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Leia "Carlos Magno contesta Bento XVI", por Dom Redovino

14 dezembro 2012 - 08h57

Pois não é que, ultimamente, até Carlos Magno se insurgiu contra o Papa Bento XVI? Foi o que verifiquei na semana passada, como consequência do artigo que publiquei sob o título “Para onde vai a liberdade sexual?”. Nele, eu nada fazia senão repetir o que todos já sabem: «De uns anos para cá, a erotização provocada por filmes e novelas, músicas e internet – e até mesmo por autoridades políticas e educacionais ao incentivarem a distribuição de camisinhas nas escolas – está levando adolescentes e crianças a práticas sexuais cada vez mais precoces e, o que é pior, a delitos contra colegas da mesma idade. Mais grave ainda é a reviravolta operada pela permissividade na psicologia e na consciência moral de crianças, jovens e adultos».

Carlos Magno aproveitou do que escrevi para sair de seu túmulo em Aachen, na Alemanha, e, através de um seu xará brasileiro, desfilar suas mágoas contra a Igreja: «A deteriorização da família é fato muito antigo. Dentro de sua instituição, Dom, ela foi praticada por papas, que tinham várias mulheres, e por padres pederastas, inclusive com o “conluio” do papa atual, que tinha o dever de zelar. Mas, o que esperar de um papa nazista? Tudo que o Sr. fala, apesar de ser algo escrito por alguém que tem conhecimento, é mera retórica. A única diferença de antes é que, agora, nós sabemos. E não de tudo, pois deve haver muita coisa escondida debaixo das batinas!».

Pelo que sei, o Carlos Magno europeu (742/814) se demonstrou sempre católico fervoroso e grande defensor da cristandade. Rei dos Francos e Imperador do Ocidente, é considerado o maior soberano da Europa medieval. Acreditando que recebera seu poder de Deus para colocá-lo a serviço do cristianismo, recorreu a todos os expedientes – inclusive à força militar – para agrupar na unidade da fé os povos e os territórios que conquistou. Seu prestígio junto ao povo foi tão grande que, na Suíça, encontrei uma capela que o escolheu como padroeiro, apesar de nunca ter sido proclamado santo pela Igreja.

O Carlos Magno brasileiro pensa diferente. Esquecendo que cada um vê o mundo com os olhos que tem, ele se detém nos “negativos” da Igreja. Que sempre existiram e sempre existirão. Desde o tempo de Jesus foi assim. Um de seus apóstolos o renegou e outro o traiu. Mas, qual é a instituição que não tem os seus “podres”? Não posso negar: dentre os 263 papas (ou 265, pois há dúvidas sobre o seu número exato) que, até hoje, governaram a Igreja Católica, muitos não estiveram à altura do cargo que ocuparam. Em contrapartida, outros 80 são reconhecidos como santos ou bem-aventurados.

Nada sei sobre as escolhas éticas do Carlos Magno brasileiro. Se só pode jogar pedras na casa do vizinho quem não tem telhado de vidro, oxalá ele esteja acima das fraquezas que atingem o ser humano! Mas, não se pode negar: suas palavras refletem os preconceitos e a aversão de amplos segmentos da sociedade contra a Igreja. “Papa nazista”? Joseph Ratzinger nasceu numa família vigiada pelo nazismo e, em 1942, aos 16 anos, quando foi incorporado compulsoriamente no exército, manifestou de tal forma a sua contrariedade que, dois anos após, foi dispensado e enviado a um campo de trabalho, donde conseguiu fugir pouco depois.

Quanto ao “conluio” mencionado por Carlos Magno, penso que se refira à acolhida dada pelo papa atual, em 1980, como arcebispo de Munique, a um sacerdote de outra diocese que o procurava para ser acompanhado por um psicólogo e se libertar da pedofilia. Ou, então, a um padre dos Estados Unidos, de cujos antigos e numerosos escândalos sexuais o Vaticano só soube em 1996 (dois anos antes de sua morte), quando o Cardeal Ratzinger presidia a Congregação para a Doutrina da Fé.

“Muita coisa escondida debaixo das batinas». Desde os seus primórdios, a Igreja convida o sacerdote «a ter compaixão dos que erram e pecam, porque ele mesmo está impregnado de fraqueza» (Hb 5, 2). Os padres, bispos e papas podem errar e pecar, como qualquer outra pessoa. Só Deus é santo! Mas, se o Carlos Magno brasileiro morar em Dourados, isso me deixa muito triste, porque suas críticas me dizem que nem eu nem os meus sacerdotes conseguimos ajudá-lo a descobrir que a verdadeira Igreja é muito diferente da que ele, infelizmente, conhece...

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