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Leia "Para onde vai a liberdade sexual?", por Dom Redovino

07 Dezembro 2012 - 09h17

Quando não se sabe para onde ir, todo caminho é bom! Lembrei-me deste provérbio ao refletir sobre um fato bastante recente, e até então inusitado, envolvendo uma jovem brasileira, que leiloou a própria virgindade. “Até então”, porque, em seguida, dado o destaque obtido na imprensa internacional, o exemplo foi seguido por outras pessoas, de ambos os sexos. Para a moça catarinense, «tudo se reduz a um negócio, com uma grande compensação»: em torno de um milhão e meio de reais.

Um caso entre milhares de outros que demonstram a banalização a que pode ser reduzida a sexualidade e, como consequência direta, o crescimento vertiginoso da desestruturação familial e dos crimes de estupro e pedofilia. Infelizmente, a violência sexual de adultos contra mulheres, adolescentes e crianças está na ordem do dia, fruto da desmoralização de uma sociedade que tudo permite e incentiva, para, em seguida, fingir se escandalizar quando os frutos são os que todos conhecemos.

De uns anos para cá, a erotização provocada por filmes e novelas, músicas e internet – e até mesmo por autoridades políticas e educacionais ao incentivarem a distribuição de camisinhas nas escolas – está levando adolescentes e crianças a práticas sexuais cada vez mais precoces e, o que é pior, a delitos contra colegas da mesma idade.

Mais grave ainda é a reviravolta operada pela permissividade na psicologia e na consciência moral de crianças, jovens e adultos. Um caso concreto é a “Lei Maria da Penha” que, se não for acompanhada por uma profunda conversão moral e cultural, acaba mais uma hipocrisia inventada pela sociedade: com efeito, primeiramente, os homens são incentivados a fazer valer seus direitos de domínio e as mulheres a recorrerem a todas as técnicas de sedução – pois a liberdade está sempre do lado do mais forte; em seguida, as feministas se sentem no dever de sair por aí gritando contra a exploração de que se julgam vítimas! E quem não sabe que os problemas afetivos e emocionais transbordam para o campo social, econômico e político? Onde não existe autodomínio na sexualidade, dificilmente existirá em outros setores.

O próprio fato de a maior parte das mães terem que trabalhar para sustentar a família, colabora para essa perda de rumo e de sentido que afeta hoje grande parte da humanidade. As crianças ficam sozinhas em casa e passam horas a fio assistindo televisão ou presas na internet. Pior ainda, há pais que, para se sentirem mais livres em seus programas, subjugam seus filhos a essa escravidão “virtual”, que jamais poderá prepará-los para a vida que os espera. Quem ainda sabe “perder” tempo conversando e brincando com seus filhos?!

A permissividade invadiu até mesmo os templos que, no passado, eram vistos como “casas de oração”. Detenho-me na Igreja Católica, que mais conheço. Há missas e casamentos em que se percebe claramente que, quem manda na moda, não é Deus, mas o “Maligno”. Se é verdade que a roupa que vestimos – ou deixamos de vestir – traz consigo uma mensagem (que nem sempre é subliminar!), então precisamos reconhecer que o profano tomou o lugar do sagrado! E quando isso acontece, salve-se quem puder! É o mundo visto e previsto por São Paulo: «Todos os que querem viver na santidade em Cristo Jesus, são perseguidos. Enquanto isso, os depravados e impostores progridem no mal, enganando e sendo enganados!» (2Tm 3,12-13).

A vida é bela e importante demais para ser levada na brincadeira. Já que se vive uma vez apenas, é mais prudente lembrar da advertência do mesmo Apóstolo aos primeiros cristãos: «Não se iludam: nem os injustos, nem os libertinos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os beberrões, nem os corruptos, nem os estelionatários fazem parte do Reino de Deus» (1Cor 6, 9-10).

A verdadeira liberdade tem sempre como ponto de referência o “outro” (começando pelo “Outro”, Deus), jamais o “eu”: «Vocês foram chamados à liberdade. Cuidem, porém, que ela não se torne uma desculpa para satisfazerem seus instintos egoístas. Pelo contrário, coloquem-se a serviço uns dos outros no amor! Pois toda a Lei encontra a sua plenitude num só mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo!”» (Gl 5,13-14).






Dom Redovino Rizzardo, cs

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