07/12/2011 09h56

Fazendeiro não concorda com tratamento recebido da Comissão de Direitos Humanos

 

Dourados News
 

O pai do presidente do PT de Rio Brilhante, José Raul Das Neves, entrou em contato com a Redação do Dourados News para contar sua versão e sua visão referente ao fato que se deu em uma das entradas de sua fazenda naquela cidade, quando ele tentou convencer a comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, formada pelos petistas Domingos Dutra (MA), Padre Ton (RO) e Érica Kokay (DF), a não entrar na terra que os índios chamam de Ñderu Laranjeira.

Segundo Raul, o filho dele, Raul Júnior estava ali por conta de ser o herdeiro dele e que em nenhum momento barrou a entrada dos deputados, queria apenas que fosse respeitada a liminar judicial n° 0001228-46.2008.4.03.6002, expedida pelo juiz federal que acompanha o caso. A Comissão veio ao Mato Grosso do Sul para investigar casos de violência contra indígenas e visitou a fazenda que fica no fundo da propriedade do Senhor Raul. Para chegar até lá, tiveram que entrar por uma estrada que passa por dentro da plantação de soja do idoso, arrendada para outro produtor rural.

No momento da chegada da comissão, dois troncos impediam o acesso das camionetes ao acampamento e quando os agentes federais chegaram, os índios arrancaram os dois “postes” que bloqueavam o caminho. Minutos depois, pai e filho chegaram ao local com uma cópia da liminar judicial, o que não impediu o acesso até o acampamento.

Raul teme que a terra dele seja incluída como terra indígena também. Ele mora ali há 50 anos e afirma possuir uma escritura da fazenda que data de 1842. Ele acusa índios e sem terras que moram próximo da propriedade de terem feito um acordo para ocupar terras naquela região.

Na versão dele, os indígenas ocupariam a fazenda Santa Edwirges e os sem-terra a fazenda Santo Antônio (onde há o acampamento indígena atual), mas, os dois grupos teriam feito um acordo para trocarem de lado e de áreas ocupadas. “Foram até no Cartório para tentar reconhecer o acordo, mas, lá viram que não era possível”, diz ele.

Depois disso, Raul contou também que os sem-terra originais do acampamento fizeram um outro acordo e cederam a área ocupada à um segundo grupo de sem-terras. “Quer dizer, estão negociando terra que nem deles é”, explicou. O fazendeiro disse também que teve acesso à documentos que mostram que em caso de possível reconhecimento da Fazenda Santo Antônio como terra indígena, a fazenda dele também seria “tomada”. “Tenho o maior respeito pela Funai, porque fica nas mãos dos índios, agora não pode é vir aquele Exército aqui e querer entrar sem pedir. Eles tem mais poder que um juiz?”, questiona.

Preso

Raul se diz preso na própria terra, sem poder circular por matas e rios que cortam a propriedade dele. “Já eles [os índios] não, eles podem caçar e andar por todas as fazendas aí da região”, comenta.

Raul disse também que ficou chateado com o envolvimento do nome do filho dele no que classificou como “incidente”. “Meu filho é fundador do PT em Dourados e em Rio Brilhante. Foi o primeiro candidato do partido aqui na cidade. Ele não tinha nada a ver. Estava lá comigo me acompanhando porque é meu filho, meu herdeiro”, destacou.

Ele disse ainda que não é contra os índios e que até os ajuda quando pode e que se a Comissão tivesse pedido para entrar pela entrada principal da fazenda, teria concordado. “Não teria problema. A Funasa tem até a chave da porteira para entrar lá e atender os índios. Só não concordo porque não pediram. Coloquei aqueles troncos lá porque volta e meia entra gente estranha lá e isso aí tem decisão judicial que proíbe”, explica.

O proprietário fez um boletim de ocorrência contra a Comissão de Direitos Humanos por invasão, encaminhou para que o advogado dele tome providências, pediu para que o deputado Zé Teixeira do DEM externe a revolta da família na Assembleia Legislativa e escreverá uma carta à presidenta Dilma Roussef protestando pela maneira como foi tratado.

(1) Comentário

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è uma vergonha a politica que lida com índios, porque não lutam com o mesmo vigor por sem-terras, sem-tetos, crianças que morrem de fome, a questão racial, combate a corrupção, ficha limpa???? já esqueceram, e ai ?? o povo que se ....
mas o povo brasileiro tem o que merece, cada corrupto, foi eleito pelo povo........

 
Robson em 07 de dezembro de 2011 às 12:08