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O eu perdido e o pêndulo de foucalt

16 junho 2015 - 07h47

Há muito não converso comigo, não ouso o som de minha voz em meu coração...

Somente mil perguntas bailam em minha mente. Fico perguntando onde foi que parei de me olhar? Ou melhor, quando foi? Desde sempre?

Faço um esforço tento rever momentos importantes da minha vida, momentos mágicos de sonhos e de realizações quais foram? Quantos foram? Conseguirei nomea-los? Importa a quantidade ou a qualidade?

Em que chão depositei meus chinelos para ir repousar? Qual a colcha que agasalha hoje os meus sonhos? Há quanto tempo não ouso as canções que teceram os fios do meu eu?

Um choro sentido tudo junto e misturado à ficção com a realidade o vivido e não vivido, a vida chegando pra fechar uma conta que não se fecha. A pressa e calma... O sonho do novo e o velho, a exatidão dos próprios limites, o fio tênue da razão e do desperdício... O fio invisível da loucura e da fé.

Em plagas me perdi? Há dias me faço essa mesma pergunta? Quanto tempo do meu dia é dedicado a mim?

Não estou conseguindo diferenciar o que é prioritário, urgência ou supérfluo... Na correria atual passamos pela vida sem ver... Sem ver o outro... Sem ver o céu... Sem ver a nós mesmos... Por isso hoje quando me sinto... Sinto um cheiro de alfazema e tenho saudades de mim.

Distribuir meu tempo entre afazeres de fato imprescindíveis dos afazeres postergáveis... Ontem hoje e o agora, mas parece triangulo amoroso mal resolvido, como um pêndulo balanço a vida e tento fugir do Pêndulo de Foucault.

No livro O Pêndulo de Foucault, Umberto Eco elabora um rebuscado embate de palavras com o filósofo francês Michel Foucault para demonstrar o movimento de rotação da terra e nesse diálogo ele apresenta sociedades secretas envolvidas em um suposto plano cuja finalidade seria governar a humanidade.

Com que propósito defendemos nossas posições? Qual é a nossa unidade comum? À medida que o tempo passa e vamos criando personagens nos adequando ao socialmente aceito, focados somente na luta pela sobrevivência vamos vivendo sem escolher caminhos, sem enxergar com clarezas os nossos objetivos. Lutamos por valores que não são reais, remuneramos todos os dias o capital, fortalecendo “as sociedades secretas” que governam a humanidade. Atualmente vivemos uma febre de conspirações.

Vamos gerindo consequências com nossos atos e com nossas conversas espalhadas cotidianamente. Comum ouvir que hoje temos programas de alimentação que o principal propósito é o lucro e não o nutrir, políticas de transportes cujo principal também é o capital e não a mobilidade e por ai a fora... Corrupção. Sabemos, falamos, porém não sentimos mais. Os sentimentos estão anestesiados, e cada um vive preso as suas grades.

No jardim dessa sociedade ávida por rituais, poder e domínio o meu eu perdido mergulhado esmagado esmigalhado nas malhas fantasticamente neoliberais está. Não sei se me enforco ou se faço um “balanço” nas cordas do pêndulo que nos leva ou se volto a brincar como criança. Em tempo prefiro sobreviver... Sabendo que uma “alegria crispada é mais triste que uma tristeza confessada”.


Graduação em História, Especialização em Historia do Brasil e Mestre em Historia. – Agora Colunista do Jornal Dourados News.*




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