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COLUNA

Saúde

Fernanda Viana

Desperdício de alimentos: o que eu tenho a ver com isso?

E-mail: contatonutrifernanda@gmail.com

19 agosto 2019 - 00h03

A redução dos desperdícios de alimentos é um tema que tem interessado diversas instituições de pesquisa, com destaque, no caso brasileiro, para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Recentemente uma pesquisa realizada pela Embrapa com o apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que ainda persiste no Brasil a cultura do desperdício. 

O gosto pela fartura, desde a ida ao supermercado até o preparo das refeições, e a preferência por comida fresca à mesa faz com que cada brasileiro jogue mais de 40 kg de alimentos no lixo todos os anos. Os produtos mais perdidos são arroz - 28,33kg -, carne, com 25,76kg, feijão, com 20,60kg, e frango, com 19,32kg. O leite completa a lista dos principais alimentos jogados fora, com 5,15 litros anuais.  

O costume de fazer uma grande compra depois de receber o salário e encher a despensa faz com que as famílias preparem porções muito grandes e não aproveitem as sobras. Esses fatores comportamentais estão associados à valorização da abundância, da preferência por uma comida “fresquinha” e até por haver certo preconceito com sobras de refeição, a “comida dormida”.  

Vale destacar que, como trata-se de uma média, não significa que todos os brasileiros jogam fora estes volumes. A pesquisa mostra que há tanto famílias que desperdiçam pouco quanto outras que desperdiçam muita comida, e os fatores comportamentais explicam a variação.

Mas o que nós temos a ver com isso? Como indivíduo, devemos fazer a nossa parte para evitar o desperdício de alimentos. Confira e adote práticas mais conscientes na sua casa, veja alguns exemplos:

- Comprar bem: fazer uma lista para ir ao supermercado sabendo previamente o que comprar. Tomar cuidado com promoções e vendas em atacado para não adquirir itens em excesso e não os utilizar. Prefira os alimentos da época, pois possuem melhor qualidade (maior durabilidade, maior teor nutricional e menor quantidade de agrotóxicos), além de apresentarem preços mais acessíveis;

- Conservar bem: guarde os alimentos em locais limpos e em temperaturas adequadas para cada ingrediente. No caso de sobras, armazenar na geladeira ou no freezer e etiquetar os recipientes para saber até quando o alimento pode ser consumido. 

- Higienizar bem: todas as frutas, verduras, legumes, cascas, talos, sementes e folhas devem ser lavados um a um, em água corrente; então, devem ser higienizados em solução de hipoclorito de sódio (seguindo instruções de uso na rotulagem) por aproximadamente 15 minutos para eliminar microorganismos.

- Preparar bem: no momento do preparo seja criativo. Não jogue fora as partes não convencionais, utilize na própria ou em outras receitas. Prepare apenas a quantidade necessária para as refeições da sua família. Faça uma média da quantidade de porções por pessoa e, caso haja sobras, armazene-as em geladeira para utilizar em outras refeições.

No mais, o desconhecimento das propriedades nutricionais dos alimentos e também a questão cultural, fazem com que muita comida seja jogada fora em um país onde muitos ainda passam fome. Sabemos que o Brasil é um país muito desigual, e a comida sinaliza riqueza. Famílias que enfrentaram pobreza no passado, por exemplo, tendem a gostar de preparar uma mesa farta, como forma de mostrar que vivem tempos melhores. 

Saiba que: as famílias que desperdiçam pouco não são necessariamente as mais pobres, mas as que adotam hábitos de consumo mais sustentáveis.

*Especialização em Nutrição Esportiva, Terapia Nutricional, Nutrição Clínica e Fitoterapia - CRN3 27940. Escreve para o Dourados News. 

 

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