Menu
Busca segunda, 15 de outubro de 2018
(67) 9860-3221
DOURADOS

Projeto com doulas comunitárias é implantado em hospital de Dourados

26 setembro 2017 - 18h50


A partir do próximo mês de outubro, gestantes que forem internadas para ter seus bebês na Maternidade do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) poderão contar com mais um serviço: o acompanhamento por doulas voluntárias. Trata-se do estágio prático das alunas capacitadas pelo I Curso de Formação de Doulas Comunitárias do HU-UFGD.

As inscrições foram abertas em maio e, diante da grande procura, o processo seletivo foi realizado em duas etapas, nos meses de junho e julho. As aulas tiveram início em agosto, com encontros presenciais realizados em fins de semana alternados.

Ofertado pelo próprio hospital, o curso tem um total de 80 horas, divididas em módulos teóricos e estágio prático supervisionado. O último módulo teórico será realizado no próximo fim de semana (30 de setembro e 01 de outubro). Para cumprir o módulo da prática, cada aluna terá que realizar seis plantões, de seis horas cada, cumpridos aos finais de semana, feriados ou no período noturno, conforme escalas elaboradas de acordo com a disponibilidade das voluntárias.

Após o estágio, as doulas comunitárias que desejarem poderão permanecer na escala e dar continuidade ao serviço. Por se tratar de trabalho voluntário, as doulas comunitárias estarão vinculadas ao serviço por intermédio da Associação dos Voluntários do HU-UFGD (AVHU-UFGD).

A fisioterapeuta Angela Rios, coordenadora pedagógica do curso, conta que está vivendo a realização de um projeto antigo. "Este curso é resultado de um amadurecimento do trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos em nossa maternidade. Nosso objetivo é levar às mulheres informação sobre o processo de gestação, parto e nascimento, para que elas possam tomar decisões conscientes e informadas sobre o seu parto. As doulas formadas neste curso serão capazes de promover esse conhecimento em suas comunidades", diz Angela.

Para a médica obstetra Fernanda Borges, que ministrou conteúdo durante o segundo módulo teórico do curso, a presença das doulas voluntárias será um diferencial no atendimento do HU-UFGD. "Esperamos que a atuação das doulas comunitárias venha para somar na assistência multiprofissional prestada à parturiente em nosso serviço, já que além do apoio emocional à gestante, elas poderão contribuir na propagação de informações sobre os benefícios do parto normal para a mãe e o bebê", afirma.

"Este é um projeto estratégico e está entre nossas prioridades, pois é uma inovação no atendimento e obedece às políticas de humanização e boas práticas de atendimento ao parto e ao nascimento. Além disso, é um grande instrumento de participação social, pois integra as pessoas da comunidade ao trabalho que estamos realizando", comenta a superintendente do HU-UFGD, Mariana Croda.

Comunidade

Com a conclusão do curso, as doulas estarão aptas também a atuar em suas comunidades, tanto no acompanhamento individual quanto na condução de grupos de gestantes. Várias das doulas em formação no HU-UFGD são Agentes Comunitárias de Saúde (ACSs), inclusive ACSs indígenas. No grupo há ainda donas de casa, bancárias, pedagogas, comerciárias, uma policial militar, uma bombeira militar, empresárias, secretárias, recepcionistas e funcionárias públicas.

"Informação é tudo, e, com o curso, estamos nos capacitando para ajudar as mulheres e terem mais conhecimento sobre essa fase tão significativa em suas vidas, que é a gravidez, e para se sentirem seguras durante o trabalho de parto. Porque a gente sabe que muitos problemas são gerados pelo medo e pela falta de informação", avalia a aluna Suelene Menezes.

A futura doula Ângela Dias conta que é grande a expectativa pelo início do trabalho: "É muita emoção. Acho que ser doula será como ser mãe novamente, a cada gestante que a gente acompanhar", diz.

Já para Gelcinda Vieira, o voluntariado foi a motivação para se inscrever no curso: "O trabalho voluntário é muito gratificante, e foi o que me atraiu para este curso. Está sendo um aprendizado maior do que eu esperava, e o fato de poder ajudar o próximo, de auxiliar as mulheres num momento tão importante, é o que me encanta mais", afirma.

"Ser doula é acreditar que o nascimento de um bebê pode acontecer da forma mais natural possível, respeitando as mulheres, e trabalhando para que estejam informadas sobre suas decisões e escolhas", diz a aluna Flávia Lencina. Laís Bevenutti, também futura doula, completa: "Acredito que se trabalharmos com união e amor, vamos ajudar a nascer um mundo melhor".

"A função da doula é de extrema importância para a parturiente, e o melhor do curso é que possibilitará o acesso a doulas na rede pública, contribuindo para uma acolhida mais humana para as mulheres atendidas pelo SUS, pois é algo que toda mulher deveria ter como possibilidade", conclui a aluna Catarina Guerchi Nunes.

O que faz uma doula

Desde janeiro de 2013, a ocupação de doula é reconhecida pelo Ministério do Trabalho, inscrita no Código Brasileiro de Ocupações (CBO) sob o número 3221-35.

Durante a gestação, ou mesmo desde antes da concepção, a doula pode orientar o casal sobre o que esperar da gravidez, do parto e pós-parto. Ela explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente, para o parto, das mais variadas formas.

Durante o parto, a doula ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento. Após o parto, ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.

A doula não substitui o pai ou o acompanhante escolhido pela mulher durante o trabalho de parto. Muito pelo contrário: a doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.

O que a doula não faz

A doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.

Vantagens

Pesquisas realizadas em diversos países têm demonstrado que a atuação da doula no parto pode diminuir em 50% as taxas de cesárea, diminuir em 20% a duração do trabalho de parto, diminuir em 60% os pedidos de anestesia, diminuir em 40% o uso da ocitocina sintética (sorinho), e reduzir em 40% o uso de fórceps.

Deixe seu Comentário

Leia Também

ELEIÇÕES 2018
Deputados federais eleitos em MS gastaram de R$ 0,02 a R$ 33 por voto
ELEIÇÕES 2018
Bolsonaro afirma que vai resgatar o respeito em sala de aula
GERAL
Ganhadora de carro 0km do Grupo ABV é de Dourados
DOURADOS
Semana Nacional de Ciência e Tecnologia será nas aldeias Bororó e Jaguapiru
RURAL
MS inicia outubro com quase 90% da safra 2017/18 de soja comercializada
DOURADOS
Família busca notícias de mulher que abandonou carro e embarcou na rodoviária
EDUCAÇÃO
Último dia de pagamento da taxa de inscrição de concurso público do IFMS
DIA DO PROFESSOR
Brasil tem mais de 2,5 milhões de professores
FRONTEIRA
Motociclista morre atropelado ao tentar ultrapassar carreta pela direita
JARDIM MONTE LÍBANO
Policiais douradenses são presos por assalto a família

Mais Lidas

DOURADOS
Ciclista sofre atropelamento e fica em estado gravíssimo
DOURADOS
Traficante que atuava com “disk drogas” é preso
TRAGÉDIA
Douradense morre em acidente no RS
DOURADOS
Dois são presos por promover festa para menores de idade “regada” com bebida alcoólica