07/09/2017

Oncologista fala de câncer no intestino e como é possível eliminá-lo


Gizele Almeida
 
Junia falou sobre o câncer no intestino - Foto: Gizele Almeida Junia falou sobre o câncer no intestino - Foto: Gizele Almeida

Setembro é o mês de conscientização quanto ao câncer de intestino e para falar sobre o assunto, a entrevista da semana do Dourados News é com a médica oncologista Junia Thirzah Gehrke, 36.

Formada pela Universidade Luterana do Brasil, ela possui residência clínica médica no Hospital São Vicente de Paula em Passo Fundo- RS e Hospital Nossa Senhora da Conceição em Porto Alegre- RS.

Trabalhou como oncologista na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e no Hospital de Base do Distrito Federal e após isso no Hospital do Câncer de Dourados, Evangélico e atualmente trabalha pelo Centro de Oncologia de Dourados.

A profissional cita que o índice da doença no Brasil é alto, sendo que muitos casos poderiam ser evitados com um exame e uma retirada do indicativo da doença.

Sobre este tipo de câncer, a médica explica ainda que os sintomas podem ser silenciosos, com isso a necessidade de se atentar a históricos familiar e buscar a identificação da doença. Já quando existem sintomas, estes costumam ser: dores abdominais e fezes com presença de sangue.

O tratamento da doença dependerá do caso de cada paciente. Entre as opções para melhor qualidade de vida se tem a radioterapia e a quimioterapia.

A oncologista aponta que apesar de não se ter dados específicos, os casos mais comuns de câncer em Dourados são: mama, próstata, pulmão, gastro e cólon.

Em Mato Grosso do Sul, os mais recorrentes são: mama, próstata, traqueia, brônquio, pulmão, entre outros que podem ser observados em uma tabela com levantamentos do Inca (Instituto Nacional do Câncer), ao final desta matéria.

Confira a entrevista na íntegra:

Dourados News- Setembro é o mês de conscientização quanto ao câncer de intestino. Como são os números de casos da doença atualmente no país e na nossa região?

Junia Thirzah Gehrke- No país temos uma estimativa pelos dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer) com mais de 34 mil casos, com 44 % de morte em consequência da doença. É um índice alto pois o Brasil tem uma dificuldade no índice de diagnóstico precoce, isso no que se refere ao câncer de modo geral. No caso específico do câncer de intestino tem exame que podemos fazer e a partir de um indicativo evitar o surgimento do câncer que é a colonoscopia.

 

D.N- O que pode contribuir para o aparecimento da doença?

J.T.G Existem fatores que são genéticos com o histórico familiar de diversos parentes próximos acometidos com a doença já é um fator de risco bem definido. A idade maior que 50 anos também é considerada um fator de risco e fatores relacionados ao estilo de vida como bebida alcoólica e tabagismo, vida sedentária, obesidade e diabete. A dieta cotidiana pode influenciar também quando há pouca ingestão de frutas, verduras, cereais, pouco cálcio e muita ingestão de comidas processadas e carne vermelha. A dieta balanceada melhora o trânsito intestinal e com isso substâncias cancerígenas são eliminadas com mais facilidade pelo intestino e assim diminui o risco de lesão neste local sendo esta câncer, pólipo, tumoral ou benigna.

D.N- Quais os sintomas da doença?

J.T.G Muitos casos no começo não tem sintomas em outras pode se ter um desconforto leve abdominal, algumas vezes sangue nas fezes, mas quando começa a se sentir mudanças sangramentos persistentes, ter dor, anemia, fraqueza, perda de peso é quando o paciente começa realmente sofrer as consequências e a doença está mais agressiva e em estágio mais avançado.

D.N- Diante dos sintomas, qual a primeira atitude a ser tomada?

J.T.G Ao sentir esses sinais que o organismo dá, é preciso que a pessoa procure um médico para que isso seja investigado. O que considera-se adequado e que a partir de 50 anos já se faça um exame para saber se há alguma lesão ou pólipo e no decorrer do tempo fazer o acompanhamento.

