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Leia "Natal? Só para os pequenos!", por Dom Redovino

21 dezembro 2012 - 10h07

Em novembro de 2009, a convite do Caminho Neocatecumenal, participei de uma convivência na Terra Santa, juntamente com uma centena de outros bispos do Brasil. Como parte da programação, visitamos a igreja construída sobre o local onde nasceu Jesus, em Belém. Por distração ou inadvertência, ao deixar o templo, bati com a cabeça na enorme pedra que funciona como batente superior da minúscula entrada, pancada que se transformou numa dolorosa lembrança por vários dias.

Dois anos após, na homilia que pronunciou na noite de Natal de 2011, o Papa Bento XVI explicou o que me acontecera: «Hoje, quem entra na igreja da Natividade de Jesus, em Belém, percebe que o portal que outrora tinha cinco metros e meio de altura, por onde entravam no edifício os imperadores e os califas, foi quase totalmente fechado, tendo sobrado apenas uma porta de um metro e meio de altura. Tomou-se essa medida para proteger melhor a igreja contra eventuais assaltos, mas, sobretudo, para evitar que se entrasse a cavalo na casa de Deus».

Os fatos podem ser corriqueiros, mas a conclusão apresentada pelo Papa é magistral: «Quem deseja entrar no lugar do nascimento de Jesus deve inclinar-se. Parece-me que nisto se encerra uma verdade mais profunda, pela qual nos queremos deixar tocar nesta noite santa: se quisermos encontrar Deus manifestado como menino, devemos descer do cavalo da nossa razão "iluminada". Devemos depor as nossas falsas certezas, a nossa soberba intelectual, que nos impede de perceber a proximidade de Deus. Devemos seguir o caminho interior de São Francisco: o caminho rumo àquela extrema simplicidade exterior e interior que torna o coração capaz de ver. Devemos inclinar-nos, caminhar espiritualmente por assim dizer a pé, para podermos entrar pelo portal da fé e encontrar o Deus que é diverso dos nossos preconceitos e das nossas opiniões: o Deus que se esconde na humildade de um menino recém nascido».

Eis porque muitos não conseguem acolher as realidades da fé: são grandes demais. A cultura, o dinheiro e o poder (de quem se tornam escravos) criam neles complexos de superioridade. Não conseguem ser simples e humildes. Foi a eles – ou seja, a todos nós – que Jesus se dirigiu ao verificar com que ansiedade os apóstolos procuravam os primeiros lugares: «Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como uma criança, este é o maior no Reino dos Céus» (Mt 18,2-4).

Precisamente pelo fato de serem pequenas é que as crianças buscam refúgio, segurança e apoio nos braços do pai e da mãe. Não se sentem machucadas ou inferiores por isso. A exemplo de São Paulo, sabem tirar proveito da situação: «Com muita alegria me orgulharei de minhas fraquezas, para que possa agir em mim o poder de Deus. Pois, quando sou fraco, então é que sou forte» (2Cor 12,9-10).

Voltar a ser pequeno: eis o caminho para quem deseja entender e viver o sentido do Natal. Não permitir que a criança que se oculta em cada adulto seja envenenada pelos ídolos de uma sociedade que promete mundos e fundos a quem “está por cima”, mas o resultado é o que todos conhecem: corrupção, violência e frustração.

O que o Natal pede é uma constante conversão, como entreviu Chiara Lubich: «Natal, Natal! Quantas vezes te festejamos com alegria pura e calor sem par! Mas o nosso coração anda tão empedernido pelo frio do mundo que não conseguiste gravar nele, como se devia, a tua mensagem misteriosa e incrível: Deus nos ama um a um e todos juntos.

O seu amor nos envolveu de tal modo que inspirou a Trindade Santa a mandar até nós o Filho de Deus feito homem para que o nosso breve caminhar terrestre fosse desde já iluminado pela Luz que não conhece ocaso, e o absurdo morrer desta vida se transformasse em simples passagem para a vida mais plena e eterna.

Natal, que ao menos neste ano tu digas aos nossos corações o que queres dizer. Estamos aqui prontos para acolher a tua voz!».

Mais do que uma data, o Natal é um estado de espírito, o mesmo que transformou a “pequena” Teresa do Menino Jesus numa “doutora da Igreja”: «O meu caminho é a infância espiritual. Sou muito fraca para subir a íngreme escada da santidade. Prefiro tomar o elevador da confiança absoluta e da entrega total a Deus».




Dom Redovino Rizzardo, cs

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