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DOURADOS

Coordenador diz que Samu tentou reanimar acidentado por uma hora em HV sem médico

22 agosto 2019 - 09h07Por André Bento

O coordenador do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) em Dourados, Renato Oliveira Garcez Vidigal, disse que o motociclista Roberto Gonçalves Braga, vítima de acidente de trânsito no início da noite de 21 de julho no centro da cidade, morreu após mais de uma hora de tentativa de reanimação sem qualquer ajuda médica no Hospital da Vida.

Essa declaração foi prestada ao MPE-MS (Ministério Público Estadual) na manhã de quarta-feira (21) em investigação sobre falhas na escala de plantão que já apurou “uma cadeia de fatos reveladores de uma sucessão de erros administrativos de grossa monta, todos contribuintes, de forma direta ou indireta, para a fatalidade”.

Braga tinha 34 anos quando colidiu a Honda Biz que conduzia, de cor preta e placa NRM-1439, de Dourados, na traseira de um VW Gol que estava parado atrás de uma sequência de carros na Avenida Marcelino Pires, região da Cabeceira Alegre. Socorrido polo Samu, foi levado ao Hospital da Vida.

Em termo de declaração anexado ao Procedimento Preparatório número 06.2019.00001173-8, obtido pelo Dourados News, Vidigal relatou que o atendimento do Samu foi correto, chegando em poucos minutos ao local do acidente. Acrescentou que o médico regulador responsável pelo socorro “ficou com o paciente por mais de uma hora, tentando reanimá-lo, e não apareceu nenhum médico do Hospital da Vida para ajudá-lo”.

O coordenador do Samu também disse ao promotor de Justiça Etéocles Brito Mendonça Dias Junior ter tentado contato com médicos da unidade hospitalar, “também sem sucesso”. “Em seguida, para a secretária municipal de saúde, que não atendeu. Em seguida tentou para a Sra. Maria Izabel, que também não atendeu”, descreveu.

Somente depois a interventora da Funsaud (Fundação dos Serviços de Saúde de Dourados) teria retornado à ligação informando que a secretária Berenice de Oliveira Machado Souza estava a caminho “para resolver a situação”.

Ex-secretário municipal de Saúde, Vidigal alegou não ter recebido “nenhum documento formal da secretaria municipal de saúde nem do Hospital da Vida informando que haveria déficit na escala médica naquela unidade hospitalar, em qualquer de suas áreas”.

“Caso isso tivesse ocorrido, o SAMU poderia ter se preparado para uma alternativa”, garantiu ao titular da 10ª Promotoria de Justiça de Dourados.

Vidigal acrescentou em casos como o de Braga, “um acidente de trânsito grave cumulado com parada cardiorrespiratória do paciente”, a referência de trauma sempre é o Hospital da Vida, “conforme pactuado na rede municipal de urgência e emergência e reuniões que deveriam ocorrer mensalmente nas câmaras técnicas hospitalares, o que não vem ocorrendo desde janeiro de 2019”. Segundo ele, “tais reuniões deveriam ser provocadas pelo gestor municipal”.

Para o MPE, o fato da própria Funsaud, administradora do HV, destacar e admitir “que o falecimento do paciente socorrido pelo SAMU na tarde de 21/07/2019 ocorreu durante a troca de médicos plantonistas do Hospital da Vida”, é “inadmissível”.

O coordenador do Samu disse ser o Conselho Federal de Medicina “enfático no sentido de que a falta de médico é responsabilidade do diretor técnico de cada hospital, e não permite a troca de plantão sem a certeza da presença física do próximo médico do local”. “Acaso o novo plantonista não apareça, o diretor técnico deve assumir o plantão”, pontuou, sem saber dizer a razão de não ter ocorrido isso no caso investigado.

Médico, Renato Vidigal sugeriu que o Conselho Regional de Medicina “pode ser acionado para apurar esse incidente” e acrescentou ao MPE que “hoje a manutenção da frota está com problemas” e “várias CI's [comunicações internas] já foram expedidas para a gestora pedindo insumos e também manutenção da frota, todas sem resposta formal, apenas informal de que não seria possível em razão do município não ter contrato vigente com empresa de manutenção de veículos”.

Procurada pelo Dourados News na manhã desta quinta-feira (22), a secretária municipal de Saúde, Berenice de Oliveira Machado Souza, que é também interventora da Funsaud, informou que sobre a convocação feita pelo MPE para prestar esclarecimentos no próximo dia 27 não tem o que declarar. Já a respeito das afirmações do coordenador do Samu, disse que todas as solicitações foram atendidas.

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