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COLUNA

Amplavisão

Manoel Afonso

As operações policiais e os reflexos nas urnas

10 julho 2015 - 14h50
GIROTO Desastrosa para suas pretensões políticas a cinematográfica operação ‘Lama Asfáltica’. O que se apura depois não reverte os estragos no imaginário popular. A saída do Ministério dos Transportes foi impensada. Um tiro no peito que já sangra.

REFLEXOS Quais os outros políticos que serão atingidos com as denúncias a apurar? O empreiteiro Amorim é irmão da deputada Antonieta, ex-mulher de Nelsinho. Amorim é o chamado ‘rei da mata’ no setor das empreiteiras. Não é ingênuo ou imbecil.

O HISTÓRICO das operações da Polícia Federal tem aplausos do povo e críticas dos políticos. A Roseana Sarney ( em 2002) que o diga! No caso, pelas relações de Amorim com André, Nelsinho e Marun, haverá exploração política pelos adversários.

DETALHE As brechas nas leis beneficiam os acusados e suspeitos em geral. Aliás o nosso sistema processual zela por ‘eventuais injustiças’ e a questão moral no Brasil fica em segundo plano em relação ao direito. Essa tem sido a ‘porta de escape’.

PREVISÕES O programa eleitoral em 2016 promete! Vão usar as fotos e manchetes de jornais das denúncias contra figuras petistas na ‘Lava Jato’ e dos envolvidos na ‘Lama Asfáltica’. Mais uma vez: faltarão propostas, sobrarão baixarias.

OBSERVANDO Em recente entrevista o senador Delcídio criticou a cassação do mandato de Bernal, ensejando comentários nos bastidores. Um deles interessante; seria um flerte comprometedor com promessa de troca de alianças inclusive.

EXPLICO Com a possível saída de Ayache do PT e o desempenho fraco de todos os outros ‘companheiros’ nas pesquisas, o partido poderia indicar o candidato a vice na eventual chapa encabeçada por Bernal. A tese não deixa de merecer reflexões.

AYACHE Representaria o novo petista ? Hoje seu maior adversário seria a imagem do PT. Pela sua profissão e padrão de vida social, o discurso dele seria diferente do habitual - daquele que ‘ataca a elite’, a quem - aliás - ele Ayache pertence.

REPITO Os partidos mais iguais do que nunca. É puro pragmatismo por resultados através de bons cargos e liberação das emendas parlamentares. Alias, as relações de lideranças partidárias com as empreiteiras vieram à tona na ‘Lava Jato’.

A PROPÓSITO Se analisarmos a extensa lista de políticos e partidos beneficiados pelas empreiteiras da ‘Lava Jato’, acaba-se concordando com a tese do senador Delcídio de que não haveria exceções nesta pratica. É o exemplo do ‘jeitinho brasileiro’.

A VERDADE O gasto das campanhas é maior do que é declarado na justiça. Portanto, é utopia acreditar também que o maior gasto para o cargo de prefeito da capital em 2016 não seja superior a 50% dos R$9,9 milhões gastos por Giroto em 2012.

A REFORMA política aprovada agora na Câmara é fantasiosa pelos critérios adotados na fixação dos gastos, baseando-se no que foi investido ‘oficialmente’ pelos candidatos nas últimas eleições municipais e estaduais. Como se diz: só para inglês ver.

NA PRÁTICA os candidatos terão que aferir qual foi o maior gasto declarado na justiça no pleito de 2012. Os postulantes a prefeito não poderão superar 50% daquele gasto; já os vereadores se limitarão a 70% do candidato que mais gastou.

PRESTAÇÃO de contas de campanha política no Brasil - um país onde nada é levado a sério – é surrealista. Se nossos competentes contadores driblam até a temida Receita Federal, não é diferente no acerto com a justiça eleitoral. Tiram de letra.

REINALDO Sua posição é privilegiada neste tiroteio. Vai tocando seu governo sem reinventar a roda e mantém boas relações com a bancada federal e o Planalto. Seu maior patrimônio é a credibilidade que ainda não sofreu desgastes.

ENFRENTAMENTO Será o grande desafio para o próximo prefeito de Dourados. Só com disposição e preparo será possível sepultar as velhas praticas que só atrapalharam a cidade. À iniciativa privada os méritos pelo estágio que a cidade alcançou.

PATRONO? Nas entrelinhas das conversas do deputado Zé Teixeira, há sinais de que ele não defende a sua candidatura. Quer sim viabilizar alguém que efetivamente reúna aqueles predicados citados no tópico anterior para recolocar a cidade nos trilhos.

NEM PENSAR Conchavos e negociatas só para vencer estão fora dos planos de Zé Teixeira. Aliás, ele conta com o aval irrestrito do governador Reinaldo e Murilo para oxigenar o quadro, com um nome que tenha crédito e imponha respeito.

INTELECTUAIS Vivem noutra galáxia e falta-lhes o pragmatismo indispensável na política, como o ministro Mangabeira Unger que esteve em a nossa capital. É citado na mídia mais pelas críticas que recebe, do que pelas suas ações positivas.

UMA FIGURA Tenho dúvidas dos reais benefícios a curto prazo da vinda do prolixo ministro, ex-professor em Harvard. Seus projetos são a longo prazo, contrastando com as reivindicações de caráter urgente denunciadas pelo governador Azambuja.

SEGURANÇA A opinião pública acha mesmo que o Exercito deveria retomar aquele papel que fazia com simplicidade e competência na fronteira. Na visita do Temer ficou a impressão de que o sistema ideal prometido vai demorar para funcionar.

LAMENTÁVEL O ministro Cardoso – da Justiça – não quer e não tem poderes para solucionar a questão das terras invadidas pelos índios no MS. Portanto será pura perda de tempo esse encontro de terça feira com o ministro. Só holofotes e blá blá blá.


‘O poder é o camaleão ao contrário: todos tomam a sua cor’. ( Millôr Fernandes)*



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