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PALESTRAS

"Luto" abre Ciclo de Palestras do Setembro Amarelo na Unigran

07 setembro 2017 - 18h30

O curso de Psicologia iniciou o Ciclo de Palestras da Campanha Setembro Amarelo: Promoção da Vida. Para dar abertura aos trabalhos do mês de sensibilização à prevenção do suicídio, acadêmicos e profissionais participaram das palestras "Lutos e Perdas", com a psicóloga e jornalista Claudia Malfat e "Luto na Infância", com a oncopediatra, Rafaela Siufi.

A primeira fala foi com Claudia Malfat, psicóloga e jornalista, que abordou sobre a dor da perda e os processos vivenciados pelo luto. A palestrante afirma que estes temas não estão apenas relacionados com a morte. "O luto é um processo normal, que tem começo, meio e fim, e acontece a partir de um rompimento, seja ele pessoal, profissional ou sempre que se tem uma rescisão afetiva", confirma.

Porém, de acordo com Malfat, um dos lutos mais difíceis de ser encarado é o por suicídio. "Além de ter que lidar com a perda, com a dor, quando o assunto é suicídio, a família tem que lidar também com o preconceito da sociedade, que muitas vezes culpa os familiares pelo acontecido. As famílias se sentem sozinhas com a falta de acolhimento", ressalta, exaltando que esse é o principal fator que dificulta no processo do luto.

Existem cinco fases do luto: a negação, a barganha, a raiva, a aceitação e a depressão, conforme explica em um livro a psiquiatra suíça-americana Elisabeth Kubler-Ross, criadora do modelo Kubler-Ross, que estabelece essas fases. Malfat esclarece que a autora escreveu o título após passar pela experiência do luto.

"A autora, a partir da experiência dela, colocou essas cinco fases que a pessoa pode ou não passar, não existe uma ordem. Por exemplo, um paciente que recebe um diagnóstico de uma doença muito grave, ele pode em um primeiro momento negar. Depois aos poucos, após todo um processo aceitar aquela condição. O mais importante é ressaltar que as pessoas enlutadas precisam de apoio, de alguém que entenda as emoções sem que haja um julgamento", finaliza.

Na segunda palestra da noite, proferida pela oncopediatra Rafaela Siufi, o tema tratado foi "Luto na Infância". No assunto específico foram abordadas duas vertentes fundamentais: o luto quando a criança perde alguém e quando é a criança quem morre.

Conforme Siufi, dependendo da faixa etária em que a criança está, ela não entende a morte como uma situação irreversível. Ela encara como uma fase fantasiosa, abstrata. A criança só passa a ter consciência da morte por volta dos nove anos. Neste processo de luto a criança precisa de ajuda psicológica, para entender que ela não é culpada.

"A criança precisa entender que não tem culpa da morte daquela pessoa que ela tanto amava, poucas pessoas têm a coragem de conversar mais abertamente. Às vezes passa-se uma vida inteira sofrendo, achando que ela foi a grande culpada e, neste caso, entra o papel do psicólogo, ajudando no processo de enfrentamento desse luto", diz.

Ainda segundo a médica, a melhor forma de enfrentar a situação é ter plena consciência dela. Chorar quando sentir vontade, ficar triste quando se perde alguém importante. Quando o enfrentamento acontece de forma concreta, existe um novo começo, pautado em coisas boas que foram vividas junto com o ente querido.

"A vida muda depois que você perde alguém que você realmente amou muito, ela jamais vai ser como era antes, mas se existe a possibilidade com todas essas boas lembranças de desfrutar momentos que são eternos, isso deve ser feito, porque o que morre é o corpo físico, mas o filho vai ser sempre seu filho, o pai vai ser sempre seu pai, então todas as lembranças que vocês tiveram vão servir para refazer a sua vida", pondera a oncopediatra.

Rafaela Siufi finaliza afirmando que quanto mais honesto e aberto o paciente for, com relação ao luto, mais fácil será de enfrentar essa nova fase, com ferramentas para refazer a vida de uma forma sadia e feliz.

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