04/06/2012 06h28 -

Não sejam injustos

 

Waldir Guerra

Há dois anos usei este espaço para defender a saga dos agricultores gaúchos que desbravaram o cerrado brasileiro, implantaram o agronegócio, mas estavam sendo tratados como bandidos por ecologistas radicais. Hoje noto que, infelizmente, eles continuam sendo injustiçados.

As críticas aos grandes agricultores não lhes são devidas porque eles aderiram a uma conclamação do governo brasileiro: a de transformar o Brasil num celeiro do mundo. Toparam o desafio, foram em frente e venceram. Eles fizeram muito mais. Criaram novas cidades; dinamizaram a economia e a riqueza de muitos estados brasileiros, começando pelo Centro-Oeste.

Hoje o Nordeste e o Norte do Brasil também passaram a se beneficiar da agricultura mecanizada e enriquecem graças ao que ganham com a implantação das grandes lavouras de soja, milho e algodão.

As discussões acirradas dentro do Congresso Nacional entre deputados ecologistas e da Frente Ruralista na aprovação do novo Código Florestal, não causaram revolta neles, mas apenas expectativas, porque eles sabem ser ali o lugar certo para se discutir e decidir acerca desse assunto.

Há poucos dias mais uma crítica injusta, agora feita pela presença do senador mato-grossense Blairo Maggi convidado a proferir palestra na 48ª Expoagro e que produtores de um modo geral gostaram muito de ouvi-lo. Tentar desmerecê-lo lembrando que ele foi “agraciado” com o título de “moto-serra” por um programa de TV, desses que tenta ridicularizar pessoas, foi uma desconsideração. E não somente aos agricultores ali presentes, mas a todos aqueles que tanto fizeram para tornar o Brasil o maior líder mundial na produção de alimentos.

Uma injustiça a quem o país deve a possibilidade de exportar milhões de toneladas de grãos por meio de chatas pelo Rio Madeira, num empreendedorismo inédito no país.

Além do mais, os grandes agricultores, em sua maioria, concordam que muitos exageros no desmatamento foram cometidos. Muitas regras básicas descumpridas. Abusos contra a natureza. Coisas que, inclusive, precisam ser corrigidas. E agora é a boa hora com o Novo Código Florestal.

Mas partindo daí tentar, mais uma vez, assim como o MST tentou tantas vezes usar os grandes produtores como “bodes expiatórios” e simplesmente demonizá-los é injusto! Como é injusto culpá-los pelos erros cometidos por todos os produtores, quer sejam grandes, médios ou pequenos.

Até dados oficiais são apresentados distorcidos e injustos com os grandes produtores. Dados publicados, inclusive, na revista “VEJA” desta semana passada: – 50% (metade) da produção dos alimentos do Brasil é produzida pelos pequenos agricultores, incluindo agricultura familiar que para isso usam 90% dos 330 milhões de hectares de terras produtivas. Os grandes produtores produzem 34% (um terço) de toda a produção de alimentos usando apenas 3% (três) da terra fértil.

E são números oficiais fornecidos pelo IBGE, Ministério do Meio Ambiente, IPEA e CNA.

Duas questões poderiam ser feitas, numa análise primária dos números acima. Se os grandes ocupam apenas 3% da área agricultável das terras como podem ser culpados por todo o desmatamento no Brasil? A segunda questão, por que o governo não estimula os grandes a triplicarem suas áreas de produção e assim o Brasil, com 9% de suas terras agricultáveis nas mãos dos grandes produtores dobraria sua produção sem desmatar nada?

Claro, são duas questões impertinentes. Assim como impertinentes e injustas são as culpas jogadas somente sobre os grandes produtores pelos erros no desmatamento.

Que se discuta abertamente e lá mesmo, no Congresso Nacional, lugar correto para definir o que é melhor para o Brasil e que ambientalistas radicais não sejam injustos com aqueles que tanto se esforçaram e sofreram para que o Brasil se tornasse a potência que é hoje.

Waldir Guerra

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

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