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SAÚDE PÚBLICA

Sem interrupção de tratamento, queixas de pacientes com câncer despencam em Dourados

Segundo a Secretaria de Saúde, o número de reclamações na ouvidoria diminuiu quase a zero

16 abril 2018 - 11h42Por Vinicios Araújo

Após nove meses de transferência entre unidades de atendimento, o serviço de oncologia de Dourados, através do Sistema Único de Saúde (SUS), retoma seu estado de estabilidade e vem apresentando índices de progressão em relação ao convênio anterior. As reclamações na ouvidoria da Secretaria de Saúde do município despencaram nesse período. 

Em 14 de julho do ano passado, o atendimento feito através do Hospital Evangélico foi encaminhado através de processo licitatório à Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado do Mato Grosso do Sul), com a promessa de que os pacientes continuariam a fazer os tratamentos de radioterapia, quimioterapia, cirurgias, acompanhamentos e demais procedimentos de combate ao câncer já fornecidos normalmente pelo SUS.

A equipe de reportagem do Dourados News foi até o novo prédio do CTCD (Centro de Tratamento de Câncer de Dourados), localizado sob esquina com as ruas Oliveira Marques e Edberto Celestino de Oliveira, e conversou com familiares e pacientes em tratamento.

A moradora do bairro Jardim Ouro Verde, Maria Pereira da Silva, 44, contou que faz tratamento para combater um câncer no pulmão há dois anos.

Ela chegou a ser atendida no Hospital Evangélico durante a intervenção médica. 

“A mudança pra cá não diminuiu em nada a qualidade do meu tratamento, na verdade está até melhor. A estrutura é boa também e não tive nenhuma interrupção até hoje”, relatou a paciente destacando que sempre que precisa ir até a unidade é bem recepcionada.

Abelina Pereira, 53, também é paciente oncológica. Em outubro do ano passado ela passou por cirurgia para retirar um tumor no ovário.

Na época o procedimento foi feito no Hospital da Vida em razão dos trâmites de adequação da transferência entre unidades hospitaleres. A douradense contou que o procedimento foi feito com muita qualidade e também avaliou de maneira positiva o serviço prestado pela Cassems e CTCD. 

“A gente tem medo, as vezes sente mal-estar, mas sabe que vai passar” comentou a paciente esperançosa com os resultados da luta contra a doença.

PREFEITURA

Para o secretário municipal de Saúde, Renato Vidigal, a Prefeitura Municipal alcançou o objetivo esperado com a transferência, que era manter a qualidade do atendimento com economia aos cofres públicos do município.

Ele relembrou que no antigo convênio a prefeitura tinha a necessidade de participação no repasse financeiros e que agora, o atendimento foi otimizado e apenas com recursos federais da tabela SUS.

Na época de concessão ao Hospital Evangélico, impasses financeiros aconteciam com frequência por conta do rombo milionário do centro médico daquela unidade hospitalar e quem pagava a conta eram os pacientes.

O Dourados News chegou a noticiar em 2016 a interrupção dos atendimentos à 128 pacientes com câncer por causa da crise financeira. 

Renato também destacou a redução dos índices de reclamação na ouvidoria da Secretaria de Saúde.

“Temos registros de diminuição quase a zero no número de reclamações dos usuários do SUS no tratamento oncológico, e isso prova que valeu a pena enfrentar todos os processos de transferência”. 

Médico oncologista David VieiraPara o médico oncologista, David Rodrigues Infante Vieira, membro da diretoria do CTCD, a mudança de convênio oportunizou aos pacientes do serviço público o padrão de qualidade da Cassems destinados aos convênios particulares. Ele reiterou o compromisso da unidade com o tratamento de câncer adequado e humanizado. 

Até dezembro de 2017 o atendimento feito no prédio novo era realizado no Hospital da Vida. 
“Essa estrutura nova está sendo adequada. Estamos com obras de ampliação da recepção e mesmo com essa necessidade, podemos perceber a satisfação dos nossos pacientes.”

David ressaltou que as situações precárias já registradas anteriormente no HE, como, falta de insumos, atrasos salariais e impasses financeiros não se repetiram com a nova concessão. 

“Para o usuário do SUS foi um ganho. Agora, a Cassems garante a esses pacientes a qualidade padrão oferecidas aos usuários de convênios particulares” afirmou.

O levantamento mais recente, aponta que 620 pacientes foram atendidos em fevereiro pelo Hospital Cassems e CTCD entre setor ambulatorial e hospitalar.

 

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