D.N- Explique o que é o pólipo.

J.T.G É como se fosse uma verruga. É um tecido que cresce dentro do intestino grosso e no decorrer dos anos pode evoluir para uma lesão maligna ou mutação. Como se fosse uma verruga que vai crescendo e daqui a pouco se transforma, a célula começa a crescer de uma maneira não controlada e então surge o câncer. Com a retirada do pólipo se tem a eliminação deste fator de risco futuro. O período que esse pólipo leva em média para se transformar em um câncer é de 10 anos. Então quando mais precocemente se retirar esse pólipo é mais alta a chance de se evitar um câncer. Pode-se dizer que este tipo de câncer é um dos únicos que o "mal pode ser retirado pela raiz", com a retirada de uma alteração benigna evitando que ela se transforme em maligna.

D.N Como é o diagnóstico e o tratamento?

J.T.G Após o diagnóstico que é feito através de uma biópsia quando se retira o material suspeito que é analisado por um patologista e pelas células é possível ver que tem uma doença maligna existente. A partir daí fazemos exames para a avaliação da extensão da doença para ver se está restrita ou se está também em outros órgãos, então o profissional encaminhará os procedimentos. Se possível, se faz cirurgia, quando o caso é precoce a cirurgia sempre é indicada, tem também o tratamento de quimioterapia,radioterapia, enfim as etapas vão depender do quadro da doença de cada paciente.

D.N- Como costuma ser a chance de cura para este câncer?

J.T.G Se a doença existe em outro local, dependendo do tamanho da lesão pode ser feita a quimioterapia para tentar regredir essa lesão, mas esse tratamento é para casos selecionados. Existe a chance de mesmo se tendo uma doença metastática se ter a chance de cura, mas esta não é grande, fica em torno de 5%. Mas a quimioterapia quando o paciente tem uma doença metastática, além de aumentar o tempo de vida e qualidade de vida, visa evitar que essa doença se dissemine e é uma terapia de controle. O tratamento cirúrgico é o "divisor de águas". Quando se consegue a eliminação completa da lesão, a chance de cura passa de 80%, o que depende do estágio.

D.N-Ainda sobre câncer, quais os tipos mais comuns em Dourados?

J.T.G São os de mama, próstata, pulmão e gástrico. De acordo com o que acompanho como profissional nota-se que os homens têm mais incidência de câncer do que as mulheres, uma faixa de 60% contra 40%.

D.N- A população ainda tem medo do diagnóstico precoce? Explique.

J.T.G A maioria das pessoas tenta fugir da descoberta, não ir em médico, mas, graças a Deus o trabalho conjunto dos profissionais em orientar e as pessoas terem uma conscientização maior tem feito com que gradativamente, a mentalidade da população em geral. Abordar o assunto, como esta reportagem do Dourados News pode ajudar as pessoas. A conscientização por meio dos canais de comunicação faz com que quem receba a mensagem e as vezes não tem nada que encaixe com ele, mas, tem com um familiar, passe essa mensagem adiante, isso é importante. Muitas pessoas dependem do SUS (Sistema Único de Saúde) e é necessário que busquem o apoio médico, e busque sempre fazer as medidas preventivas corretamente.

D.N- Como você avalia o tratamento aos pacientes que dependem do sistema público em Dourados?

J.T.G Existe uma grande demanda, existem muitos profissionais capacitados, mas o problema é sempre a questão do acesso. A colonoscopia por exemplo, é um exame que exige preparo, exames pré operatórios e é necessário agilidade e as vezes por questões de demanda, não se pode realizar os exames em tempo hábil para cura. Isso não acontece só em Dourados, é no Brasil todo. Muitos acabam recorrendo ao particular, pois, existem sintomas preocupantes e essa é a realidade brasileira que precisa ser melhorada, a saúde infelizmente tem sido deixada um pouco de lado.

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