27/01/2012 06h15 -

Quando a religião é uma desgraça...

 

Dom Redovino

Após os atentados que, no dia do Natal de 2011, mataram dezenas de católicos na Nigéria – atentados que foram repetidos nos primeiros dias de janeiro de 2012, com outras tantas vítimas –, dentre os muitos leitores que se manifestaram em portais da internet, gravei a opinião de dois deles.

O primeiro, que se assina simplesmente “Ateu”, escreveu: «Quando alguém adota uma religião – qualquer uma: cristianismo, judaísmo, islamismo, budismo, hinduísmo, espiritismo – a primeira coisa que morre nele é a humanidade. Depois, a tolerância, a compaixão e o senso de justiça. E tenho dito!».

O segundo, cujo nome – não sei se fictício – é Tonho, parece querer justificar os desmandos atuais de algumas religiões trazendo à memória as culpas da Igreja Católica na Idade Média: «Já não houve fundamentalismo católico? A Santa Inquisição? Os acusados de heresia não eram queimados vivos em praça pública?».

Mais do que com Tonho, preciso concordar com o ateu: a religião é uma desgraça para todos quando, ao invés de um encontro com um Deus que é sempre e somente amor, ela se transforma numa ideologia a serviço dos interesses humanos. Não será por isso que aumenta constantemente o número dos ateus? Se a religião não é capaz de transformar as pessoas em cidadãos que atuam por um mundo justo e fraterno, para nada serve.

Sobre os massacres ocorridos na Nigéria, a Organização das Nações Unidas assim se manifestou: «A ONU condena nos termos mais fortes esses ataques e expressa suas condolências ao povo da Nigéria, assim como às famílias que perderam entes queridos. O Secretário-Geral apela mais uma vez para se pôr fim a todos os atos de violência sectária no país, e reitera sua firme convicção em que nenhum objetivo pode ser justificado com o recurso da violência».

“Nenhum objetivo”, muito menos a religião, cuja tarefa principal deveria ser a promoção da paz e da concórdia. É o que declarou também o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi: «O atentado contra as igrejas na Nigéria, precisamente no dia de Natal, manifesta infelizmente mais uma vez um ódio cego e absurdo, que não tem nenhum respeito pela vida humana».

Mas não é apenas na Nigéria que a religião é instrumentalizada pela maldade humana. No Iraque, nenhuma missa foi celebrada na noite do Natal, para não pôr em risco a segurança dos fiéis, aterrorizados por inúmeros ataques perpetrados contra eles. (No dia 31 de outubro de 2011, foram mortos 57 cristãos).

Outro fato doloroso aconteceu no Tadjiquistão, no dia seguinte ao Natal. Um jovem de 24 anos foi morto a facadas por um grupo de muçulmanos enfurecidos quando ele visitava familiares e amigos na madrugada de segunda-feira, vestido como Ded Moroz – o Papai Noel da tradição russa. De acordo com as fontes policiais, o assassino gritou na hora do crime: “Infiel!”.

Totalmente diferente deve ser o relacionamento entre as religiões que desejam subsistir. A indiferença, a desconfiança e o ressentimento que as mantêm distantes uma da outra, precisam ser substituídos pela estima, pelo diálogo e pelo encontro. É esta também a convicção do teólogo espanhol, Pe. Andrés Torres Queiruga: «O diálogo não é um capricho, mas constitui uma condição intrínseca da verdade, porque não é possível aproximar-se sozinhos, fechados no egoísmo dos próprios limites, da riqueza infinita da oferta divina.

Unicamente juntos, dando e recebendo, num contínuo intercâmbio de descobertas e experiências, de crítica e enriquecimento mútuos, é que se vai construindo na história a resposta à revelação salvífica. Cada religião reflete a verdade à sua maneira e a partir de uma situação particular. Todavia, à medida que elas sobem e se aperfeiçoam, se aproximam entre si, segundo a famosa frase de Teilhard de Chardin: “Tudo o que sobe, converge”. Talvez, por isso, convenha ir substituindo – ou pelo menos completando – a palavra “diálogo” pela palavra “encontro”.

O diálogo pode implicar a conotação de uma verdade que já se possui plenamente e que vai ser “negociada” com o outro, que também já tem a sua. O encontro, pelo contrário, sugere muito mais um sair de si, unindo-se ao outro, para ir em busca daquilo que está diante de todos».

Dom Redovino Rizzardo, cs

(2) Comentários

Essas barbaridades acontecem porque as pessoas que seguem religiões, simplesmente se esquecem de analisar a essência e o fundamento de como surgiram, e qual a sua real importância, e ao invés disso ficam condenando uns aos outros. posso falar também do cristianismo, que eu conheço,e do maior mandamento entre os dez: " Amai a Deus sobre todas as coisas, e ao teu próximo como a ti mesmo" como disse nosso Senhor Jesus. Então porque é que alguém quer maltratar ou julgar os outros pela sua religião, quem dá a salvação é DEus, através do sacrifício de Jesus!A PAZ DE DEUS para todos.

 
mauro junior em 27 de janeiro de 2012 - sexta às 10:45

infelismente todas as religiões já mataram ou matão em nome de deus,e irão continuar matando enquanto os seus lideres maiores não se livrar de praticas que fortalece o preconceito e estimula o crime de ódio. não sou ateu só que o deus em que acredito ama a todos independente de crença religiosa, raça, cor, orientação sexual ou clase social. o deus que creio simplismente ama.

 
anizio em 27 de janeiro de 2012 - sexta às 08:31

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