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COLUNA

Amplavisão

Manoel Afonso

Vem ai uma chuva de candidatos

10 janeiro 2020 - 07h42

VAMOS VER!  Historicamente, por vários fatores, as eleições municipais despertam maior interesse do eleitor. Pessoas mais próximas e temas mais comuns à comunidade são os fatores motivacionais que levam o eleitor às urnas. Com a popularização da internet, do telefone celular e do aumento de candidaturas ( prefeito e vereança) a tendência é que haja maior debate e divulgação das propostas, o que poderá em tese diminuir o número de eleitores que optem por anular o voto ou não comparecer. Logo abaixo para refrescar a memória do leitor estamos mostrando como foram as eleições de 2016 na capital, Dourados, Corumbá e Três Lagoas.

CAPITAL  Nada menos que 132.865 eleitores ( 22,32%) não foram votar; outros 36.776 cidadãos ( 7,95%) optaram em anular o voto e 13.995 (3,03%) decidiram simplesmente em votar em branco. O candidato vencedor Marcos Trad (PSD) obteve 241.876 votos (58,77%) enquanto Rose Modesto (PSDB) chegou a casa dos 169.660 votos, o equivalente a 41,23% dos chamados votos válidos. Somando aqueles que não foram votar e os que votaram em branco e anularam o voto, teremos um contingente expressivo de 33,30%. Convenhamos que é muita gente, o equivalente próximo a população de Dourados, 221 mil habitantes.  

DOURADOS   As eleições de 2016 tinham ingrediente apimentado por vários fatores  e que  influenciaram nas abstenções (30.242 - 19,87%); nos 4.518 votos (3,7%) em branco e  os 8.786 votos (7,21%) nulos. Nem todas aquelas candidaturas postas não motivaram o eleitorado como mostraram as urnas. Dourados - que sedia 3 universidades de grande porte, detendo números positivos na economia, ainda espera por melhor presença do poderes públicos. Números finais: Délia Razuk (PR) 43.252 votos (39,82%); Geraldo Resende (PSDB) 40.149 votos; Renato Câmara (MDB) 20.708 votos (19,06%); Prof. Ênio 2.445 votos (PSOL) (2,25%); Wanderlei Carneiro (PP) 2.065 votos (1,90%).  

CORUMBÁ    A tradição mostra que lá as eleições e o carnaval se equivalem. No pleito passado o então prefeito Paulo Duarte (PDT), apesar de seu currículo e do cargo  acabou perdendo para  Ruiter Cunha (PSDB), Ruiter bateu nos 23.566 votos ( 46,41%) e Duarte chegou aos 21.027 votos (41,41%) e Elano (PPS) ficou nos 6.185 votos (12,18%). As abstenções chegaram a 16.940 – equivalente a 24% do eleitorado, com nulos somando 2.020 votos (3,77%) e votos em branco atingindo a casa dos 808 votos (1,51%). Pela rivalidade das forças concorrentes e discursos de campanha o pleito não atingiu o desempenho esperado.

TRÊS LAGOAS  Lá o favoritismo da liderança de Ângelo Guerreiro (PSDB) se confirmou nas urnas com 30.033 votos(59,11%) contra 17.675 votos (34,79%) de Jorge Martinho (PSD) e Idevaldo Claudino (PTB) com 2.709 votos (5,33%). Compareceram 58.136 eleitores, dos quais 50.811(87,40%) foram válidos, 4.754 (8,18%) nulos e 2.571 (4,42%) brancos. Dada a aceitação da administração do prefeito Ângelo Guerreiro como mostram as mais diferentes pesquisas na mídia, a tendência é que o fato possa ser uma motivação para que o eleitor participe mais do processo através do voto válido.

NA ANÁLISE  da conjuntura política nacional vale lembrar que o pleito municipal de 2016 foi marcado pelo advento da ‘não política para dentro da política’, como ocorreu em muitas cidades e nas capitais São Paulo e Belo Horizonte. Acontece que poucos que se elegeram com essa bandeira estão tendo sucesso como gestores e isso resultará numa reação do eleitor.  O pleito de 2016 foi marcado como aquele que registrou a taxa mais baixa de reeleição de prefeitos desde o ano de 2.000. Apenas 48% dos candidatos a prefeitos foram reconduzidos ao cargo. Daí a aceitação do ‘novo’.  Mas apenas ser novo e honesto não basta. É preciso que o prefeito seja competente.

