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COLUNA

Amplavisão

Manoel Afonso

Vaidade – irmã gêmea do poder

Amplavisão

05 abril 2019 - 07h55

O CAMPEÃO   Na avaliação do ex-deputado federal pelo PT Ben Hur Ferreira, dentre todos os nossos políticos desde a criação do nosso Estado , o ex-governador Pedro Pedrossian  foi a figura mais emblemática, diferenciada, o líder que mais se destacou - com luz própria - que não dependia de partidos, padrinhos  ou circunstâncias. Na criteriosa ótica de Ben Hur, Pedrossian  deixou marcas reconhecidas pela sociedade em todo o Estado. O melhor, o maior sem dúvida, é a opinião geral!

ESTÍLO Cada político ao seu modo, com variações sujeitas a influências diversas. O Secretário de Saúde Geraldo Resende (PSDB) – suplente de deputado federal -  por exemplo é conhecido por ser avesso a formalidades e protocolos nas suas relações.  Para o pessoal da área da saúde, a ficha parece ainda não ter caído para Resende que continua  agindo como se estivesse em pleno exercício do mandato parlamentar. 

A PROPÓSITO: O velho ditado de que ‘o uso do cachimbo acaba entortando a boca’ se aplica à alguns ex-políticos  e autoridades. No retorno ao ‘mundo real’ após o desfrute  das benesses do ‘paraíso’, eles tem dificuldade de adaptação. Sem status, às vezes são vítimas da amnésia  exigindo o direito de preferência - já prescrito  para eles. Ufa! A exemplo dos remédios – o poder também tem prazo de validade. 

A VAIDADE é irmã gêmea do poder. Um simpático morador que vira síndico pode mostrar sua outra face. É assim como o amigo no exercício de algum tipo de poder  você perceberá a presença dos sinais da vaidade – ainda que  ele use de subterfúgio para tentar escondê-la.  A humildade ou a modéstia são disfarces. Ora! Poder sem vaidade não existe. Pesquise na história da humanidade, na Bíblia em ‘Eclesiastes – 1,2-3’.

AFIRMAÇÃO do escritor argentino Ernesto Sabato vem a calhar: “A vaidade se encontra nos lugares menos esperados; ao lado da bondade, da obrigação, da generosidade. Faz me rir esses senhores que falam da modéstia de Einsten:  é fácil ser modesto quando se é célebre, quer dizer parecer modesto.” Aliás no filme ‘O advogado do Diabo’ fica a mensagem ao final: “A vaidade é meu pecado favorito”. 

ENFIM... Na ausência da humildade no exercício de qualquer poder aparecem  a arrogância e a vaidade como instrumentos da soberba. Aí  inexistem limites, gerando a ambição desmedida e a falsa ideia de impunidade. Essas prisões de ex-governadores e ex-poderosos da política nacional e local  são exemplos disso. Como bradava o personagem Sinhozinho Malta  na novela Roque Santeiro: “Tô certo ou tô errado?”

PAÍS MARAVILHA  Para o deputado Evander Vendramini (PP)  há uma rede invisível na administração pública que inibe iniciativas de mudanças para melhor. Sobre a questão da fiscalização federal das barragens das mineradoras, pela Agencia Nacional de Mineração,  o parlamentar lembrou da lei que protege os cartéis do transporte de passageiros. Tudo hermeticamente fechado. Alguém leva vantagem com as dificuldades representadas pelas leis reguladoras. É assim que funciona

IDÊNTICO é o mecanismo  que envolve os critérios para cobrar e reajustar os valores da energia elétrica. Nesta semana na Assembleia Legislativa a bronca foi geral contra a Aneel, que além de não recuar na cobrança das contas altas,  anunciou  reajuste de 12,48%. Conversei com os deputados José Carlos Barbosa (DEM), Marçal Filho (PSDB), Capitão Contar (PSL), Lídio Lopes (Patriota), Antonio Vaz (PRB) e  Lucas de Lima (SD)  e notei que a indignação pela causa era unânime. 

INTERROGAÇÃO Para qual direção os tucanos voarão após a derrota presidencial e a perda de grande parte da bancada no Congresso? Embora João Dória tenha vencido a eleição no Estado de São Paulo, é notório: ele não tem ligação efetiva com os caciques do PSDB.  As declarações do ex-governador Alckmin após encontro com o presidente Bolsonaro (PSL)  atestam: o partido está sem rumo.  

SEM SEXO?  Divididos no 2º turno presidencial de 2018, mais uma vez confirmou-se a tese irônica do ex-governador paulista Orestes Quercia (MDB), segundo a qual o “PSDB é um partido sem sexo”. O partido elegeu só 3 governadores, 29 deputados federais e 6 senadores em 2018.  Com os escândalos envolvendo  o deputado Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador Beto Richa (PSDB) do Paraná, João Dória é a figura mais importante dentre os tucanos.

