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SHOWBIZ

Giselle Itié relata estupro aos 17 anos e desabafa após ser criticada

11 Janeiro 2017 - 13h07

A atriz Giselle Itié revelou que foi estuprada por um namorado quando tinha 17 anos e, após receber críticas nas redes sociais, publicou um desabafo em seu Instagram nesta quarta-feira, dia 11 de janeiro.

Em depoimento à revista "Glamour", divulgado na nesta terça-feira, a atriz contou que, quando tinha 17 anos, namorava um homem 15 anos mais velho – que não teve o nome divulgado – e tinha a intenção de se casar virgem. Durante uma viagem com a família dele, porém, o namorado a violentou depois de colocar alguma substância em sua bebida.

"Quando tinha 17 anos, fui estuprada pelo último homem que eu poderia imaginar", escreveu Itié. "Quando tinha 17 anos, o castelo caiu e fiquei soterrada. X me desejou boa-noite e me chamou de Cinderela. Acordei. Olhei para o lado e lá estava ele, dormindo. Olhei melhor e o vi nu. Susto. Me olhei. Nua. O chão forrado de garrafas vazias. Eu forrada de amnésia. Foi difícil sentar. Então vi o que eu já imaginava. Perdi a virgindade. Me perdi."

Após perceber o que havia acontecido, a atriz ficou em choque: "Como zumbi, fui para o chuveiro e tentei me limpar, tirar a sensação de sujeira. Embaixo da água, me senti de alguma forma protegida. E chorei. Me dei conta de que não era pesadelo quando escutei o X batendo na porta. Num dado momento, me levantei aos prantos e exigi, do outro lado da porta: ‘Quero ir para a minha casa agora!’. Ele tentou dizer que não dava e entrei em surto. X concordou em me levar."

Uma vez em casa, ela contou o que aconteceu para sua mãe, que mais tarde bateu no namorado. "Também vítima da sociedade machista, ela não sabia o que fazer. Se sentia culpada, teve medo de contar para meu pai, pois sabia que o mexicano iria atrás do X e a família Itié iria desmoronar. Por isso, decidiu não contar, e eu entendi. Mais tarde, ela foi atrás do X e bateu nele", contou.

Após o crime, a atriz contou com a terapia e o apoio da mãe para se reerguer, e acabou retomando o sonho antigo de ser atriz. "Total fênix. A imagem das princesas encantadas foi engolida. Eu me sentia o Hulk e contestava tudo que achava injusto, como a Mafalda", afirmou.

###Rebatendo críticas
O depoimento teve grande repercussão nas redes sociais e, nesta quarta, Itié contou em seu Instagram que recebeu críticas e comentários agressivos depois de relatar a violência que passou.

Em um novo texto, ela se defendeu e disse que é "frustrante" ver que muitas das críticas vieram de outras mulheres.

"Quando leio comentários de Mulheres julgando o abuso que sofri e/ou violência que a Mulher sofre todos os dias... Julgando como? Reagindo com insensibilidade e indiferença. Acreditando que a vítima ‘ajuda’ para que o agressor seja violento. Bem, é muito frustrante perceber esse tipo de reação, ainda mais de Mulheres. Percebo que as Mulheres Não Machistas também se sentem agredidas e de alguma forma se distanciam das Mulheres Machistas", escreveu.

Nos comentários da publicação, muitos seguidores elogiaram a atitude da atriz. "Parabéns pelas palavras", escreveu uma fã. "Apenas orgulho de você. Quando eu li aqueles comentários eu senti nojo e fiquei assustada e horrorizada, chorei ao me deitar para dormir porque eu me senti sufocada com aqueles absurdos", disse outra internauta.

###Leia abaixo o desabafo da atriz na íntegra:
Sobre os comentários agressivos e equivocados de Mulheres em relação à um texto que escrevi sobre um abuso sofrido por uma menina de 17 anos. Eu.

S O R O R I D A D E

É a união, a aliança FEMINISTA entre mulheres.

Feminista? É uma Pessoa que acredita na IGUALDADE de direitos entre Mulher e Homem.

Voltando para a ideia de irmandade, a Sororidade é muito importante para nós Mulheres combatermos a sociedade Machista.

Machista? É uma Pessoa que recusa a igualdade de direitos entre Mulher e Homem. Acreditando que o homem é superior à mulher.

Agora sim, voltando a Sororidade (ufa!)

Quando Nós Mulheres somos unidas e levantamos a bandeira à favor da nossa liberdade e igualdade de gêneros. Nós Mulheres nos tornamos mais fortes para combater a Sociedade Machista.

Quando leio comentários de Mulheres julgando o abuso que sofri e/ou violência que a Mulher sofre todos os dias. Julgando como? Reagindo com insensibilidade e indiferença. Acreditando que a vítima "ajuda" para que o agressor seja violento.

Bem, é muito frustrante perceber esse tipo de reação ainda mais de Mulheres. Percebo que as Mulheres Não Machistas também se sentem agredidas e de alguma forma se distanciam das Mulheres Machistas.

E eu me pergunto, cadê a Sororidade?

Mas não pergunto para essas Mulheres Machistas e Equivocadas. Pergunto para nós, Mulheres que se sentem agredidas pelas Machistas.

Cadê a Sororidade?

Para ajudar a me explicar, segue um texto do site "naomecalo.com" :

Lembra quando reproduzíamos um machismo ferrado ao falarmos que mulher tem que se dar o respeito? "Ué, não quer engravidar, que tome as devidas precauções, que não abra as pernas", "Nossa, vai sair com essa roupa? Está parecendo uma vadia!". Vamos fazer uma dinâmica? Fechem os olhos e tentem se lembrar da época em que não conheciam o feminismo, e quando até conheciam, mas achavam que era um movimento de mulheres infelizes e insatisfeitas com a vida. E aí, lembraram? Lembrem-se também do momento em que foram salvas, em que uma mão amiga foi-lhes estendida mostrando-lhes o caminho; de um artigo sobre feminismo lido após aquela manchete de feminicídio que ficou em sua cabeça por dias.

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