NOVIDADES O fim das coligações na proporcional será a primeira e irá  beneficiar quem está no poder, principalmente onde teremos apenas um turno. Das 5.570 cidades pouco mais de 100 delas tem mais de 200 mil eleitores. A segunda inovação é o encurtamento do período de campanha, caindo de 90 para 45 dias - com a campanha esquentando só após o feriado de 7 de setembro.Esse ponto favorecerá os candidatos a vereança mais conhecidos. Se em 2016 tivemos 560 mil candidatos a vereador, neste ano deveremos ter mais de l milhão. Em 2016 tivemos mais de 13 mil candidatos a prefeito e vice prefeito e devido o fim das coligações esse número deve no mínimo quadruplicar.

ATENÇÃO!  O eleitor está mais conectado e pelo celular troca mensagens diversas falando de política. Com tantos candidatos em todas as cidades o celular será o meio mais barato e eficiente para se chegar ao eleitor, que poderá até ficar estressado. Esse conjunto de fatores – incluindo ‘fake news’ - deve aquecer essas eleições. O maior número de postulantes ao legislativo municipal levará maior número de eleitores às urnas. Casos de amigos, parentes e colegas de igreja e entidades diversas que se sentirão no dever de votar.  Tenho dito sempre que são os candidatos a vereador que dão vida as eleições.  

LEMBRETES   O jogo está começando. A filiação partidária será possível até 4 de abril. Só bem depois virão as convenções. Com isso haverá espaço suficiente para conversas e acertos nos bastidores. O que se prevê é a pulverização das candidaturas que decretará o fim da polarização - ao contrário do passado - podendo ter prefeitos eleitos com até menos de 30%  dos votos. O bolo eleitoral será repartido em várias fatias de tamanhos diferentes que roubarão votos do candidato vencedor e de outros tidos como fortes. Aquele tempo de só fulano contra sicrano foi sepultado com o fim das coligações na proporcional.

TIRO NO PÉ   Nossos congressistas não são tão sabidos assim. Só agora estão percebendo que ao aprovarem o fim da coligação proporcional podem ter criado uma cobra para mordê-los nas eleições de 2022. Se o modelo continuar eles enfrentarão as mesmas dificuldades que  ocorrerão nas eleições deste ano. Outro problema para eles políticos foi o fim da doação das empresas para a campanha, criando em seu lugar o Fundo Eleitoral cuja distribuição dos recursos é algo complicado e obscuro por razões diversas. Com os escândalos revelados na ‘Lava Jato’ os empresários ficaram  escaldados com a possibilidade de serem denunciados e terem problemas.

MUDANÇAS    As projeções dos analistas indicam que nestas eleições  será gasto de 30 a 40 por cento menos em relação as eleições anteriores, embora o valor do Fundo Eleitoral seja o mesmo e o número de candidatos infinitamente maior.  A diferença é não se fará mais o que se fazia antigamente: bandeiras nas ruas, contratação de gente e ostentação que deixa o eleitor desconfiado. O dinheiro será gasto na produção de televisão, pesquisas eleitorais e elaboração de ‘fake news’  para ser enviado pelo celular que será a grande vedete desta campanha – superando em muito a TV, antes a favorita. Aliás, serão as pesquisas os melhores indicativos do pensamento do eleitor. Elas já ocorrem por aí e não é por acaso. Certo?

BOLSONARO Não quer ser protagonista das eleições, mesmo porque historicamente presidente da república não decide eleição municipal.  Se seu futuro partido não ficar pronto melhor pra ele. Não correrá riscos de críticas e nem comparações de desempenho ao final. Dever fazer o voo livre e só aparecer em alguns locais para polarizar ao PT, para inflar a sua base e estimular a polarização. Claro que se estiver bem lá frente irá tirar  selfies com candidatos com os quais tem identificação. Lembro que quando deputado ele era parlamentar temático e nunca foi ligado a municípios e prefeitos. Sua vitória não contou com a ajuda de prefeitos. É mais esperto do que parece!

