11/01/2017 11h23

Órgãos captados de guarda municipal vão para Capital, São Paulo e Acre


Joandra Alves
 
A captação dos órgãos foi realizada na manhã desta quarta-feira (11), no Hospital da Vida- Foto: Weslei Queirós A captação dos órgãos foi realizada na manhã desta quarta-feira (11), no Hospital da Vida- Foto: Weslei Queirós

Os órgãos captados do guarda municipal Roberto Aparecido Ramos, morto na segunda-feira (9) em decorrência de AVC (Acidente Vascular Cerebral), seguirão para os estados de São Paulo, Acre e Campo Grande.

A equipe responsável é composta por dois médicos que chegaram de São Paulo, mais integrantes da UTI do Hospital da Vida, onde ocorre o procedimento, estão realizando os procedimentos na manhã desta quarta-feira (11). As informações são do médico nefrologista e intensivista, Antônio Pedro Luca Bitencourt.

"Para o Acre será encaminhado o fígado, Campo Grande as córneas e os rins para São Paulo", comentou o médico.

Segundo o médico nefrologista, os pacientes que irão receber esses órgãos são os que aguardam em uma fila de espera e cadastradas no Sistema Nacional, sendo eles considerados, pessoas que necessitam com urgência.

Após ser diagnosticado a morte cefálica é comunicado a central estadual de transplante em seguida é feito a abordagem da família, se eles vão doar ou não e depois começam os tramites legais para a captação dos órgãos e transporte. Questionado sobre o perfil do paciente apto a ser doador de órgão, o nefrologista conta, quem pode ser doador pessoas em que são diagnosticados com morte encefálica ou alguns acidentes vasculares cerebrais.

"Os pacientes que geralmente são doadores, são aqueles que tem alguns eventos agudos, jovens que sofrem algum tipo de acidente, como trauma craniano que evolui para morte encefálica, alguns acidentes vasculares cerebrais de derrames propriamente ditos, acidentes encefálicos hemorrágicos, um dano cerebral importante e extensos que acabem evoluindo para morte encefálica, já teve captação de órgãos de paciente de 16 anos de idade", explicou o médico Antônio Pedro.

Sobre o tempo quem que tem que ser realizado o processo, o médico lembra que o procedimento de captação, não é rápido como eles gostariam que fosse, pois deve se respeitar os métodos legais para que ele aconteça.

"Não é rápido como gostaríamos que fosse, se tem uma coisa que tem que se respeitar no país são os métodos legais do transplante. E o aspecto legal para que as coisas possam se tornar extremamente transparente tem, que ser respeitado. Então o paciente que tem um trauma grave ele precisa ser feito um diagnóstico de morte encefálica, sendo feito esse diagnóstico é comunicado a central estadual de transplante, fazer a abordagem familiar, se eles vão doar ou não. Hoje o governo brasileiro disponibiliza uma aeronave, olha a importância que o governo dá para isso, para que as equipes de transplante possam vir de qualquer lugar onde possa se retirar os órgãos, e qualquer lugar que tenha centro cirúrgico é o que basta para fazer a retirada", explicou o nefrologista.

O tempo de demora que cada órgão pode permanecer fora do corpo humano varia, como por exemplo, o coração e pulmão são os que tem um menor tempo, para fazer a captação, já pâncreas, rins e fígado são os que mais aguentam, eles são conservados em uma determinada temperatura.

O rim pode ficar até 48h fora do corpo humano, mas o ideal é que seja transplantado o quanto antes.

Após ser diagnosticada a morte do paciente, no caso do Guarda Municipal que teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral), na segunda-feira (09), e também do desejo dele em doar os órgãos, a equipe de saúde já se organizou para fosse realizada a captação. Segundo o secretário municipal de saúde, Renato Vidigal, foram necessárias 48h para os tramites legais, até a chegada da equipe que veio de São Paulo para realizar a captação dos órgãos.

"Foram necessários 48h trabalhadas continuamente, a secretária forneceu o veículo para levar os exames de sorologia entre outros para a ver se o paciente tinha condições de doar, esses exames foram para Campo Grande e demos toda a estrutura logística e médica da unidade do Hospital da Vida, para abrigar a equipe que veio de fora para buscar os órgãos", contou o secretário.

Transplantes no Estado e em Dourados

Segundo Antônio Pedro, em Mato Grosso do Sul os transplantes estão adormecidos, e que a lista de pessoas que aguardam por um transplante no está é muito grande.

"Em meados de 2005, o estado de Mato Grosso do Sul era um dos que mais transplantava no Brasil, e hoje ele é um dos que menos transplanta no Brasil, por uma série de motivos, pela crise financeira dos hospitais, por falta de apoio, por poucas pessoas se dedicando por falta de incentivo e uma série de motivos, que fez com que as pessoas desistissem de fazer o transplante", disse o médico.

Diante do fato, o secretário de saúde informou que já está sendo montada uma comissão intra hospitalar de doação de órgãos para transplante. Ele disse ainda que com a equipe irá acontecer conscientização da população da cidade em serem doadores de órgãos.

"Desde o dia primeiro de janeiro a secretaria municipal de saúde está dando todo apoio e montando uma comissão intra hospitalar para doação de órgão para transplantes no hospital da vida de Dourados, isso é uma ação que nós consideramos primordial, onde haja o paciente com as condições para que haja e o ocorra a doação de órgãos, a equipe esteja atuando 24h. Já temos o coordenador que vai ser o médico Antônio Pedro, e que ocorra uma busca de possíveis doadores 24h por dia, visto que hoje no Brasil, o sistema nacional de transplante existe mais de 40 mil pessoas agradando por uma doação de órgão", explicou o secretário de saúde.

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