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NOVELA

Novo atraso nos repasses deixa pacientes sem atendimento de quimioterapia no HC

30 junho 2015 - 13h00

Pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) que necessitam de tratamento de quimioterapia no CTC (Centro de Tratamento do Câncer) – empresa terceirizada responsável pelo atendimento na ala de oncologia do Hospital Evangélico, também chamada de Hospital do Câncer - não estão recebendo o atendimento por falta de medicação.

De acordo com a direção do Centro, o motivo é o mesmo de meses anteriores, ou seja, o Hospital Evangélico, empresa responsável em repassar os valores, não teria depositado todo o montante destinado para a empresa.

Em média, são realizados diariamente mais de 20 procedimentos de quimioterapia no local, porém desde segunda-feira (29) esse número foi reduzido e oito pacientes foram dispensados.

“A quantia que recebemos até o momento foi de R$ 168 mil de um montante de R$ 707 mil. Sendo R$ 68 mil no dia 12 de junho e os outros R$ 100 mil na última sexta-feira (26). Os valores atrasados, hoje são de R$ 539.531, e com isso trabalhamos com o que tínhamos, mas com o atraso no pagamento não teve como pagar alguns fornecedores assim como comprar mais medicação”, disse a administração do hospital.

A questão do atraso no ‘repasse’ já é antiga. Segundo o CTC o problema acontece desde quando a empresa se tornou responsável em depositar o valor ao hospital.

Em janeiro deste ano o hospital ficou cinco dias sem realizar atendimento, na época o valor que estaria em atraso seria de aproximadamente R$ 1 milhão, conforme Mario Eduardo Rocha, um dos diretores do Centro.

O caso foi denunciado ao Ministério Público Federal e com isso foi assinado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), em que o HE se comprometeu em depositar o montante de R$ 200 mil para que os atendimentos voltassem a serem feitos.

A direção disse ainda que tem a previsão de que nesta terça-feira (30) sejam repassados pelo HE ao hospital uma quantia e espera que com isso consiga comprar os medicamentos que faltam.

“Ontem [segunda] oito pacientes foram dispensados, nós explicamos para eles o porque não receberiam o atendimento, que seria mediante o hospital não ter recebido e não teve como comprar medicação. Hoje eu não sei quantos terão que voltar e se não houver o pagamento não sei como vai ficar para os próximos dias”, disse o CTC.

Ofícios foram encaminhados para o Ministério Público Federal, Câmara Municipal e Secretária de Saúde, alertando sobre o atraso e os valores, segundo o Centro.

“O atraso no repasse varia de 10 dias até 30 dias ou mais, só não entendemos porque isso acontece já que o valor é repassado do Ministério da Saúde para a secretaria de saúde do município que então passa para o Hospital Evangélico. Esses atrasos geram transtornos para todos e quem mais sofre são os pacientes”, pontua a administração.

A reportagem entrou em contato com o Hospital Evangélico e com a Secretaria de Saúde por meio da assessoria de imprensa para que se posicionassem sobre os fatos. Por telefone, o HE informou que todo o acordado entre os dois hospitais está sendo feito e confirmou mais um pagamento nesta terça [não especificou a quantia].

Já a secretária de saúde disse que os repasses da Prefeitura de Dourados para o Hospital Evangélico estão em dia. Questionada se existe a possibilidade desses repasses deixarem de ser feitos através do HE, devido à crise econômica vivida pelo hospital e os constantes problemas apresentados, a administração municipal disse que legalmente o município não pode fazer o repasse diretamente da Prefeitura para o serviço terceirizado que foi contratado pelo Hospital Evangélico.

“Isso porque o contrato da Prefeitura é com o Hospital Evangélico, ele é a empresa habilitada pelo Ministério da Saúde para a prestação do serviço. A opção de terceirizar é do Hospital e, portanto, é uma negociação interna entre a empresa e o prestador de serviço terceirizado”, disse a assessoria.

CONTRATO COM HE ACABA EM DEZEMBRO

A assessoria disse ainda que o contrato entre o município e o Hospital Evangélico vence em dezembro deste ano e está prevista um novo processo licitatório na qual outras empresas poderão concorrer, caso atendam aos pré-requisitos necessários do órgão federal.

PACIENTES RECLAMAM

Entre os pacientes que ficaram sem receber atendimento está Amaro Rodrigues, que iniciaria o tratamento de quimioterapia na segunda-feira (29), porém ao chegar no hospital foi informado pela administração que não havia medicação para que ele pudesse fazer o procedimento.

“Ele está fazendo tratamento de câncer no fígado, fez as consultas e exames necessários e já iniciaria essa etapa do tratamento, mas ontem não foi possível. Essa questão de falta de dinheiro, de repasse é um descaso, o ser humano não tem mais valor”, disse Angélica Aparecida Rodrigues Gomes, 43, professora e filha do paciente.

O caso é ainda mais complicado para aqueles que já iniciaram o tratamento como João Cândido Leme, morador em Ponta Porã. Na segunda seria a terceira sessão de quimioterapia que iria fazer, e teme pelo atraso no procedimento.

“É complicado, isso pode alterar a questão do meu tratamento. Moro em outra cidade e tenho que me deslocar até Dourados. Fiquei das 07h às 10h esperando para fazer o procedimento e quando chegou a minha vez me falaram que não tinha como eu fazer pois não tinha uma medicação. Estou aguardado que resolvam logo o problema”, desabafa o paciente.



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