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AYDÊ PIRATININGA

Para fidelizar clientes, comerciantes dos bairros apostam em atendimento diferenciado do Centro

A recepção é a peça chave para quem pretende investir fora do comércio central

09 setembro 2019 - 08h13Por Vinicios Araújo

O comércio central de Dourados é efervescente. Diariamente milhares de pessoas transitam pelas calçadas das principais avenidas da região, entram em lojas, consomem e garantem um giro econômico extremamente relevante para o desenvolvimento do Município. 

No entanto, apesar desse fluxo todo não ser uma realidade no comércio dos bairros, os empreendedores da periferia sabem bem o segredo para fidelização da clientela: o atendimento. 

O Dourados News noticia neste mês uma série de reportagens abordando o desenvolvimento comercial das regiões afastadas do centrão. Nesta segunda-feira (9/09) mostramos a realidade do Aydê Piratininga, área norte de Dourados.

Na rua Dom João VI, o comércio tímido se distribui entre residências e revela uma realidade contrastada à crise econômica enfrentada pela maioria dos brasileiros. Isso porque apesar da recessão, vários estabelecimentos estão investindo na ampliação ou adequação estrutural dos prédios.

Um deles é o supermercado do empresário Sérgio Trindade Viscardi, 40. Há 10 anos no local, ele afirma que esta é a primeira reforma. Para Sérgio, o desafio superado ao longo desses anos foi a competição com as grandes redes supermercadistas de Dourados. 

“Apesar disso, o comércio aqui no bairro conseguiu construir uma vida própria, ser independente. A vantagens de empreender no bairro é poder estar perto da casa das pessoas, possibilitando uma compra rápida, sem a necessidade de um deslocamento distante”, explica. 

Ele revela que a chave do negócio é a acessibilidade e praticidade oferecida aos clientes. “Nossa clientela é a vizinhança. Quem consome aqui é porque mora aqui. Então nós dependemos é mesmo dessas pessoas que moram por perto, assim a gente busca oferecer produtos de qualidade, preços diferenciados e um atendimento personalizado”, completou.

Sérgio iniciou a empresa sozinho e sem experiência nenhuma sobre gestão comercial. Ele aponta que os primeiros passos foram dificultados justamente por essa falta de experiência e a habilidade para lidar e compreender as questões burocráticas que envolvem um negócio.

Questionado sobre um conselho para quem pretende empreender, Sérgio foi bastante objetivo. “Siga em frente. Se tem vontade, aptidão para empreender, esteja disposto a arriscar, mas é claro que sempre mantendo o pé no chão. Não existe uma receita, um passo a passo para se ter sucesso num negócio próprio. A cada dia é um desafio, um problema diferente, e só assim a gente vai aprendendo”, afirmou.

Em frente ao supermercado, encontramos o comerciante Belmiro Rogério Pigari Gabriel, 46, proprietário de uma drogaria. Ele trabalha no segmento há 30 anos, 27 deles na região central da cidade. Hoje ele afirma não trocar por nada o comércio da periferia. 

“Eu acredito no crescimento comercial dos bairros, eu vivi isso. Cara, eu não troco o bairro por centro de jeito nenhum. Trabalhei 27 anos naquela região e no início era bem bacana, mas nos últimos anos a coisa complicou. As pessoas são difíceis de atender, é uma guerra por preço. Sendo sincero? Se você não for franqueado de uma rede você não sobrevive”, relata. 

Ele conta que no bairro desenvolveu um método de trabalho diferenciado, prezando pela proximidade e intimidade com o cliente. Assim como no supermercado, na farmácia os clientes são os vizinhos e isso assegura um atendimento personalizado para cada consumidor.  

“O cara entra aqui, você chama pelo nome, mede pressão, é muito bacana trabalhar em bairro, não tem nem como comparar. O público é diferenciado, mais carinhoso, humilde, acolhedor, já conhecido. Eu sou apaixonado pelo bairro”, disse.

Belmiro diz que a vantagem financeira do empreendedorismo na periferia é o aluguel mais barato. “O resto dos encargos são os mesmos”, garante.

Aquela área da cidade cresceu bastante nos últimos anos. Vários loteamentos e condomínios residenciais foram abertos e o movimento nesses pequenos comércios foram diretamente beneficiados. 

O comerciante afirma que quando decidiu mudar do centro para o bairro em 2016, já previa a expansão que aquela região viveria. “O bairro evoluiu muito. Eu moro há 17 anos aqui e vi cada um desses comércios abrirem. Hoje o rapaz ali está aumentando o mercado, ali pra cima tem mais gente reformando, o ‘trem’ está andando”, concluiu.

NEGÓCIO FAMILIAR

Poucas quadras dali, o Antônio Ferreira, 48, dono de uma loja de vestuário e variedades, contou ao Dourados News como o negócio possibilitou à família uma nova perspectiva de vida e melhorias na realidade financeira da casa. 


Há 15 anos atuando como lojista, ele garante que a calmaria do bairro não diminui o potencial de lucratividade do comércio. Foi por meio da pequena salinha, à frente de casa, que ele e a esposa criaram os filhos e supriram todas as necessidades do lar. 

Antes ele trabalhava em frigorífico, enquanto ela em um hospital particular da cidade. Após rescindir o contrato com a unidade, a mulher decidiu investir na abertura da loja e posteriormente, por conta de um acidente de trabalho, Antônio se uniu à companheira para tocar o negócio.

“O bairro melhorou muito. Logo quando a gente se instalou aqui não tinha mercado, não tinha farmácia, não tinha nada. Se o pessoal daqui se quiser não precisa ir lá pro centro comprar. Com a ampliação do bairro e os investimentos na infraestrutura, influenciou bastante”, disse. 

Ele afirma que apesar da crise econômica do Brasil, o negócio conseguiu manter estabilidade. Para isso, ele conta ter buscado orientações e capacitações com o time de especialistas do Sebrae e até iniciaram junto uma formação em administração, mas foi preciso interrompê-la.

“Eu não trocaria o bairro pelo Centro também não. Na minha avaliação a movimentação do Centro com aqui é praticamente a mesma. A gente começou bem pequenininho, de lá pra cá fomos ampliando e há 15 anos é daqui que eu tiro o sustento da minha família”, afirma.

Segundo ele, o segredo para garantir a fidelidade do cliente é o atendimento diferenciado que o bairro proporciona. “Aqui a gente se conhece e tem liberdade para conversar bem, com tranquilidade e isso faz toda diferença”, concluiu.

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