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Depoimento de socorrista aponta tragédia anunciada em plantão sem médico no HV

23 agosto 2019 - 09h07Por André Bento

A morte do motociclista Roberto Gonçalves Braga, de 34 anos, durante plantão sem médico no Hospital da Vida em 21 de julho pode ter sido uma tragédia anunciada. Isso é o que revela depoimento prestado ao MPE-MS (Ministério Público Estadual) pelo médico Thaigor Reze, intensivista do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) que socorreu a vítima após acidente de trânsito na Avenida Marcelino Pires.

Segundo ele, no dia anterior a essa tragédia houve problema semelhante na unidade hospitalar, “porém sem a mesma repercussão, pois não houve óbito”. Na ocasião, um jovem atropelado na Rua Coronel Ponciano foi levado pelo Samu por volta das 18h40, “com informação de que também não havia médico nem na área vermelha nem na área verde”. “Só apareceu médico cerca de uma hora depois, que assumiu o caso”, detalhou.

Esse depoimento foi prestado dia 5 de agosto aos promotores de Justiça Etéocles Brito Mendonça Dias Junior e Cláudio Rogério Gomes no inquérito que apura “eventual irregularidade na realização de atendimento de urgência/emergência no Hospital da Vida por falhas na composição da escala de médico, bem como apurar as causas que ensejaram a falta de assistência a paciente que veio a óbito na data de 21/07/2019”.

A versão de Thaigor, que era o médico socorrista no caso do paciente Roberto Gonçalves Braga, é semelhante às apresentadas posteriormente por outros dois médicos, o coordenador do Samu, Renato Oliveira Garcez Vidigal, e Gecimar Teixeira Júnior, que chegou a ser apontado como  responsável pelo plantão hospitalar naquela ocasião, mas negou essa informação na Promotoria de Justiça.

O socorrista do Samu relatou que estava na rua e tinha acabado de estacionar por volta de 18h20 quando recebeu o código 3 para o suporte do acidentado de moto com colisão traseira. No local onde Braga havia colidido a Honda Biz que conduzia, de cor preta e placa NRM-1439, de Dourados, na traseira de um VW Gol que estava parado atrás de uma sequência de carros na Avenida Marcelino Pires, o paciente já estava imobilizado e havia fratura exposta de antebraço e sinal de colisão da cabeça no vidro traseiro do carro.

“O paciente já estava inconsciente e aparentava ter feito uso de bebida alcoólica”, relatou o médico do Samu. Entubado na cena, havia pulso fino e pressão baixa, porém ainda com pulso. “Feitos os acessos periféricos, a equipe do Samu assumiu a ambulância dos bombeiros e se deslocou para o Hospital da Vida mediante ordem do médico do Samu, já que havia um evidente politrauma via código 3”, pontuou.

A equipe do Samu chegou ao Hospital da Vida entre18h50 e 19h, onde foi informada “pela equipe da área vermelha que não havia nenhum médico naquela área”. O pulso do paciente sumiu no momento em que houve a troca da maca, segundo o socorrista, que informou a central do Samu sobre a falta de médico no hospital, razão pela qual o médico regulador entrou em contato com o coordenador, Renato Vidigal, e relatou o caso.

No Samu desde abril, onde começou como médico regulador e foi para a intervenção, Thigor disse aos promotores de Justiça que essa “foi a primeira vez que isso aconteceu com ele”.

Diante da falta de médico, a equipe de socorristas ficou presa no hospital e algum tempo depois a secretária municipal de Saúde, Berenice de Oliveira Machado Souza, chegou e sugeriu a transferência do paciente uma unidade particular, o que foi refutado dada a gravidade do caso.

“Em seguida a secretária pediu para que o paciente fosse encaminhado para a UTI, o que também foi descartado porque nesse momento o paciente estava sendo remassageado”, descreveu.

“Embora não houvesse médico no local, foi feito pelo declarante parte do protocolo que seria feito pelo médico plantonista, ou seja, o trabalho imediato de reanimação, somado com ministração de drogas vasoativas. Porém, restaram prejudicados os procedimentos de diagnóstico (avaliação de abdômen, encaminhamento ao centro cirúrgico, etc)”, consta no termo de declaração obtido pelo Dourados News.

O médico do Samu detalhou que o acidente foi muito grave, com lesão bem grave no abdômen e cabeça (traumatismo crânio encefálico), mas disse não ser possível dizer se a presença de um médico o salvaria, “mas acredita que não”.

“O tempo todo de espera e tentativas de reanimação pelo Samu foi de entre uma hora e uma hora e vinte. Enquanto isso foram feitas tentativas de reanimação do paciente, mas sem sucesso. Por todo esse tempo a cidade ficou desguarnecida de ambulância do Samu. O óbito foi declarado umas 19h20”, revelou.

Ainda segundo o socorrista do Samu, não foi possível saber quem estava na escala da tarde daquele fatídico domingo, “mas as informações transmitidas pelos presentes era de que não havia médico plantonista na área vermelha e na área verde desde 13h”. Ele apontou ainda que um médico chegou no hospital por volta das 19h30, “mas a pedido da secretaria municipal de saúde, ou seja, ele não era um plantonista previamente agendado para aquele dia”.

O MPE pretende ouvir no próximo dia 27 a secretária municipal de Saúde, Berenice de Oliveira Machado Souza, que é também interventora da Funsaud. Ao Dourados News, ela informou que sobre essa convocação não tem o que declarar.

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