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ARTIGO

O amor é cego? Veja como a neurociência explica a paixão

12 junho 2018 - 13h05

“É o amor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim!” Assim como diz a canção, o amor é um dos sentimentos que mais mexe com o nosso cérebro! Ele faz com que surjam borboletas no estômago e ainda nos faz imaginar um futuro ao lado da pessoa por quem estamos apaixonados. A mão sua, o coração dispara, perdemos noites de sono… Será que existe uma explicação científica para todos essas reações no nosso corpo quando estamos apaixonados?

O amor surge primeiro no cérebro. De acordo com a neurociência, o amor se assemelha a um vício, uma vez que faz com que sejam liberadas substâncias químicas em nosso corpo, trazendo sensações como ansiedade, prazer, euforia, conforto, apego. As emoções estão intimamente ligadas às nossas capacidades cognitivas. Segundo Solange Jacob, especialista em habilidades cognitivas e diretora pedagógica da franquia SUPERA Ginástica para o Cérebro, há uma relação direta entre emoção e cognição, porque a qualidade das conexões neuronais começa a ser garantida no início da vida, justamente no período de construção de apego seguro.

De acordo com o professor Pedro Calabrez, pesquisador do Laboratório de Neurociências Clínicas da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, a paixão existe e é fruto de alterações no funcionamento do cérebro, sendo regulada por hormônios e neurotransmissores.
Ainda segundo o especialista, os amantes e apaixonados de plantão apresentam baixos níveis de serotonina – neurotransmissor que regula nosso humor, sono e disposição – e se assemelham às pessoas que possuem transtornos obsessivos-compulsivos. Essa é a explicação para aqueles que dormem e acordam pensando na pessoa amada.

E as outras sensações que temos quando estamos apaixonados? Como explicar?

Universo cor-de-rosa

Até mesmo o ato de pensarmos na pessoa faz com que nosso sistema límbico seja ativado, trazendo a sensação de recompensa! Isso faz com que o mundo “pareça cor-de-rosa” quando estamos apaixonados e enxerguemos a pessoa amada como perfeita!

Borboletas no estômago

A partir do momento em que idealizamos a pessoa amada por meio da liberação da dopamina, nosso corpo começa a reagir… E a famosa sensação de borboletas no estômago se torna real! E isso ocorre porque nosso corpo envia estímulos às glândulas adrenais, localizadas nos rins; local onde os hormônios como a adrenalina e a norepinefrina são bombeadas. Esses hormônios são responsáveis pela alteração nos batimentos cardíacos e pela excitação.

O amor é cego

E não é que isso também é verdade? A paixão faz com que nossa amígdala (a do cérebro! Não da garganta…) passe a funcionar de maneira diferente. Ela fica no lobo temporal e é uma das responsáveis por comandar nossas decisões e nosso bom senso. Por isso, o amor apaixonado pode trazer mudanças significativas em nossas emoções e atenção, uma vez que nosso controle cognitivo é prejudicado.
Após os primeiros momentos de euforia, casais que estão juntos por muito tempo voltam a produzir serotonina, trazendo a sensação de confiança; a produção de novos neurônios também retorna ao seu estágio normal. Uma área especial do cérebro passa a ser ativada, com maior produção de oxitocina (hormônio do amor) e vasopressina; ambos relacionados às relações amorosas.
 
Amor saudável

Camila e João frequentam as aulas do Método SUPERA em São José dos Campos e provam a importância de manter a saúde do cérebro.

Juntos há 12 anos, Camila Daga, 30 anos e João Marcos, 32, frequentam as aulas de ginástica para o cérebro da unidade SUPERA Esplanada, de São José dos Campos (SP). O casal começou a exercitar o cérebro este ano e desde então, comparece às aulas juntos semanalmente.

Camila é professora de inglês e conheceu o trabalho do SUPERA devido seu interesse com os temas de cognição, estimulado dentro das suas aulas de inglês com alunos 60+.

João Marcos também se motivou a frequentar as aulas através da sua família: “Meu avô também teve influência no nosso ingresso no SUPERA. Ele tem 83 anos e adora fazer atividades novas e desafiadoras!”.

O casal acredita que exercitar o cérebro juntos ainda ajuda a mantê-los unidos. “Esse é um dos poucos momentos em que podemos desfrutar de uma atividade juntos e isso, sem sombra de dúvidas, fortaleceu a nossa relação. As aulas sempre são muito divertidas e dinâmicas. Ambos somos competitivos e esse espírito promove uma disputa saudável na hora de resolver os exercícios”, diz Camila.

João adora brincar com o Tangram, já Camila prefere se desafiar com o ábaco. Para ele, fazer as aulas junto com Camila lhe proporciona uma nova maneira de pensar: “Fazer a aula com a Camila é muito prazeroso. Além de aumentar nossa interação como casal, acabo conhecendo melhor ela, descobrindo a maneira que ela pensa e ampliando meus horizontes”.

E os benefícios já são perceptíveis. Conhecer pessoas novas, experimentar novos desafios e aprender novas formas de ver a vida fez com que a relação saísse do comum: “Sem sombra de dúvidas, esse tempo já foi suficiente para ampliar os nossos horizontes e mudar a nossa forma de ver as coisas. Saímos da nossa zona de conforto e é lá que as coisas mais incríveis acontecem”, declara Camila.

Diante de tantas evidências, como negar que o amor é o sentimento mais puro e genuíno que existe? Todas as respostas estão no nosso cérebro!

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