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Tempos líquidos – curtir, compartilhar, publicar - hoje somos “Ícaro”

30 junho 2015 - 07h16

A sombrinha já não faz sombra, a lua passa por fotoshop nas redes sociais, os nossos olhos maquiados maquiam o tempo, o acontecido, o ver... Estamos sempre a correr. Velozes, mal percebemos o tempo fugaz ruir em nossos sonhos e pés.

Inventamos infinidades de “trecos” eletrônicos e nos tornamos vítimas do stress digital. Penso que o universo digital foi criado para nos libertar, não para nos aprisionar, estamos formando uma geração de pessoas mal humoradas e com síndrome da pressa.

Lembrando Lenine em sua música “Mesmo quando o mundo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma, eu sei a vida não para, a vida não para”... E lá vamos nós liquidificando o viver, nesse vai e vem frenético não temos tempo para nada e, uma das consequências e a impaciência.

A modernidade líquida termo apresentado e estudado pelo filósofo polonês (reside na Inglaterra) Zygmunt Brauman, nos mostra a época em que vivemos essa das relações humanas vitaminadas, tudo junto e misturadas engolidas sem sentir o real sabor. Uma época de liquidez, de fluidez, de volatilidade, de incerteza e insegurança. É nesta época que toda a fixidez e todos os referenciais morais da época anterior, denominada pelo autor como modernidade sólida, são retirados do palco para dar espaço à lógica do agora, do consumo, do gozo e da artificialidade. Vivenciamos tudo como se fosse apenas uma questão de escolher a melhor opção com vantagens é claro basta curtir, compartilhar e publicar. E assim corremos sob o manto do tudo junto e misturado... Confundindo e destruindo saberes e ao mesmo tempo (re)construindo saberes.

Deslumbrados hoje somos “Ícaro”. Para recordar Ícaro é o filho de Dédalo, um artesão famoso, patrono dos técnicos na Grécia Antiga. Dédalo colocou em seu filho Ícaro asas feitas de cera de abelhas e penas de gaivotas. O motivo? Para que eles, Dédalo e Ícaro, pai e filho, pudessem fugir da Ilha de Creta. Queriam escapar do labirinto onde estava o Minotauro, aquele metade homem e metade touro, e que se alimentava de carne de jovens atenienses.

A prudência do olhar, do “curtir” o local, modere o seu tempo foi dito pelo pai Dédalo que ao colocar as asas em seu filho Ícaro, aconselhou: “Filho, voe moderadamente. Não voe alto se não o sol derreterá a cera e você cairá. Não voe muito baixo se não as ondas do mar o apanharão ou então a umidade irá pesar suas penas e você não chegará ao seu destino”.

E os dois foram. Dédalo voou moderadamente e chegou ao destino, mas viu seu filho Ícaro em êxtase, deslumbrado com “a invenção” e quanto mais alto voava e se exibia, mais a cera derretia. Até que a cera derreteu totalmente e Ícaro caiu no mar.

Graduação em História, Especialização em Historia do Brasil e Mestre em Historia. – Agora Colunista do Jornal Dourados News.*


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