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Carta de protesto à saúde de Dourados, por Karina Veríssimo

17 dezembro 2012 - 12h27




Por ser jornalista, sempre fui muito objetiva em qualquer produção de texto, nesta carta de desabafo não será diferente. Inicialmente quero dizer que não acredito que estas linhas possam encontrar ECO e VOZ e, desta maneira, mudar qualquer forma ao atendimento à saúde pública em Dourados, entretanto preciso soltar a indignação que está presa em minha garganta e de tantos douradenses...

Sou pernambucana, sertaneja (com muito orgulho) e vim para Dourados por causa do trabalho do meu esposo, que é militar do Exército. Fiquei admirada e encantada com o desenvolvimento e o potencial econômico que esta jovem cidade tem. Sempre divulguei a imagem de Dourados como o local ideal para quem quer alcançar seus objetivos e ganhar dinheiro. Mas como investir em um município que mantem o descaso e desrespeito com a saúde, direito assegurado constitucionalmente?

Minha impressão mudou completamente desde que necessitei de atendimento médico. Dói pensar que tantas famílias sofrem por não conseguirem uma consulta. O meu sentimento é de impotência, aliada a uma revolta sem tamanho. O corporativismo que impera no atendimento não deixa outra opção, a não ser chorar de raiva e de dor, inevitavelmente.

Há um mês tento marcar uma consulta com ortopedista e tudo em vão. A negligência médica não se resume apenas aos hospitais públicos (e nem é esse o foco do meu desabafo), digo isso com propriedade, pois luto com o Hospital Santa Rita para ser atendida por algum especialista da coluna e de forma particular.

Lá, em dias comuns, você tem que pegar uma senha às 13h para ser atendida às 15h. Mesmo com a espera, ainda iria se, de fato, isso acontecesse, mas não é bem assim... Cheguei às 11:45h e já não havia mais senha, pois o médico só atende quatro pacientes por dia. Em um dia de crise o plantonista solicitou uma ressonância magnética que detectou duas hérnias de disco e um nódulo na coluna. Encaminhou-me ao ortopedista e sabe o que aconteceu? ABSOLUTAMENTE nada.

Hoje, dia 17 de dezembro de 2012, fui mais uma vez buscar o atendimento, o que culminou no motivo de eu estar escrevendo esta carta. Cheguei ao hospital às 05:30h (isso mesmo), e já era a 7ª pessoa a ser atendida. O recepcionista só chegaria às 07h. Fiquei uma hora e meia esperando o funcionário para informar que os médicos entrariam de recesso nesta data e que não iriam agendar mais ninguém. Sou uma pessoa extremamente educada e comedida, entretanto, perdi a cabeça e dei gritos na recepção. Pedi para falar com o diretor do Hospital e, que surpresa!, o mesmo TAMBÉM estava de recesso.

Chorei, porque tudo o que já era tão doído se tornou ainda pior tamanha as barbaridades que vi. Pessoas com muletas, pernas e braços quebrados, pessoas idosas aguardando o atendimento e nada, uma verdadeira humilhação! E não me venham dizer que isso ocorre em todo o Brasil, pois as pessoas falam do Nordeste como lugar de seca, fome e miséria... Tudo bem que, infelizmente, em boa parte da região isso de fato aconteça, entretanto, lá a saúde pública não é tratada com tanto descaso e desrespeito... Nunca passei por nenhuma humilhação como tenho passado em Dourados.

Os mais críticos podem até dizer “já que aqui é tão ruim, volte para sua terra”. E é isso que pretendo fazer, pois lá ao menos eu tenho a certeza que por causa de médico, eu não morro. Esse desabafo existe para registrar a minha indignação frente a tudo isso, mesmo reafirmando que não acredito em mudanças reais.


(*)Karina Veríssimo

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