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O dinheiro do caixa eletrônico, por Dirceu Gonçalves

03 junho 2011 - 08h20

Mais uma preocupação acaba de ser colocada nas costas do brasileiro. Além do cuidado para não ser atacado por ladrões nas saídas dos bancos ou de sofrer outros tipos de violência (até morrer) pela ação daquele que querem subtrair seus valores, os cidadãos ainda têm de se preocupar com o dinheiro pintado. Isso porque um sistema já instalado em 12 mil caixas eletrônicos em todo o país mancha as cédulas quando o equipamento é violado através de explosão. Mesmo que os ladrões levem as cédulas, manchadas, elas perderão o seu valor legal e a aceitação como meio circulante. Quem pegar uma nota nessas condições, terá de levá-la ao banco, trocá-la por um recibo e ficar esperando pela perícia do Banco Central quanto à sua autenticidade e licitude.

O BC e a rede bancária estão alertando a população para essas restrições. A medida restritiva enche de dúvidas muitas pessoas, especialmente a menos letradas. Principalmente porque é apresentada como solução do problema do assalto aos caixas eletrônicos quando, na verdade, é apenas um paliativo para o banco, não para o cliente, que continua com todos os incovenientes da falta de segurança, agora acrescido da possibilidade do dinheiro que chegar às suas mãos não ter valor.

Melhor do que pintar o dinheiro de forma que, mesmo marcado, ele pode ser levado pelos ladrões, os caixas eletrônicos deveriam ser equipados com algo que inutilize as cédulas em caso de violação. Com a certeza de não poder lançar mão dos valores, os ladrões deixariam de atacar esses equipamentos. Restaria, então, aos bancos, às polícias e à própria sociedade providenciar os meios de garantir a segurança no entorno das casas bancárias para evitar que os ladrões ataquem a clientela entres de depositar ou depois de sacar o dinheiro.

O governo, pelo Banco Central, tem a missão de garantir o meio circulante da economia. O dinheiro disponível para a realização de negócios, pagamentos de salários e serviços, recolhimento de tributos e tudo o mais é propriedade da instituição que o disponibiliza à sociedade por meio da rede bancária. Além da moeda propriamente dita, o governo tem de garantir a segurança para seus usuários e, se não o fizer, está errado. Cada violação de caixa eletrônico, ou assalto a estabelecimento ou pessoa é uma agressão e uma perda à sociedade. Aqueles recursos deixam de cumprir sua finalidade social e alavancam o anti-social. Por causa disso é preciso agir.

Governo, bancos, empresas e instituições têm de empregar toda a tecnologia e conhecimentos para dar a necessária segurança ao dinheiro e, com isso, criar condições para seu legitimo dono utilizá-lo na produção de riquezas e na promoção do bem-estar da população. Essa mesma segurança, para ser boa, deve agir com o propósito de aniquilar todas as transações criminosas, sejam elas à mão armada ou resultantes de ardis ou falcatruas. Há que se proteger o cidadão, e valorizar o dinheiro limpo e, ao mesmo tempo, destruir sem dó o que for resultante de atividades ilegais ou fraudulentas. Essa também é uma forma de promover o desenvolvimento nacional. Vamos a ela...

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br

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