disruptiva’, que essencialmente aborda a necessidade e a importância de estarmos de braços abertos para a inovação. O evento fez parte do XII Encontro de Iniciação Científica, IX Salão de Pesquisa Docente e VII Mostra de Pós-Graduação.

Pode soar contraditório, mas o palestrante exemplifica que fazer tudo da forma correta por muito tempo, também pode gerar resultados negativos. Tal paradigma ocorreu com uma das gigantes da tecnologia, a finlandesa Nokia, que em um passado não muito distante liderou por anos o mercado de celulares, contudo, “perdeu o bonde” na era do smartphone ao insistir na “velha opinião formada sobre tudo” e quando acordou para a realidade já era tarde demais. 

Posteriormente foi incorporada à Microsoft, que após se apropriar de suas tecnologias e experiências repassou-a para a Foxconn. Assim, atualmente a Nokia é uma espécie de empresa “vassala” que passa de mão em mão e ainda sobrevive se valendo da expertise que restou. Outras empresas conhecidas que incorreram no mesmo erro foram Motorola, Kodak, BlackBerry, entre outras.

Ainda utilizando os smartphones como exímios exemplos do impacto da ‘inovação disruptiva’, Furlan lembra que há 10 anos não se possuía esse tempo de equipamento, que há época não passava de uma ousada aposta da Apple que acabara de lançar o primeiro iPhone. Contudo, a inovação veio, ficou e causou uma mudança abrupta não só entre as empresas de tecnologia, como na vida das pessoas, já que o aparelho incorpora cada dia mais funções e, naturalmente, substitui e até extermina outros dispositivos ao agregar suas funcionalidades, tornando-se item praticamente indispensável ao homem moderno globalizado.

Ao falarmos da etimologia do termo ‘disruptivo’, o mesmo é utilizado para ilustrar esse conceito dada a violência das mudanças promovidas, que são abruptas e radicais e não lentas e graduais como no passado, ou seja, promovem uma modificação de elevada magnitude nos padrões estabelecidos até então. Assim, a ‘disrupção’ é a interrupção do curso natural de um processo, algo como um verdadeiro “cataclismo tecnológico/conceitual” que em período relativamente curto altera completamente todo o habitat e impõe uma nova maneira de viver, cabendo aos impactados apenas duas alternativas, a adaptação ou a extinção.
Previsões

Durante a palestra, o teórico usou muitas analogias e metáforas para elucidar e internalizar o conceito, ao proferir frases de impacto, como: “Precisamos fazer parte do futuro que se abre e não do passado que se fecha”. O ensinamento antecedeu uma série de previsões, como a da necessidade latente de nos reinventarmos constantemente e utilizarmos nossas habilidades em nosso favor, tendo em vista que a tendência inevitável do emprego formal se tornar cada dia mais escasso (consequência da crescente automação de diversos processos, seja na indústria ou na prestação de serviços). Desta forma, a possibilidade de aposentadoria também começa a sumir no horizonte do trabalhador, já que nos moldes atuais ela é economicamente impraticável a medida que a expectativa de vida cresce juntamente com a percentagem de idosos na população.

Ainda sobre as previsões que a princípio parecem catastróficas, Furlan já abordou o assunto em várias de suas obras e afirmou que aquele que conceitua o futuro precisa arcar com os ônus. Ele relata que em uma obra do início dos anos 90 falou sobre o fim da máquina de escrever, do surgimento do home office (trabalha em casa), do advento de complexos aparelhos de comunicação portáteis (que mais tarde se materializam na forma do smartphone), entre outros, contudo, foi naturalmente bombardeado pela crítica conservadora que o chamava, na melhor das hipóteses, de “maluco”.

Mas segundo ele, um alento para os pensadores contemporâneos é que hoje eles podem ser reconhecidos em vida, dada a velocidade de transformação dos tempos atuais, ou seja, da ‘inovação disruptiva’. No passado, grandes personalidades que mudaram o rumo da humanidade passaram a vida incompreendidas e somente foram reconhecidas séculos depois, como Galileu Galilei, Leonardo da Vinci, Nicolau Copértino e muitos outros.

Sobre a negação que naturalmente temos as mudanças, Furlan explica que é algo instintivo, desenvolvido no ser humano ao longo de milênios de evolução e que tem por objetivo garantir a sobrevivência.

Entretanto, a resistência ao novo e a acomodação que eram vitais quando éramos selvagens vivendo na savana, hoje podem nos levar à destruição, por isso é fundamental forçarmos o rompimento deste impulso. “Hoje precisamos urgentemente aprender a aprender, de forma constante, perene. Também é necessário compreender que o futuro não é repleto de problemas ou obstáculos, mas sim de oportunidades”, complementou.

Furlan é formado em matemática pela PUC-SP e mestrado em Administração de Empresas. É vice-presidente da ABPMP Brasil, uma associação internacional de profissionais de BPM (Business Process Management), além disso, é consultor executivo, escritor e instrutor especializado em gerenciamento de processos e negócios.

 

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