TUCANOS-MS  Costura-se um acordo entre PSDB e PSD do prefeito Marcos Trad. O quadro ainda confuso mas sem riscos de motim. O governador Reinaldo (PSDB) tem sob sua batuta o ritmo do partido que vai mantendo boas relações com o MDB, DEM, PT e outras siglas com representação na Assembleia Legislativa  presidida por um deputado do PSDB, Paulo Correa.  

ELEIÇÕES  municipais são diferentes das outras. O universo é menor e aí os seus personagens tem maior visibilidade e também estão mais expostos, positivamente ou negativamente aos olhos implacáveis da opinião pública. Aquelas praticas de antes como compra de votos ou ameaça ao eleitor estarão sob a mira das câmeras dos celulares. Um perigo!

CAPITAL   Duas fases distintas: antes e depois da vitória de Alcides Bernal (PP). A vitória dele mostrou a insatisfação do continuísmo daquele grupo que mandava, mas seu fracasso administrativo mostrou  que a emoção não pode influenciar o cérebro (razão) na escolha do administrador. Essa hecatombe vai funcionar como argumento  contra os pretendentes neófitos, ainda que sob a bandeira da renovação ou salvadores da pátria. Se o presidente Bolsonaro (PSL) não for bem, será outro fator influenciador negativo. 

FALA MANSA  Quem estaria costurando o retorno ao cenário político é o ex-senador Delcídio do Amaral (PTC). Convidado pelo PTB do deputado estadual Neno Razuk, Delcídio poderia disputar a prefeitura da capital. Mas pelo visto  já estaria havendo atropelamento da notícia. O PTC já reagiu! Pelo sim pelo não, a presença de Delcídio daria uma pitada de charme na campanha. Mas pergunto: qual é mesmo o grupo político do ex-senador? Sem grupo forte é difícil!

DR.ODILON  Sem volta! Comprou o bilhete para Corumbá quando o destino do trem era Três Lagoas. Não conseguiu ser maior do que as contradições de seus companheiros de campanha e do próprio partido (PDT). Passado tanto tempo - não reapareceu em público para fazer uma análise política daquelas eleições. Simplesmente manteve-se encolhido num significado de rendição de sua luta. Tenho dúvidas de que seu filho, o vereador Odilon Jr. consiga reunificar o grupo e atrair mais gente de peso e voto. 

NELSINHO  Pode ser o grande eleitor das eleições de 2019, notadamente em Campo Grande. Sua influência no Governo e a agilidade que vem demonstrando na ocupação de espaços tem sido duas surpresas agradáveis em seu comportamento. O dedo do senador do PSD pode destravar verbas e projetos importantes para o Governo do Estado e capital.  Diferentemente do PSL e MDB, ( das duas senadoras) o interesse político  de Nelsinho se encaixa no projeto de seu partido com o PSDB de Azambuja. Certo?

TEMPOS DIFÍCEIS: Ex-assessor parlamentar não mediu palavras no saguão da Assembleia Legislativa referindo-se ao ambiente intestinal do MDB. Segundo ele pesariam as dificuldades na atração de novas lideranças devido as investigações policiais mirando emedebistas, dentre eles o ex-ministro Moreira Franco, o ex-governador Puccinelli e o ex-presidente Temer.  Jogar a toalha e a ser apenas coadjuvante na sucessão da capital seria uma das hipóteses na mesa. 

‘NOVOS TEMPOS’   A declaração emblemática é do ex-senador Romero Jucá – presidente do MDB – após o encontro com o presidente Bolsonaro (PSL) nesta quinta feira: “ É preciso construir uma nova modelagem na relação política.  A antiga modelagem foi vencida pelas urnas”. Se o veterano político  que serviu aos Governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Lula (PT) chegou a essa conclusão, é sinal de que o eleitor deve ser levado a sério daqui pra frente.  

FOLCLÓRE   Os vereadores Carlos Lacerda e Ivete Vargas travavam um bate boca no legislativo carioca quando ela disse que ‘Lacerda não passava de um purgante’. Ele, rápido de raciocínio rebateu: “ e vossa excelência é o efeito”.  Outro episódio: Um deputado chama outro de “beócio”. O outro se defendeu com classe: “Se beócio for elogio, agradeço e retribuo, mas se for xingativo, beócio é a mãe de vossa excelência.”

A DÚVIDA  transformada em pergunta. A propalada proibição do consumo do Narguile em ambientes públicos – pela Câmara Municipal  de Campo Grande está no centro desta interessante polêmica. Mas com a capital ocupando uma extensa área territorial, como seria feita essa fiscalização nestes espaços públicos? Acho que a lei tem tudo para ser incluída no rol daquelas que ‘não pegam’. 

O Brasil é realmente muito amplo e luxuoso. O serviço é que é péssimo. (Millôr Fernandes)

 


 

 

 

 

 

 

 

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