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DOURADOS

Dia da Mulher é na verdade um dia de “luto”, diz teóloga feminista

08 março 2019 - 06h13Por Gizele Almeida

“O Dia Internacional da Mulher para mim não é um dia comemorativo, mas sim um dia de luto. Dia de lembrar das 129 mulheres mortas no incêndio em uma fábrica em Nova York que trabalhavam em condições penosas e de reforçar a luta contra o feminicídio que cresce no país”.

O apontamento é de Lilian Sarat de Oliveira, teóloga feminista, representante do Cebi (Centro de Estudos Bíblicos) e uma das líderes da marcha “Mulheres unidas contra o fascismo”, que ocorre nesta sexta-feira (08), em Dourados.

Para ela, conquistas anteriores devem sim ser celebradas como a conquista do voto, maior espaço no mercado de trabalho, mas o momento é de “resistência”. 

As principais bandeiras do movimento são as lutas contra o feminicídio e contra a retirada de direitos. Em uma página em rede social, cerca de 300 pessoas confirmaram participação no ato. A organização não cita uma estimativa de pessoas presentes.

O movimento acontecerá a partir das 12h, na Praça Antônio João, com a recepção e lanche para mulheres que virão de aldeias e distritos e logo mais às 14h, terá início a caminhada na avenida Marcelino Pires até rua Toshinobu Katayama. O grupo retorna pela avenida posteriormente e se concentra novamente na Praça. 

Lilian destaca que desde fevereiro rodas de conversas tem sido realizadas com grupo de mulheres sobre diversos assuntos e também com o convite para que participem da marcha. Ela destaca a participação já confirmada de mulheres indígenas e camponesas. 

“A violência contra a mulher, o feminicídio, infelizmente ocorrem em área urbana ou rural, mas esses grupos por estarem distantes da sede do município e de delegacias muitas vezes tem mais dificuldades com essas questões e temos trabalhado a informação e conscientização”, disse. 

Para ela, algumas situações recentes reforçam a necessidade das mulheres se unirem por seus direitos, como por exemplo, a Reforma da Previdência proposta pelo Governo Federal, na qual a exigência é aumentar o tempo de contribuição e de trabalho para  homens e mulheres, a diminuição do valor pago pelo BPC (Benefício de Prestação Continuada) da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), o aumento de casos de violência contra a mulher seja ela física, psicológica ou moral e do feminicídio. 

“As mulheres precisam se posicionar contra o retrocesso das políticas públicas e lutar para combater a violência que insiste em derramar sangue das nossas companheiras. Outras questões que envolvem nossa existência também necessitam de debate como o fundamentalismo religioso e o aborto”, destacou. 

A teóloga acredita que em Mato Grosso do Sul, é necessário maior investimento em segurança pública, em especial no que diz respeito a delegacias de atendimento a mulher. Ela cita que essas unidades precisam ampliar o atendimento, já que atualmente não prestam serviços aos finais de semana e pontua também sobre a necessidade de que profissionais do meio participem de capacitações para atender melhor o público feminino.

A ação em Dourados contará com apresentações culturais e abrirá espaço para debates e explanações sobre diversos temas.

Em todo o país movimentos semelhantes acontecerão na data. Outro ato que tem ganhado ênfase na mídia e nos grupos feministas é a “greve geral”, no dia 08. 

A proposta é que as mulheres não compareçam ao trabalho e não comprem qualquer tipo de mercadoria na data. Lilian enfatiza o movimento como impactante, mas diz que o mesmo não foi proposto em Dourados pelo fato de que não houve sinalização de ampla participação atualmente.   

 

 

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