07/01/2012 10h04

Missão Caiuá está no topo das ONGs com repasse de verbas federais

 

Terra

Alvo de denúncias e polêmicas no ano passado, as Organizações Não Governamentais (ONGs) receberam do governo federal mais de R$ 3,9 bilhões em 2011, valor 11% maior que os R$ 3,5 bilhões repassados em 2010. A Fundação Butantan (R$ 314.7 milhões), vinculada ao governo paulista, e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (R$ 141 milhões), do Ministério da Ciência e Tecnologia, foram as que campeãs de repasses. O que chama atenção entre as 15 organizações que mais receberam recursos são as entidades que trabalham com populações indígenas, que somam de mais de R$ 100 milhões no ano passado.

A terceira na lista foi a Missão Evangélica Caiuá, ligada à Igreja Presbiteriana, que atua na região de Dourados (MS) há mais de 80 anos. A instituição recebeu R$ 71 milhões do Ministério da Saúde por meio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para programas voltados à saúde, onde atendem cerca de 30 mil indígenas.

Essas entidades ocupam o espaço deixado pelo Estado no trato com a população indígena, e o próprio governo reconhece a incapacidade de fornecer serviços básicos como educação e saúde a essas populações ao realizar convênios com essas entidades. No entanto, a situação é critica nas aldeias brasileiras que sofrem com a precariedade de atendimento médico e com a violência. Na reserva de Dourados, onde vivem mais de 73 mil índios, a taxa de assassinatos é 56% maior que a do Iraque, de acordo com dados de um relatório do Conselho Indigenista Missionário.

Outra entidade que recebeu um volume considerável de recursos do governo federal foi a Associação Rondon Brasil, com aporte de R$ 29,4 milhões para programas voltados à saúde e nutrição de povos indígenas nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Tocantins.

A incapacidade dos governos em atender as populações indígenas fica bem clara no convênio firmado com a Missão Cauiá. A entidade atua desde 1928 foi procurada pelo governo no final da década de 1990 para firmar a parceria porque já sabiam como realizar o atendimento, segundo explica o secretário executivo da missão, reverendo Benjamin Bernardes.

"Nos trabalhamos na área social, temos parcerias com os municípios e atendemos 400 índios nas escolas conveniadas. Temos também um hospital para tratar da questão da saúde indígena, temos convênio com o Ministério da Saúde e com o Sesai (Secretaria Especial de Saúde indígena) para ações complementares de saúde nas aldeias".

Evangelização forçada

A Missão Cauiá prega, entre outras atividades, a educação religiosa dos índios que inclui a alfabetização baseada em preceitos cristãos. A entidade traduziu, inclusive, vários trechos da bíblia para o idioma kaiowá. No entanto, as lideranças dizem que a missão respeita a cultura indígena. De acordo com o cacique Getulio Juca Oliveira, da reserva Indígena Francisco Horta Barbosa, em Dourados, onde vivem cerca de 15 mil índios, a missão não obriga entrar para a igreja, diferentemente de outras instituições religiosas, que evangelizam índios indiscriminadamente e sem estima pelas tradições de seus antepassados.

Repasses problemáticos

Os repasses para ONGs em 2011 serviram como estopim para escândalos na administração de Dilma Rousseff que resultaram na queda de dois ministros: Orlando Silva, do Esporte, e Carlos Lupi, do Trabalho. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), os problemas na fiscalização dos repasses são identificados desde 2006 e incluem as pastas envolvidas nos denúncias e órgãos como a Funasa, responsável pelos recursos para as ONGs que trabalham com populações indígenas.

No final do ano passado, o governo estabeleceu novas normas para os repasses a ONGs que incluem chamamento público, inclusão dos dados no Sistema de Convênios do Governo Federal (Siconv) para auditorias virtuais, comprovação de experiência e proibição de terceirizações. No entanto, algumas funcionalidades do Siconv ainda estão em fase de homologação, segundo acompanhamento do TCU. A abertura dos dados, que permite a consulta nos moldes do que é feito no Portal da Transparência , só deve ocorrer em 2012.

"A constatação da equipe de fiscalização é de que o Siconv apresentou novamente baixo nível de evolução em relação ao último cronograma (...) das 25 funcionalidades previstas para entrar em operação em 2010, apenas 7 encontram-se implantadas", diz o voto do relator, ministro Augusto Sherman Cavalcanti, no relatório finalizado no final do ano passado, que reitera ainda que a demora na implantação do Siconv ocorre desde 2006.

"Não se tem dado a devida prioridade na alocação dos recursos necessários à sua conclusão. A conclusão desse sistema é fundamental, haja vista o alto volume de recursos transferidos mediante transferências voluntárias, que necessitam controle mais eficiente e maior transparência", diz o relator.

Em 2010, o relatório de Contas do Governo, realizado pelo tribunal, apontava que as prestações de contas não apresentadas ou não analisadas não apresentavam melhora significativa nos últimos exercícios. Naquele ano, existiam 43 mil prestações não analisadas e 2,8 mil não-apresentadas.

