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Leia o artigo "Ano novo, padres novos!", por Dom Redovino

03 janeiro 2013 - 11h02

A um dos artigos semanais que publiquei em 2008, dei como título “Padres e bispos autoestressados”. Nele, eu escrevia: «Nesses oito anos de atividade pastoral na Diocese de Dourados, deparei-me com paróquias que mudaram radicalmente de fisionomia – para melhor ou para pior – após a chegada do novo pároco. Comunidades frias e apáticas se renovaram da noite para o dia, porque tiveram a dita de receber um sacerdote amigo, sereno e zeloso».

Lembrei-me deste escrito ao encerrar as visitas que fiz recentemente às 31 paróquias da Diocese de Dourados. Numa delas, um senhor me confidenciou: «Eu já passei por várias paróquias e conheci muitos padres. Mas alguém igual ao nosso pároco, eu nunca encontrei. Um padre humilde, fraterno, que sabe escutar. Trata a todos com respeito. Cada um se sente importante ao lado dele!». Pelo que sei, o referido sacerdote não fez cursos especiais. Não tem mestrado e muito menos doutorado em teologia. Não é enriquecido por dons que o colocam acima dos demais colegas. O que o distingue e faz a diferença é o seu esforço em ser sempre e para todos a imagem viva do Bom Pastor.

Em sua vida e em seu jeito de ser, descortinei a imagem da “nova” Igreja desenhada pelo Papa João XXIII ao inaugurar o Concílio Vaticano II, no dia 11 de outubro de 1962: «A Igreja sempre se opôs aos erros. Muitas vezes, os condenou com a maior severidade. Em nossos dias, porém, a Esposa de Cristo prefere recorrer mais à misericórdia do que à severidade. Ela julga satisfazer melhor às necessidades atuais mostrando a validade de sua doutrina do que condenando erros. A Igreja Católica deseja ser mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e de bondade com os filhos que dela se separaram».

Foram essas as considerações que me ocuparam o coração ao longo do mês de novembro, quando precisei solicitar a alguns sacerdotes que iniciassem o novo ano mudando de paróquia ou de ofício. Quase todas as comunidades que “perderam” os seus padres, me procuraram uma ou mais vezes, solicitando que pudessem ficar com eles por mais tempo. Naturalmente, para mim é muito mais agradável receber tais “embaixadas” do que abaixo-assinados pedindo a remoção do pároco... Elas provam que os presbíteros correspondem às expectativas do povo.

Mas não convém exagerar na insistência. O rodízio de agentes de pastoral é normal na Igreja Católica e, quando não demasiado repetitivo, até mesmo benéfico para a sua renovação. Há poucos dias, as dioceses de Toledo e de Jardim – para só citar as mais próximas – viram os seus bispos partir para outras paragens. Com uma profundidade difícil de captar à primeira vista, o Bem-aventurado João Batista Scalabrini garantia que «as vitórias da Igreja se obtêm muito mais perdendo do que ganhando». Era assim que pensava também São Paulo: «Quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servos, que vos ajudaram a chegar à fé. Cada um agiu conforme os dons recebidos de Deus. Eu plantei, Apolo regou, mas é Deus que faz crescer!» (1Cor 3,5-6).

Os bispos e os padres passam, mas a Igreja permanece. Ela não é composta apenas de clérigos e religiosos, mas também de leigos, todos e cada um com tarefas e responsabilidades específicas. Se a presença dos primeiros na condução da comunidade é de fundamental importância, não menor é a dos leigos. Mais e melhor atua na Igreja quem mais ama: «Pedro, me amas mais do que os outros? Então, apascenta as minhas ovelhas!» (Jo 21,16). As ovelhas são sempre “minhas” (de Jesus), e os bispos, padres e leigos, seus “enviados”.

Dentre os leigos, a Diocese de Dourados pretende priorizar, em 2013, os jovens e a família. Os jovens, porque – lembra Bento XVI – «prestar atenção a eles, saber escutá-los e valorizá-los para a construção de um futuro de justiça e de paz, é um dever de toda a sociedade. Para continuar a sua missão de evangelização, a Igreja conta com eles e os vê como os primeiros missionários no meio de seus coetâneos». A família, porque – é sempre o Papa quem fala – «é a célula primária da sociedade humana e o primeiro campo de prova para as relações harmônicas em todos os níveis da coexistência humana. As famílias cristãs são pequenas igrejas, onde todas as vocações e carismas dados pelo Espírito Santo precisam ser acolhidos e valorizados».


Dom Redovino Rizzardo, cs

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