13/07/2012 07h23 -

“Não façam da religião um mercado!”

 

Dom Redovino

Se eu fosse ateu, o meu passatempo para os dias em que tudo anda atravessado, poderia ser ligar o televisor e assistir a programas religiosos: em matéria de comicidade, alguns deles certamente não ocupariam o último lugar!

De uns anos para cá, apesar do pluralismo cultural e do relativismo moral que contagiam todos os segmentos da sociedade, poucas pessoas conseguem ficar indiferentes em matéria de religião. Em alguns países, ela é temida, ao se transformar num fundamentalismo violento, que elimina quem ousa pensar diferente. Em outros, ela se esfacela e multiplica em centenas de novas denominações. É o caso do cristianismo.

Não me refiro somente às confissões evangélicas, em que pastores, ao se desentenderem com algum colega, fundam suas próprias igrejinhas, sob denominações que beiram ao esdrúxulo e ao ridículo. Penso também em algumas lideranças da Igreja Católica que desertam de seu redil, mas levam consigo conceitos, ritos, vestes e até santos da igreja-mãe. Foi assim que nasceram, entre outras, a Igreja Católica Apostólica Brasileira, a Igreja Católica Carismática, a Igreja Católica Apostólica Cristã, a Igreja Católica Apostólica Renovada e a Igreja Católica Apostólica Independente.

A confusão é tanta que, no dia 30 de novembro de 2011, «a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – cito o texto –, na defesa da verdade e da liberdade, considerou oportuno publicar a presente Nota Pastoral, destinada aos membros do episcopado, do clero, aos religiosos e a todos os fiéis leigos.

O uso de nomes, termos, símbolos e instituições próprias da Igreja Católica Apostólica Romana, por outras denominações religiosas distintas da mesma, podem gerar equívocos e confusões entre os fiéis católicos. Nestes casos, o uso da palavra “católico”, “bispo diocesano”, “vigário episcopal”, “diocese”, “clero”, “catedral”, “paróquia”, “padre”, “diácono”, “frei”, pode induzir a engano e erro. Pessoas de boa vontade podem ser levadas a frequentar tais templos, crendo que se tratam de comunidades da Igreja Católica Apostólica Romana, quando na verdade não o são.

Estas denominações, apesar de se autodenominarem “católicas”, não estão em comunhão com o Santo Padre, Papa Bento XVI, e não fazem parte da Igreja Católica Apostólica Romana. Por esta razão todos os ritos e cerimônias religiosas por eles realizadas são ilícitos para os fiéis católicos. Assim sendo, recomenda-se vivamente aos féis que não frequentem os edifícios onde eles se reúnem nem colaborem ou participem de qualquer celebração promovida por esses grupos».

Mas não são apenas essas igrejas que se apoderam do que não lhes pertence. Um número crescente de denominações pentecostais passou a adotar usos e costumes que, até poucos anos atrás, pareciam patrimônio da Igreja Católica. Surgiram bispos e bispas em dezenas de confissões religiosas, totalmente alheios à tradição eclesial, assim delineada pelo Concílio Vaticano II: «É constituído membro do Corpo Episcopal quem recebe a sagração sacramental e está em comunhão com o chefe e os membros do colégio. Assim como, por disposição de Jesus, São Pedro e os outros apóstolos constituem um único colégio apostólico, da mesma forma o Romano Pontífice, sucessor de Pedro, e os Bispos, sucessores dos Apóstolos, estão unidos entre si».

Até mesmo ritos e sacramentais católicos, ridicularizados e combatidos no passado como supersticiosos – como as bênçãos e os “objetos sagrados” – retomaram a cidadania e passaram a ser oferecidos e comercializados. Há igrejas que, para engrossar suas fileiras e suas rendas, recorrem a todo tipo de expediente: passam do proselitismo ao sincretismo, prometem saúde e prosperidade, e “abençoam” casamentos e modelos de vida em aberto contraste com os postulados do Evangelho de Jesus.

Na década de 1970, causou impacto na opinião pública brasileira o livro de Délcio Monteiro de Lima: “Os Demônios descem do Norte”. Nele, com muita felicidade e rara perspicácia, o autor detecta as manipulações políticas que fomentaram a explosão das seitas no Brasil, sob o influxo do mercado internacional, com o propósito de implodir a influência da Igreja Católica na sociedade. Mas, nada há a temer, pois, como disse Gandhi, «a verdade é a única força do mundo que se impõe por si mesma».

Dom Redovino Rizzardo, cs

(5) Comentários

padres, pastores, etcs,dizem ser contra o comercio das religioes,ora bolas o dizimo não é comercio??, e as ajudas as igrejas não é comercio, a união de lideres religiosos com politicos não é de interesses financeiros?, alem do mais quem paga o dizimo, não espera receber em dobro?? vendas de materiais religiosos (explo musica de adoração ) não é comercio? mais cigo é quem não quer VER!!!!!!!!!!

 
antonio rocha em 28 de agosto de 2012 - terça às 10:29

Um texto profundamente sem sentido. Como sitado em outro comentário, quem é a igreja católica para questionar arrecadação ou seja lá como se chama isso, de igrejas evangélicas ?
Senso critico é bom, mas um pouco de desconfiômetro também.
Texto profundamente infeliz!!!!

 
Lucas em 21 de julho de 2012 - sábado às 14:32

Quem criou o planeta foi o tal de Big Bang, depois de milhares de anos, incluindo o resfriamento do planeta, evolução das espécies... etc nasceu o salvador da igreja católica, que trabalha 24 h (inclusive a noite), que não tem férias nem 13º, ja trabalha a mais de 2000 anos e ainda não se aposentou.... e esse povo aqui em baixo brigando pelos fiéis... Por favor né.... Cada um no seu quadrado !...

 
Otto em 13 de julho de 2012 - sexta às 15:08

Fala sério meu caro Dom Redovino! Quem é a igreja católica para falar sobre comercio, lembra das indulgências o período das inquisições? Onde pobres eram obrigados a aceitar o cristianismo sobre pena de serem mortos, os infelizes tinham que dar suas poucas moedas de ouro para a “santa igreja” enviar a alma dos antes queridos falecidos para o céu.
A religião católica e responsável diretamente pelo atraso tecnológico, econômico e cultural do mundo, devolva as riquezas saqueadas mundo a fora pela igreja, vai fazer a cúpula do catolicismo comer arroz e feijão.
Quanto às outras religiões realmente devo concorda nada mais são que mercantilistas e extorsores, como vocês.

 
marcelo r. em 13 de julho de 2012 - sexta às 10:54

Confesso minha ignorância, pois sequer sabia que há tantas denominações muito parecidas à denominação oficial da Igreja Católica. Agradeço a informação emanada do texto de D. Redovino.
Adilvo

 
Adilvo Mazzini em 13 de julho de 2012 - sexta às 10:53

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