(17) Comentários

Gente antes de falar vamos conhecer os fatos a missão tem 17 convenios no brasil todo, mais de 9.000 funcionarios entre todos os tipos de profissionais da saude, atende em 15 estados em todo territorio brasileiro, se somamos os indios do Amazonas Mato Grosso do Sul Mato grosso e Maranhão são mais de 180.000 mil indios, fora os outros estados, no entanto a Missão Caiuá presta conta de cada centavo investido.
ESTUDE ANTES DE FALAR!!!!

 
Ismael CARDEAL DOS sANTOS em 28 de setembro de 2012 - sexta às 09:47

o atendimento devia ser melhor..mas infelizmente não é...tanto dinheiro p nada....agora vou exigir o atendimento melhor para o meu povo indigena...

 
lidimara francisco em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 23:22

Onde estão os 73 mil indios que vivem em Dourados. Acho que deve ter havido algum engano quanto ao numero.

 
Edenilson em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 23:20

é ainda dizem que são o povo escolhido Deus, Deus não escolhe corruptos pra sua obras!Aproveitadores!

 
zélia em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 22:55

Olha, dá mais de R$ 2.000,00 por índio em média. Se o dinheiro fosse realmente aplicado, não poderia haver índios doentes, não é?

 
Adriano Roberto dos Santos em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 18:53

vcs ainda perdem tempo questionando onde foi o dinheiro.... vai ver o estacionamento la da funai os carros estacionados e a vida bos dos funcionarios publicos que la ficam sem fazer nada, ja disse e repito indio esta sendo transformado em animal da falna brasileira que esta decadente precisamos rever estes conceitos usados para dizem quem somos e onde queremos ser assistir a tudo isso de braços cruzados, vamos exigir respostas cade os meios de comunicação que deveriam estar do nosso lado e se vendem a este governo corruPTo e sem moral....

 
Claudio em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 17:40

Essa missão evangelica,deve uma explicação aos indios,onde esta o dinheiro?
e muito dinheiro,mas muito dinheiro.
se alguem esta pegando esse dinheiro os evangelistas de jesus cristo,estão rolando nos tumulos.
Me expliquem o que é EVANGELICO,MISSÃO EVANGELICA,EVANGELISTA,PREGADOR DO EVANGELHO,HOSPITAL EVANGELICO.

 
eder em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 16:58

Ja que a imprensa de Dourados se diz integra , apolitica , absoluta e séria , arrume um relatorio e publicque os nomes dessas ongs e de quem dirige esses antros de malandragem , VAMOS LA DONOS DA VERDADE , TOMEM CORAGEM E FAÇAM ESSE FAVOR PARA A POPULAÇAO.

 
Marcelo Santos em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 16:25

Caro Paul,
os seus cálculos estão errados. R$ 71.000.000,00 para 30.000,00 índios= R$ 2.366,67 por cada índio e não R$ 2 milhões como vc colocou acima.

 
Honorio Almirao Filho em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 16:09

donde se chega a conclusao de que esta faltando indio em dourados para poder gastar tanto dinheiro. fica entao a sugestao: poderiamos trazer alguns paraguaios - alem daqueles que ja vieram se auto intitulando indios para conseguir cidadania brasileira - senao vai ser dificil gastar essa dinheirama com "assistencia social".

 
celso antonio santos em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 15:56

Prezado "paul", a conta correta é R$ 2.366,67/ano por indígena, via ONG Missão Caiuá. Realmente, é um belo plano de saúde VIP, ainda mais se somarmos as verbas gastas por outras entidades que cuidam da saúde dos índios, incluindo o "custo-Funasa". É de cair o queixo, ou melhor, é de "cair o A".
O contribuinte brasileiro é um pato mesmo.

 
Pablito em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 15:50

Bem Paul...!! São 71milhões sim, mas não dividido por 30mil índios, e, sim por todos os indios do Brasil (inclusive em regiões remotas e de dificil acesso). Logo, nunca poderá ser o melhor plano de saude do mundo.

 
Osvaldo em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 14:10

eita cade a grana porque nós indios somos mal atendidos naquele postão que eles de hospital.

 
kesia valerio em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 14:03

Ta aí algo pra ser investigado né Elias Ishy??????? voce que tanto defende os indigenas, abra a caixa preta.

 
Josue em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 12:23

Lembrando que todo esse dinheiro não fica aqui em Dourados, a Missão é apenas o veículo de repasse desse montante; pois ela administra verbas para a Amazônia, Maranhão e outros estados, vindo apenas emprestar seu cnpj para o governo. Quem dera que esse montante fosse só para a aldeia de dourados, pode ter certeza que seria a melhor reserva indígena do país.

 
Lis em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 12:08

então... são 71 milhões/30 mil indios = R$2milhões para cada indio. esse plano de saúde é o melhor do mundo. deveria ser.

 
paul em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 11:24

80 anos e nada melhorou até agora,para onde vai todo esse dinheiro?

 
leandro em 07 de janeiro de 2012 - sábado às 10:30

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