CAFÉ AMIGO com Sergio Longen – presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul. Falamos de tudo, dos desafios que seu segmento vem enfrentando, das novas leis trabalhista, dos juros, rota bioceânica, dos investimentos privados que  acontecem em todo o Estado e arrematamos discorrendo sobre essa última batalha contra a ANEEL referente a desastrada tentativa de cobrança de impostos sobre a energia solar. A visão do dirigente é de empresário que pensa longe analisando vários aspectos. Senti muito otimismo de Longen também no que concerne às ações do Governo Estadual com quem  sua entidade está em sintonia.

UTOPIA  O ex-deputado João Grandão (PT) aprovou lei proibindo o serviço do UBER no MS. Piada; a matéria é de competência da União. Em 2000 a Câmara aprovou projeto do ex-deputado comunista Aldo Rebelo proibindo a adoção do sistema de autosserviço em postos de combustíveis para preservar os empregos. Ora! Nos ‘States’ o modelo deu certo desde 1950 e as lojas de ‘fast food’  e supermercados adotaram o sistema.  Estamos atrasados; lembra a França do século XII. Lá os alfaiates e fabricantes de roupas proibiram a fabricação de botões sob a alegação de quebraria a indústria do vestuário.  A Câmara deve reexaminar logo esse monstrengo da esquerda utópica.

JANEIRO & REFLEXÃO “A vida passa rápido demais, você não precisa acelerar nada... nessa época do ano você vai dar uma pausa, certo? Vai passar o período de festas com quem gosta, desejando boas energias...mas vai fazer isso porque é isso que se diz ou porque é isso que você sente? Pense nas suas resoluções de 2020: elas falam de que? Mais de amor ou mais de sucesso? Mais de alegria ou mais de conquista? Mais de família ou mais de cargos de diretoria? Mais de vida ou mais de se matar de trabalhar? Você vai passar mais um ano achando que o importante é a disputa no emprego?... Você vai morrer, mas por favor não morra aos poucos. Ao contrário: viva aos poucos...” (Fábio Bernardi)

LER E PENSAR “Diz-se que, momentos antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás; cumes, montanhas, curvas, florestas, povoados e vê à sua frente o oceano tão vasto que entrar nele nada mais  é do que desaparecer para sempre.Mas o rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Podemos só ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no mar. E somente ao entrar é que o medo desaparece. Porque então o rio compreende que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.  Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento”. (Gibran Khalil Gibran – “O Rio e o Oceano”)

LEMBRETE DE JANEIRO “Você vai morrer, mas é bom lembrar que os seus planos de longo prazo, os dividendos e bônus, as tarefas da casa que você nunca adia, as dívidas e os boletos que lhe dão angústia, o conserto da máquina de lavar, os ponteiros do relógio que não permitem atrasos, tudo isso também vai embora quando você for. Eles não ficam por aqui a contar como você era rígido com você mesmo. Você vai morrer e, naquele dia, a roupa vai continuar no varal e ninguém vai lavar os pratos na pia. Porque até todos os seus problemas vão morrer com você. E sendo assim, de que adianta morrer antes deles”. (Fábio Bernard, sócio-diretor de criação da Morya)

FILOSOFIA   Neste início de ano, devido ao recesso da pauta política aproveito para lembrar o filósofo Mario Sergio Cortella. Segundo ele a posse de bens materiais, de fato, produz uma felicidade rasa, momentânea, episódica, veloz, e aí a pessoa entra num processo obsessivo de imaginar que a ‘consumolatria’ – a posse contínua das coisas – é que vai deixá-la feliz, e isso sim, leva a um estado de ansiedade constante. A filosofia, segundo Cortella, tem uma fórmula antiga que serve até de anedota: “Felicidade é igual realidade menos expectativas”.  

“A Felicidade compulsória é um mal que atinge o mundo inteiro”. (Manuela Cantuária)

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