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DOURADOS

Candidatos à Reitoria da UFGD fizeram acordo antes da eleição

23 abril 2019 - 14h05Por Vinicios Araújo

Um acordo firmado entre os candidatos que disputavam a consulta pública para a Reitoria da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) foi provocado por pressão de sindicatos, segundo o eleito Etienne Biasotto. O compromisso obrigava os derrotados a não se inscreverem no processo oficial, junto ao Colégio Eleitoral da universidade, formando assim a lista tríplice a ser encaminhada ao Ministério da Educação (MEC).

Ele, que disputou a pesquisa com a atual reitora Liane Maria Calarge e Joelson Pereira, explicou que os representantes das classes emitiram um documento ao qual exigia que os derrotados não se apresentassem como candidatos ao Colégio Eleitoral, impedindo assim que ocorresse a possibilidade do MEC selecionar ‘um nome indesejado pela comunidade acadêmica’. 

O acordo foi cumprido, mas agora o Ministério questionou a integridade do processo e exigiu que ocorra uma nova eleição no Colégio Eleitoral a fim de que os nomes que integraram as chapas permaneçam na disputa pela reitoria. O nome selecionado passa pelo aval do presidente da República Jair Messias Bolsonaro. 

“Os sindicatos fizeram o documento para que os candidatos que participaram da consulta se comprometessem, se caso derrotados, a não fazer parte do Colégio. É importante deixar claro que isso não faz parte do processo eleitoral. Posso te falar com tranquilidade, os sindicatos fariam campanha contra as pessoas que não assinassem. Então elas assinaram”, disse. 

O acordo possibilitou que a definição da lista tríplice evidenciasse a chapa de Biasotto, incluindo outros dois nomes Jones Dari Goettert e Antonio Dari Ramos, ambos apoiadores de Etienne. Para o candidato eleito na consulta pública, esse fato não prejudica a integridade do processo eleitoral. “Só se inscreveu quem quis. Não teve nada de mais”, garantiu.

O Dourados News buscou contato com a atual reitora Liane Maria, mas ela dispensou o posicionamento e afirmou que irá se pronunciar apenas após a reunião do Colégio Eleitoral, agendada para amanhã (24). Joelson também foi acionado, mas as ligações não foram atendidas. 

PARECER

A Procuradoria Geral da União, por meio do procurador Jezihel Pena Lima, refutou os apontamento do MEC e garantiu que o processo eleitoral para a definição da reitoria durante os anos de 2019 e 2023 foi “juridicamente hígido
e hábil a produzir os efeitos que lhe são próprios”.

“A Universidade optou por seguir a legislação e aplicar ao caso a não vinculação do resultado da consulta para a formação da lista tríplice. Tanto isso é verdade que os autos estão a indicar que houve candidatos que, embora não tenham apresentado seus nomes no processo de consulta prévia, acabaram por se candidatar no procedimento realizado no colégio eleitoral, onde foi formada a lista tríplice. E houve, ainda, candidatos que concorreram no procedimento da consulta prévia mas deixaram de concorrer no colégio eleitoral”, justifica trecho do parecer.

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